Notícias

04 de janeiro de 2012
O acordo para administrar a crise da seca no Vale do Sinos

                                                                             
Por Arno Kayser

O representante do Movimento Röessler no Comitesinos comenta o resultado da reunião ocorrida em 22 de dezembro.

Felizmente venceu o bom senso nesta reunião do Comitesinos.  O grande fortalecido foi o próprio Comitê, pois saiu consolidado como espaço político de resolução de conflitos.

Para tristeza de alguns, que gostam de ver o circo pegar fogo para se projetar pessoalmente, as partes em conflito de uso cederam o que podiam e se construiu um acordo de uso d’água nesta crise de seca do verão 2011-2012. Acordo que talvez não tenha agradado a ninguém de pleno, mas que serve para fortalecer a opção pelo diálogo como forma de construir um caminho de enfrentamento dos problemas de fundo do nosso rio.

Quem vai comandar o espetáculo vai ser o crivo das bombas definindo o momento em que a agricultura pode ou não captar água sem prejudicar o abastecimento público.

Houve grandeza de todas as partes envolvidas em perceber que temos que seguir construindo soluções de forma democrática.

O acordo também fortalece todo o Sistema Estadual de Recursos Hídricos porque em todos os fóruns extra comitê em que o tema da seca foi debatido ficou claro que os comitês são os espaços legítimos de discussão, não só por conta da lei, mas, principalmente, por conta da sua legitimidade conquistada pelo trabalho profissional e voluntário de muita gente que ao longo dos anos “tem saído da sua zona de conforto” para construir um sistema democrático e participativo de tomada de decisões.

A repercussão da crise também chamou a atenção do Governo do Estado para a necessidade de fortalecer Sistema Estadual de Recursos Hídricos. A presença na reunião de vários membros do governo e do parlamento estadual na reunião deste dia, 22 de dezembro de 2011, demonstrou isto e também oportunizou ao comitê colocar suas demandas com clareza. O Estado está respondendo com contratação de mais técnicos para o DRH (uma das maiores limitações do sistema) e com recursos para investir na área.

É esta maior presença que a sociedade espera para completar a participação social para possamos recuperar nosso rio e gestá-lo de modos há que garanta águas para todos os usos humanos e para a manutenção da vida selvagem.

O desafio agora é seguir administrando a crise e depois que ela passar seguir com ações de planejamento que resulte num Plano de Bacia que norteie o desenvolvimento da nossa região dentro dos limites que a Ecologia da região possibilita.


16 de dezembro de 2011

Dia do Bioma Pampa homenageia Lutzenberger

                                                                             
Por Cláudia Dreier

O Bioma que abrange a metade sul do Rio Grande foi criado em 2004 e é comemorado no dia em nasceu o ecologista gaúcho.

Em 17 de dezembro comemora-se o dia do Bioma Pampa, tal data foi escolhida em homenagem ao nascimento do ambientalista José Lutzenberger que em 2011 completaria 85 anos. Segundo a doutora em zoologia, Georgina Bond-Buckup, “o Bioma Pampa foi reconhecido como Bioma em 2004 e teve seu dia criado em 2007”.

Georgina, integrante da ONG Igré, estará na Feira dos Agricultores Ecologistas neste sábado, dia do Bioma Pampa, para divulgar informações sobre a mais tradicional paisagem gaúcha. A banca localizada junto ao caldo-de-cana irá distribuir materiais informativos e também alguns livros para os que visitarem a banca mais cedo, a partir das 9h.

 Dados sobre o Bioma

 Segundo Georgina, além de ser um patrimônio natural, o pampa é também um legado cultural do povo gaúcho que está ameaçado pelas monoculturas e pela destruição de seu habitat natural. No panfleto a ser distribuído pela Igré constam informações básicas sobre o Bioma:

Entre os biomas brasileiros, o Pampa é exclusivo da metade sul do Rio Grande do Sul, ocupando uma área de 178.243 km2, correspondendo a 2,07% do território nacional e a 63% do território gaúcho.

 Embora tenha grande extensão territorial, somente 41,32% da área do bioma Pampa ainda tem cobertura vegetal nativa, os restantes 58,68% foram modificados pelo uso do homem – principalmente pelo mau manejo dos campos com o sobrepastejo animal, com aplicação de herbicidas e pela introdução da silvicultura com espécies exóticas.

 No Pampa ressurgem vários afloramentos do aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo.

 Nosso Pampa apresenta uma elevada biodiversidade campestre , compartilhando com gramíneas e  leguminosas forrageiras a cobertura vegetal característica que determina a economia e a cultura da região.

 A riqueza da vegetação do Pampa está composta por 2.600 espécies campestres representando em torno de 2/3 da diversidade da flora do RS. Mais de 300 espécies vivem exclusivamente neste bioma.

 A riqueza da fauna, ainda não conhecida em sua totalidade, mostra espécies que ocorrem somente neste bioma (endêmicas), raras, migratórias, ameaçadas de extinção e aquelas de interesse econômico.

 Mais de 90 espécies de mamíferos terrestres só conseguem viver no campo, como o graxaim,  o veado-campeiro,  o preá  e o  tatu,  entre outros, constituindo 30% de espécies endêmicas. Cerca de 400 espécies de aves e mais de 50 espécies de peixes são conhecidas para a região.

 Entre os biomas brasileiros é o que apresenta o menor número de áreas formalmente protegidas, representando somente 0,36% de sua área de ocorrência.

 O Pampa vem sofrendo uma progressiva descaracterização do seu território pelas crescentes ameaças como o cultivo de árvores exóticas que não pertencem ao bioma nativo, no qual a vegetação original é composta por plantas herbáceas e arbustos. O campo é a expressão adequada para o perfil climático e o tipo de solo da região.

 Plantar extensos conjuntos de árvores na região representa uma grande sobrecarga para os recursos disponíveis, especialmente a água do solo e os nutrientes realmente existentes, causando prejuízos irreversíveis ao meio ambiente e, consequentemente ao ser humano.

 No RS são registradas 250 espécies da fauna ameaçadas de extinção e 10% dessas estão diretamente ameaçadas pela expansão das monoculturas de árvores.

 O Pampa na TV

 No início de dezembro, uma equipe da TV Emater esteve no Rincão Gaia, localizado no limite norte do Bioma Pampa, para contar a história da atuação de Lutzenberger naquele local. Além dos depoimentos de Lara Lutzenberger, presidente da Fundação Gaia, a reportagem contou com a participação do doutor Ludwig Buckup que também estará na feira e integra a Igré.

 As imagens do Rincão e as entrevistas podem ser conferidas no programa Rio Grande Rural que é transmitido em vários horários e emissoras. Na TVE: sábado às 7h e domingo às 8h;
na Rede Vida: sábado, às 6h30; na TV Assembléia: domingo às 13h30, segunda-feira às 5h30, terça-feira às 6h, quarta-feira às 6h, quinta-feira às 6h30, sexta-feira às 5h e sábado, às 5h, às 10h30 e às 13h. Na TV UCPEL canais 15 da NET e 10 da VIACABO TV: quarta-feira, às 19h. Na TV UNISINOS canal 32 da NET: quarta-feira, às 18h. Também é transmitido nos canais 15 ou 16 da NET: TV CAMPUS UFSM no sábado e domingo, às 12h e às 22h. Na UCS TV, disponível em UHF – TV aberta – no canal 27: domingo, às 9h. Na TV UNISC: quinta-feira, às 19h. Na
TV Caxias canal 14: domingo, às 9h. 

 Serviço 

Evento: Dia do Bioma Pampa
Data
: 17 de dezembro das 9 às 12h30min
Local:
Feira dos Agricultores Ecologistas – 1ª quadra da avenida José Bonifácio, em Porto  Alegre
Participação:
 Ong Igré com a presença de Georgina Bond Buckup, Ludwig Buckup e Ilsi Iob Boldrini
Agendamento de entrevistas:
(51) 9819 9887 com Cláudia Dreier


29 de setembro de 2011

Queimando verdinhas

                                                                             
Por Paulo Backes

O fotógrafo, agrônomo e paisagista faz uma reflexão sobre o consumismo e a falta de cuidado com nossas riquezas naturais. Backes é também colaborador da Fundação Gaia.

Há poucos meses, encontrei em um container perto de casa, restos de um parquet que sobraram de uma obra de algum vizinho.  Moro no centro histórico, onde com frequência alguém esta reformando sua casa ou apartamento.  

Centenas ou milhares de taquinhos de 20 cm jogados fora. Madeira inteira, bem conservada, cumprindo sua função por mais de 70 anos. Destino? Alguma central de restos de obra da prefeitura.  

Recolhi algumas caixas e queimei alguns na salamandra de casa até me dar conta: resolvi raspar e lixar a madeira para saber sua espécie. 

Quinze mil dólares jogados fora!!!! Seis a sete metros cúbicos de uma madeira valiosa e rara, pau-marfim! 

O valor medio do pau-marfim beneficiado é de aproximadamente US$ 2500 / m3. 

O pau-marfim (Balfourodendrum riedelianum) encontra-se na lista de espécies ameaçadas de extinção no Estado do Paraná. Em São Paulo, estão sendo realizados trabalhos de conservação genética em populações in situ e ex situ nas reservas florestais a fim de preservar a espécie.

Arrependo-me pelas que me queimei, pois em princípio estava reaproveitando um resíduo para me aquecer, e de graça.

Estamos jogando fora o que a natureza nos forneceu nos séculos passados e nos custou a  destruição de grande parte das nossas paisagens e florestas.

Por isso nossa civilização extingue espécies. Uma mesma moradia consome várias vezes o mesmo recurso. Por quê? Porque não enxerga o que está botando fora. Por desconhecimento ou capricho de algum modismo que determinou que piso de parquet com pau-marfim é out! Provavelmente no lugar do parquet entrou algum porcelanato ou piso laminado certificado. Mais gasto de energia, recursos naturais ou destruição de florestas!

Nossa civilização extingue porque não vê que os tacos estavam inteiros, sem cupim ou fungos, apenas velhos e sujos, precisando somente de uma lixa. Vamos para a Europa admirar antigas construções e pisos seculares, mas jogamos fora as nossas relíquias.

Fazemos como o magnata arrogante ao acender um charuto com uma nota de cem dólares: estamos queimando nossas verdinhas há séculos!!!!!!!

10 de agosto de 2011
Palestra mostra a atuação dos Comitês de Bacias Hidrográficas

              
                                                                  Por Cláudia Dreier exclusivo para Fundação Gaia

Teresinha Guerra, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, foi a palestrante do Ecologia na Cultura.

Nesta terça-feira, 09 de agosto, Teresinha Guerra, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, participou da quinta palestra do ciclo Ecologia na Cultura, promovido pela Fundação Gaia – Legado Lutzenberger  em parceira com a Livraria Cultura. Ela falou sobre o trabalho do Comitê e sobre a água como elemento natural, recurso hídrico e bem público.

“O ciclo hidrológica é um sistema fechado que recebe muitas interferências da sociedade humana seja por lançamento de efluentes nas águas, captação ou barramentos.” Teresinha conta que na Europa o primeiro parlamento sobre a gestão da água foi criado na Espanha, ainda no século XVIII, devido às disputas pela água que resultaram em várias mortes.

 Pioneirismo

No Brasil, a primeira lei sobre um Sistema Estadual de Recursos Hídricos nasceu no Rio Grande do Sul em 1994, antecipando o Sistema Nacional de Recursos Hídricos estabelecido pela lei número 9.433, de oito de janeiro de 1997. “Na década de 1980, um grupo muito entusiasmado reuniu-se para organizar a gestão da água e foi buscar subsídios no modelo adotado pelos franceses. Em 1989, foi criado o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos e no ano seguinte, o do rio Gravataí.“

Anterior à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o Sistema Estadual de Recursos Hídricos foi sendo estabelecido a partir da atuação dos Comitês. Estes, atualmente, formam um grupo de 25: onze na região da bacia do Uruguai, nove na do Guaíba e cinco no litoral. “O Comitê é um colegiado e não uma ONG, sendo formado por representantes dos usuários da água, da população da Bacia e de órgãos do governo Estadual e Federal”, explica Teresinha . Os participantes dos dois primeiros grupos são eleitos entre as categorias que representam. A presidente lembra que está aberto o período de inscrição para a nova eleição de representantes.

O Comitê funciona como um parlamento das águas que deve dar a palavra final nos assuntos que dizem respeito ao gerenciamento da água na Bacia Hidrográfica onde atua. Além da poluição dos mananciais, entre os problemas mais comuns citados encontram-se o barramento, principalmente com fins de irrigação, e o assoreamento. Na Bacia do Lago, 85 % da água disponível é utilizada na irrigação dos cultivos agrícolas, sendo o restante dividido entre a indústria e o uso doméstico. Teresinha ressalta que a prioridade de uso da água é o abastecimento humano e a dessedentação dos animais.

“Na região da fronteira existe um rio chamado Ibicui da Armada. Recebendo esta denominação, por ele deveriam navegar os navios do Imperador. Hoje seu calado quase nem comporta um pequeno barco”, revela a presidente. A diminuição da calha do rio por onde devem escoar as águas resulta da destruição das matas ciliares que protegem as margens e mantêm o leito com um talvegue mais profundo. A largura da mata ciliar está definida no Código Florestal.

Teresinha revela que até o final do ano será criada a Agência das Águas, atuando nas nove Bacias Hidrográficas do Guaíba. “Com a criação da Agência, o Comitê irá atribuir a ela as funções de ordem mais técnica e poderá dedicar-se ao Plano de Ação para melhorar as condições da Bacia.” Uma das atribuições da Agência é realizar a cobrança pelo uso da água, valores que também passam pela aprovação do Comitê da Bacia Hidrográfica. 


09 de agosto de 2011

Edgar Morin apresenta alternativas à crise mundial

              
                                                                   Por Cláudia Dreier exclusivo para Fundação Gaia

O intelectual francês participou do Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre.

Contextualização e exemplos pontuais marcaram a palestra de Edgar Morin que aconteceu na segunda-feira, 08 de agosto, integrando a programação Fronteiras do Pensamento em 2011. Com 90 anos e um mês exatos, o francês tem como valores principais o amor e o conhecimento. Ele aponta soluções para a crise atual a partir de suas pesquisas e vivência ao longo da História.

Segundo Morin, a crise econômica iniciada em 2008 colocou em xeque o modo de conhecimento que fragmenta as várias disciplinas, impedindo a compreensão dos problemas globais. Para entender o que acontece é fundamental conhecer o processo de globalização cada vez mais acelerado pela modernidade. “Não sabemos o que se passa e é isso que se passa. A crise econômica atual resulta de uma crise da sociedade moderna, da sociedade tradicional, da democracia, do pensamento, em fim, uma crise geral da humanidade.”

  Dois lados da globalização

O francês considera a mundialização como a pior das coisas possíveis e, ao mesmo tempo, a melhor delas. Integrando o primeiro aspecto, ele lista o desenvolvimento da técnica que constrói fantásticas armas de destruição de massa e que gera a crise ambiental. “Mesmo com toda técnica desenvolvida somos incapazes de frear esta crise. Um dos problemas está nos Estados Nacionais, agora incapazes de manter as promessas feitas à população”. Ele propõe que os Estados Nacionais associem-se entre si para que possam ficar protegidos. “A ONU tem pouca força para decisões em esfera planetária que envolvam a questão armamentista e o necessário cuidado com a biosfera”.

Morin discorre sobre as ameaças à civilização utilizando uma metáfora. “No século XX um monstro, uma espécie de polvo gigante com muitos  tentáculos, amedrontava a humanidade: era o totalitarismo exemplificado no nazismo e no fascismo. Com a queda do comunismo despertou um novo polvo: o do fanatismo e do maniqueísmo, de cunho étnico e religioso. A partir da abertura econômica da China e do Vietnã, ganha força o polvo da economia globalizada, do capitalismo financeiro que é mais poderoso do que o Estado Nacional”. Como exemplo recente, ele cita o caso dos EUA, no qual uma agência abaixou a nota dos americanos e os demais países vêem-se incapazes de contornar a crise mundial.

Para o palestrante, o aspecto positivo da globalização é unir os povos na mesma comunidade, no mesmo destino ao viverem perigos semelhantes, o que cria condições para surgir um novo mundo. “O desafio é inventar uma sociedade global sem o modelo dos Estados Nacionais. Há  outra sociedade a ser criada.” Ele enfatiza a importância da palavra “pátria” que reúne os conceitos paterno e materno na mesma expressão. O amor de mãe e o suporte dado pelo pai geram a idéia do Estado que fraterniza, tem nos seus cidadãos filhos que devem tratar-se como irmãos. “O grande desafio é edificar uma terra-pátria que respeite as comunidades.”

 Componente aleatório

Segundo Morin, existe um componente aleatório na história da vida e da civilização, exemplificado pela origem do regime de governo preponderante nos Estados Nacionais. No século quinto antes de Cristo, a cidade de Atenas, berço da democracia, resistiu ao primeiro ataque dos persas com o auxílio dos soldados de Esparta. No segundo confronto, ela foi arrasada. Ao regressar da batalha, os barcos da frota inimiga foram afundados no Peloponeso, assim Atenas pode reerguer-se e a democracia persistiu por mais 50 anos. Na Era Moderna, este regime foi ressuscitado nas cidades italianas, belgas e na Revolução Francesa. E o improvável aconteceu: a democracia, criada em uma pequena cidade grega, estabeleceu-se como uma característica da sociedade vigente.

“Mas como é possível mudar o caminho, como parar um trem desenfreado em direção à catástrofe?” questiona ele, voltando à crise atual.  “Em vários momentos a sociedade humana mudou de rumo graças a um indivíduo e a um pequeno grupo a ele associado.” Morin cita Buda, Maomé e Jesus Cristo.  Este, após a pregação, em dois ou três séculos teve sua doutrina transformada na religião do Império Romano. “Isso aconteceu graças a Paulo que teve uma revelação no caminho para Damasco, permitindo universalizar a mensagem: não há judeus nem gentios, homens ou mulheres, a palavra é dirigida à humanidade tornando o cristianismo a grande religião.”

Morin aponta exemplos semelhantes para a ciência moderna, referindo-se a Galileu, Descartes e Bacon, e para os modelos sociais citando os criadores do Comunismo e do Anarquismo. “As mudanças são possíveis, começam moderadamente. Se o sistema não trata dos problemas fundamentais, ele se desintegra, mas é possível que, de algum modo, com criatividade este mesmo sistema seja metamorfisado  gerando um novo sistema.”

 Metamorfose

Para o francês, os sistemas na Terra respondem aos problemas de três maneiras: regridem a um estágio anterior, desintegram-se ou passam por uma metarmorfose. “Temos na borboleta um belo exemplo. Quando se rompe o casulo da larva, o mesmo ser passa a ter asas e alimenta-se diferentemente de quando estava enclausurado.” Morin lembra que o próprio ser humano, quando no ventre materno, é um ser aquático.

“A história humana é uma história de metamorfoses.” Morin enfatiza que as pequenas sociedades de centenas de indivíduos, viáveis ecologicamente, tiveram diferentes estágios de evolução para se transformarem em grandes cidades e civilizações como as dos Astecas e Incas, na América. “Esta metamorfose específica vai desagregando os valores da comunidade no seu processo de crescimento.”

Atualmente, na França fala-se em desglobalização, pois a mundialização destruiu as realidades regionais e a solidariedade típicas da vida comunitária. “Busca-se agora sair deste processo, estimulando as trocas que possibilitem uma nova sociedade.” O palestrante defende o pensamento binário, onde coexistam a globalização e a desglobalização. “Podemos manter os pontos positivos da globalização, preservando as culturas nacionais e a agricultura de subsistência do país para garantir os alimentos da nação sem precisar importá-los. É preciso ter a virtude de proteger as comunidades locais.”

Outra proposta de Morin é trocar o desenvolver pelo envolver. Enquanto o primeiro promove o crescimento econômico material, destrói a solidariedade, traz a corrupção política e a tecnologia destrutiva; o segundo mantém o sistema unido, fortalece a comunidade, a cultura e a identidade.  Aceita o que  vem de fora, respeitando os aspectos de cada cultura, fazendo uma simbiose entre o Ocidente e as antigas culturas tradicionais.

 Alternativas

Baseada no desenvolvimento material, a Sociedade Ocidental carece de hospitalidade, de cortesia e de uma maior harmonia com a natureza. Para alterar este quadro, Morin propõe um decrescimento econômico e energético em prol do florescimento de uma economia verde, remodelando  as cidades para torná-las humanas e suportáveis. “Precisamos de uma economia solidária e verde que vença o lucro.”

No decorrer da palestra, ele cita várias iniciativas que promovem a humanização de comunidades carentes e ressalta a falta de conexão entre elas, sugerindo que a internet possa ter um papel fundamental nesta necessária comunicação. Ele propõe reformas na agricultura convencional que traz mais males do que benefícios. “Também precisam ser revistas, além da pecuária moderna, a consciência de mundo e a educação.”

Referindo-se ao processo educativo, Morin cita Rousseau. “Educar é ensinar a enfrentar os problemas da vida, a ter compreensão humana, a encarar as incertezas e as armadilhas do conhecimento”. Uma nova idéia de mundo está relacionada à reforma da educação e do pensamento. As vidas cronometradas e monótonas também podem ser modificadas para originarem maior autonomia e maior experiência de comunidade.

“Devemos viver a vida de maneira polarizada em prosa e em poesia. Em prosa fazemos o que somos obrigados, o que pode cansar e entristecer, mas é necessário para ganhar o pão. Em poesia temos o que realmente nos faz viver: o amor, a amizade, a comunhão, a dança, o lúdico.” Desenvolver o poético da vida  permite reformá-la e construir a partir do outro. “O outro é diferente e semelhante a nós por possuir a mesma capacidade de sofrer, sorrir, amar, pensar e refletir.” Ele ressalta que primeiro é preciso conhecer a si mesmo para evitar transferir as próprias fraquezas para o comportamento do outro que deve ser apreciado como se estivesse em uma tela de cinema. “Lá aplaudimos um mendigo, um operário se este for vivido por Charles Chaplin”.

Ao “bem estar” que remete a aquisição de objetos materiais, Morin contrapõe a proposta de “bem viver”, citando Evo Morales. Esta propõe-se a ensinar um novo viver e também auxiliar o outro a viver bem. “Uma reforma deve incluir tanto a vida social quanto a individual, uma reforma isolada não dá certo. Um exemplo claro disto é a Revolução Comunista de 1917 incapaz de criar um sistema semelhante à sua ideologia. Aquilo que foi criado ficou pior do que existia anteriomente e emplodiu em 70 anos, dando lugar ao capitalismo e a religiões mais poderosas do que as sufocadas no início do século.”

Morin apresenta-se otimista acreditando que exista salvação para continuar a aventura da humanidade, para ele a História é uma sucessão de crises e nelas aumentam as incertezas. “Como respostas nos períodos conturbados podemos encontrar a solução em algo novo, regredir ao passado ou acharmos um bode expiatório.”

Nas suas últimas palavras, ele afirma que “toda transformação cultural também é mental e psicológica. A esperança é como um fermento para a transformação e a metamorfose. Todas as reformas intersolidárias, são como córregos que se unem para formar rios os quais se juntam até chegar a um Amazonas. Assim se forma um novo caminho e o antigo desintegra-se.” Ele recomenda copiar o modelo dos adolescentes que têm como aspirações a maior autonomia e a maior vivência em comunidade.

“Hoje, o melhor da humanidade pode se desenvolver no Brasil, pois aqui existe uma simbiose entre diferentes povos e nações. Eu mesmo penso algumas vezes em me mudar para o Brasil”, conclui Morin despertando risos na platéia do Salão de Atos da UFRGS e no jornalista Juremir Machado da Silva, que apresentou o palestrante francês.

 


19 de julho de 2011

Criminosos que destruíram Sede da Agapan são indiciados pela Polícia Civil
              
                                 Por Adriane Bertoglio Rodrigues, assessoria de Imprensa da Agapan/EcoAgência

Delegacia Estadual de Meio Ambiente encaminha inquérito para Ministério Público.

Três pessoas envolvidas na destruição da Sede da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural foram indiciadas pela Delegacia Estadual de Meio Ambiente por crimes de falsidade ideológica, tentativa de estelionato, esbulho possessório e dano qualificado com prejuízo considerável para a vítima, no caso, a Agapan. De acordo com a delegada Elisângela Reghelin, outras “conclusões interessantes” do inquérito foram remetidas na última sexta-feira, dia 15, para a Justiça e para o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, com cópia para a Procuradoria Geral do Município. Elisângela se refere à legislação municipal para concessão de alvarás e a um “certo descaso, negligência e até desorganização do próprio Poder Público municipal”, que concedeu alvará de um terreno público, que desde 15 de julho de 2004 estava cedido para a Agapan, que possui termo de permissão de uso por tempo indeterminado.

“Detectamos que o banco de dados da Prefeitura não é alimentado no que tange à propriedade de imóveis públicos. Isso chamou a atenção porque a permissão de uso não estava registrada no boletim, nem havia registro de que o terreno se tratava de imóvel municipal”, observa a delegada. A responsabilidade de atualizar os dados, segundo ela, cabe à Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) e à Procuradoria Geral do Município, que, na época, firmou a permissão de uso à Agapan.

Desde 1979 o imóvel localizado na esquina das avenidas Aureliano Pinto de Figueiredo e Praia de Belas pertence ao Poder Público. “Dá pra verificar o atraso que temos em relação à atualização do banco de dados e às práticas administrativas”, destaca Elisângela, ao calcular que atualmente são emitidas de 80 a 100 alvarás por dia pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic). “Essa quantidade de emissões propicia esse tipo de situação de aproveitadores e de pessoas interesseiras”, diz.

 Falhas e abusos

Em 6 de junho deste ano, um dia após o Dia Mundial do Meio Ambiente, a sede da primeira associação ambiental do Brasil e da América Latina, a Agapan, foi destruída por funcionários da Demolidora Gilberto Bexiga, contratado pela Peruzatto & Kindermann, que pretendia instalar uma pizzaria no local. Eles apresentaram um alvará provisório da Smic, “que não autoriza demolição, mas permite a atividade”, analisa a delegada, ao afirmar que apenas a Secretaria Municipal de Obras (Smov) é que pode expedir ordem de demolição, “o que não foi feito”.

Curiosa para entender como a Peruzatto & Kindermann obteve alvará de funcionamento em área que é terreno público e que tem termo de permissão de uso à Agapan, a delegada Elisângela intimou todos os envolvidos, inclusive o secretário da Smic, Valter Nagelstein. No inquérito, foi constatado que os funcionários que assinaram o alvará não provocaram crime. Apenas respeitaram os trâmites exigidos por lei.

Conforme a investigação, que resultou em denúncia de falsidade ideológica, os requerentes foram à Smic de posse do CNPJ e de contrato social obtido junto à Junta Comercial. “Ao declarar na junta e na receita um endereço que não era deles, eles sabiam que se tratava de endereço público e mesmo assim deram esse endereço”, diz, ao destacar que Peruzatto & Kindermann não apresentaram qualquer documento que comprovasse posse de qualquer terreno, propriedade ou até mesmo contrato de locação. Elisângela critica a facilidade de se abrir uma empresa em Porto Alegre. “Hoje, em nossa economia globalizada, um dos crimes mais complexos é a lavagem de dinheiro. Em casos como o da Agapan, começo a entender porque o Brasil tem esse cenário criminoso”, observa.

 Estelionato

Há também tentativa de estelionato por parte da Peruzatto & Kindermann que “tenta usufruir, sem aquisição ou locação, de uma vantagem patrimonial mediante fraude, fraude essa da falsidade ideológica”, disse a delegada. De posse de CNPJ e contas de água (Demae, Departamento Municipal de Água e Esgoto) e de luz (CEEE), encontraram na Smic facilidades permitidas através da Lei Complementar 554 e do decreto 15.412, que possibilita alvará provisório mesmo quando não há instalações e é precário, pois a qualquer instante é retirado/cassado, como foi pelo secretário Neigestein. Para obter alvará definitivo, é preciso apresentar licença ambiental, habite-se, laudo da vigilância sanitária, contra incêndio, entre outros critérios. “Para o provisório, basta o sujeito apresenta apenas uma declaração de responsabilidade individual (“e é isso que exige a lei 554, portanto não houve crime por parte dos funcionários”, observa Elisângela), afirmando que o local é apropriado e adequado para o fim a que se destina”, critica. Para ela, “essa fragilidade na legislação ambiental favorece o aproveitamento desses espertos, que aproveitar os desvãos”.

Na avaliação do inquérito policial, a delegada afirma que “os ambientalistas foram vítimas, assim como a municipalidade”.  A delegada salienta os 40 anos da Agapan, completados em 27 de abril deste ano, “pioneira na América Latina em termos de proteção ambiental. A Agapan precisa ser respeitada e merece todo nosso respeito”.

A Delegacia do Meio Ambiente da Polícia Civil calculou em R$ 13 mil os prejuízos materiais da Agapan. “Não se pode avaliar de forma isolada. Temos que ver que é uma associação que depende da contribuição voluntária dos associados e não possui outra sede, então o prejuízo foi grande”, salienta.

De acordo com o inquérito, o casal, que considera “um barraco caindo aos pedaços” a sede da Agapan, contratou a demolidora do arquiteto Gilberto Bexiga, que já responde a duas ações civis públicas da própria Prefeitura e possui uma representação no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) por fração irregular de solo. O arquiteto também foi indiciado. Com o inquérito policial, os três passam a ser alvo de ação no Ministério Público, por falsidade ideológica, dano qualificado com prejuízo considerável pra vítima, tentativa de estelionato e esbulho possessório.

 Projetos: Passado e Futuro

A Prefeitura, através das secretarias de Indústria e Comércio, Obras e de Meio Ambiente, se prontificou a buscar apoio para a reconstrução da Sede da Agapan. Foi criado um grupo de trabalho entre as instituições que vai elaborar um projeto de sede com base em critérios de sustentabilidade, como por exemplo uso de materiais de demolição, aproveitamento da água da chuva, energia solar e ecotelhado. “Através da sede, manteremos acessível para a população o acervo de 40 anos de história ambiental de Porto Alegre e do mundo”, destaca o presidente da Agapan, Eduardo Finardi Rodrigues.

Os ambientalistas lamentam outras importantes perdas da Agapan com a destruição criminosa da sede, como o ecotelhado, telhado verde ou telhado vivo, cuja evolução de seis anos poderia ser estudada, e o tijolo ecológico, cuja resistência era testada no local. “Vamos retomar a pesquisa e outros projetos para a nova Agapan, que há 40 anos segue voluntária na defesa do bem-estar de todos”, destaca Finardi, ao anunciar que, de posse do laudo de inquérito da Delegacia de Meio ambiente, vai ajuizar ação na justiça e no MP pela reparação dos danos morais e ao patrimônio, sofridos pela Agapan com a destruição da sede.

Agapan - EcoAgência


03 de junho de 2011

Fundação Gaia presente na Feira dos Agricultores Ecologistas

                                                                                     
Por Cláudia Dreier

 Em uma banca especial, será distribuído um panfleto sintetizando idéias de Lutz sobre agricultura orgânica e contaminação de agrotóxicos.

 Para comemorar a Semana do Alimento Orgânico e o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Feira dos Agricultores Ecologistas, FAE, têm atrações especiais neste sábado, 04 de junho. Presença das ONGs Fundação Gaia e InGá, distribuição de sementes de variados milhos e hortaliças, degustação de sucos da floresta e sorteio de vale-compras movimentam a feira.

 Há 22 anos, desde que foi criada pela Cooperativa Coolméia, a FAE defende o meio ambiente a partir de uma prática agrícola tradicional, que foi chamada agricultura ecológica e hoje está difundida como agricultura orgânica. Muito antes do selo e da certificação vistoriada do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, os feirantes garantiam a procedência dos seus produtos através da venda direta e das visitas feitas tanto pelos colegas feirantes como por urbanos que frequentam a feira.

 Sementes crioulas

 Uma amostra da biodiversidade de cultivos, cada vez mais afetada pela agricultura moderna que elencou poucas espécies para serem produzidas em larga escala e alimentarem a população mundial, foi vista no último sábado, na exposição de milhos e pipocas coloridos. Ao seu lado, foi realizada uma oficina para demonstrar como se produz um solo fértil e saudável. Muitos queriam levar as sementes, que serão distribuídas no dia 04 a partir das 7h. “Primeiro é preciso preparar a terra, para depois semear”, justifica Vilson Stefanoski que demonstrou quais os ingredientes são essenciais para obter uma terra que transforme as sementes em plantas saudáveis.

 Guardadas da colheita anterior e aptas à reprodução, diferindo das híbridas vendidas pelas sementeiras, essas sementes usualmente chamadas de crioulas trazem no histórico de tal vocábulo um sentido pejorativo. “Em uma pesquisa, Sebastião Pinheiro descobriu que a denominação “crioula” referia-se às espécies excluídas do rol de sementes comercializadas pela Fundação Rockefeller. Assim, devemos utilizar outra expressão mais apropriada à técnica de reproduzir os cultivos de maneira autóctone ao longo dos anos e décadas” explica Nelson Dihel, um dos fundadores da FAE.

 Além dos milhos e pipocas tradicionais das Américas, a partir das 9h30min, também serão distribuídas sementes orgânicas de hortaliças. Estas são produzidas pela empresa gaúcha Bionatur e  foram doadas à Semana do Alimento Orgânico pelo projeto Sementes, do Banrisul. O projeto trabalha com sementes crioulas, de horticultura agroecológica e com mudas e sementes de árvores nativas. “Um dos objetivos do nosso trabalho é permitir que o agricultor mantenha a variedade genérica das culturas e consiga uma maior autonomia em termos de segurança e soberania alimentar” explica Simone Azambuja, coordenadora do projeto. Simone é bióloga e mestre em desenvolvimento rural e estará na FAE distribuindo as sementes.

 Preparar a terra

 O ambientalista José Lutzenberger, que trabalhou por muitos anos na Basf, empresa de adubos químicos e venenos agrícolas, pediu demissão no início da década de 1970 e voltou ao Brasil para defender a agricultura tradicional, contrapondo-se à Revolução Verde. Ao realizar palestras pelo território gaúcho, estimulou centenas de agricultores a voltarem ao sistema de produção ensinado por seus pais e avós. Entre aqueles, alguns tornaram-se produtores da FAE.

 Em 1987, Lutz criou a Fundação Gaia e na sua sede rural, o Rincão Gaia, colocou em prática suas teorias a respeito de um sistema produtivo equilibrado que respeite as leis e características dos processos naturais. Presente na FAE neste sábado, a Fundação Gaia irá distribuir uma “receita” para um solo saudável e um alerta sobre o uso dos venenos. A ONG estará localizada em frente à Banca do Meio.

 Menos plástico

 Os interessados em receber as sementes de milhos ou hortaliças precisam poupar os feirantes da distribuição de sacolinhas brancas. Ao comprar na banca trazendo sua sacola de casa, a pessoa deve pedir o seu cupom . Este dá direito a receber as sementes e também, a participar do sorteio de vale-compras que podem ser trocados por produtos escolhidos na primeira quadra da José Bonifácio, onde acontece a FAE. A urna dos sorteios fica na Banca do Meio, ao lado da Banca das Sementes e do caldo-de-cana.

 Para degustar os sucos das frutinhas da floresta, os frequentadores da feira devem trazer as suas canecas, outra atitude saudável para melhorar a qualidade dos alimentos e diminuir a quantidade de copos plásticos descartados na natureza. Os sucos são oferecidos pela Família Bellé e degustados na Banca do InGá, ao lado da Via Sapiens. A ONG também promove um abaixo-assinado em prol “da coleta e do manejo sustentáveis, bem como do beneficiamento de frutas nativas”.

 A Feira dos Agricultores Ecologistas acontece na primeira quadra do canteiro central da avenida José Bonifácio, em Porto Alegre, aos sábados das 7 às 13h.


27 de maio de 2011

Inicia a VII Semana do Alimento Orgânico

       
                                              Por Cláudia Dreier – Feira dos Agricultores Ecologistas

José Lutzenberger foi um grande mestre da agricultura limpa de venenos e adubos químicos, atualmente divulgada como Agricultura Orgânica.

Neste sábado, 28 de maio, a Feira dos Agricultores Ecologistas tem atrações especiais para marcar a abertura da VII Semana do Alimento Orgânico realizada em nível nacional. Mostra de produtos crioulos, uma inédita Oficina de Composição de Solo e o lançamento da edição Outono 2011 da revista The Ecologist Brasil estão entre as atrações que se realizam junto à Banca do Meio.

Existindo há 22 anos, a FAE foi uma grande promotora da Agricultura Orgânica, recebendo visitantes de toda Região Sul que se inspiraram no seu modelo de produção e, a partir dele, organizaram feiras nas suas cidades de origem. Atualmente, em âmbito mundial, o Sul do Brasil é a região que mais produz alimentos orgânicos destinados ao consumo local

Agricultura Orgânica.

A base para uma planta saudável produzir bem, dispensando venenos e adubos químicos, é um solo rico e equilibrado. E como produzir esse substrato que garante a saúde dos alimentos?

Vilson Stefanoski, produtor de Cerro Grande do Sul, realiza uma Oficina de Composição de Solo para mostrar os ingredientes utilizados no preparo da terra. “Além de contar com os recursos disponíveis no local, é fundamental conhecer bem a paisagem para saber como melhor manejá-la”, explica Vilson.

Localizada no Escudo Sulriograndense, a propriedade do agricultor possui mata ciliar primária, mata de encosta e de topo. As estufas ficam ao lado das árvores antigas, próximas à bacia de inundação do riacho. Este serve como criadouro da azola, uma planta aquática que só existe em águas limpas, que é também utilizada como um dos componentes do solo.

Outro ingrediente vem da serragem que repousa junto à mata de topo e, assim, pode ser trabalhada pelos fungos que ali vivem. No preparo da horta ainda é utilizado o pó de rocha e o próprio chão do local. As quantidades de cada um e funções dos componentes do solo serão demonstradas na Oficina que acontece em dois momentos, às 9h e às 11h30min, junto à Banca do Meio.

Produtos Crioulos

Resultado da concentração nas mãos de grandes empresas químicas, as fábricas de sementes têm oferecido no mercado produtos híbridos e até transgênicos, dificultando a auto-reprodução das culturas. Os chamados produtos crioulos abrangem aqueles que o agricultor consegue reproduzir baseado nas colheitas das safras anteriores.

Para saber quais produtos ofertados na feira possuem essa característica, uma Mostra de Produtos Crioulos, cultivados a partir de sementes e mudas, será exibida na Banca do Meio. Entre os destaques estão os vários tipos de arroz, feijões, morangas, temperos verdes, chás, frutas, batatas e algumas verduras. Nestas destaca-se a alface caxias, cuja semente estava perdida e foi resgatada com um produtor do interior. Já as sementes da cenoura e da beterraba são muito difíceis de reproduzir devido à manipulação industrial que tornou a maioria delas híbridas.

Em frente à Mostra, na Banca do Seu Carneiro, acontece o lançamento da Revista The Ecologist Brasil – Outono de 2011. Nesta edição o grande destaque é dado às energias renováveis, especialmente à eólica, que aparece capa da publicação.

No próximo sábado, no encerramento da semana, a FAE sorteia e entrega vale-compras para quem trouxer sua sacola, dispensando os plásticos solicitados nas bancas. Uma banca especial irá distribuir sementes de hortaliças e a Banca da Fundação Gaia divulga material do Ecologista José Luzenberger sobre o perigo dos venenos utilizados na agricultura convencional.

A Feira dos Agricultores Ecologistas acontece aos sábados de manhã, das 7 às 13h, no canteiro central da primeira quadra da avenida José Bonifácio, em Porto Alegre.


16 de maio de 2011

O novo código florestal: um tiro no pé
                                                                                                                                           Por Paulo Backes exclusivo para a Fundação Gaia

Paulo Backes argumenta sobre a falta de sustentabilidade do sistema de produção hegemônico que insiste na aprovação, em regime de urgência, do novo código florestal. Backes é agrônomo, fotógrafo, paisagista e consultor da Fundação Gaia.

 O modelo agrícola mundial é, na maioria dos casos, o que há de menos sustentável nesse planeta. Por quê? Porque para produzir gasta muita energia: desde a fabricação do adubo, seu transporte e sua distribuição na lavoura; em seguida, mais energia para lavrar, gradear, pulverizar, colher, etc etc. Depois, mais energia para transportar e vender para o consumidor.

 Isso tudo em escala global. No caso brasileiro da soja, por exemplo, o adubo pode vir dos quatro cantos do planeta e o grão voltar para esses mesmos quatro cantos. Pior ainda se esse grão virar combustível (biodiesel), como acontece com o milho nos EUA. Quanto de energia foi gasto para produzir essa energia falsamente verde?  

Além disso, para produzir, destrói paisagens naturais fundamentais para que o planeta consiga amenizar o aquecimento global.  Os ecossistemas naturais são um dos mecanismos mais importantes que o planeta dispõe para sua regulagem climática. E dentre estes, a floresta é um dos mais efetivos.

 Ao querer alterar o código, o agronegócio quer avançar sobre os ecossistemas naturais restantes para produzir energia e alimentos, mas destruindo um dos poucos remédios que o planeta possui.E o que é pior, gastar praticamente a mesma quantidade de energia que produz nessas lavouras as quais são movidas a petróleo. 

 Isso tudo para enfatizar que essa discussão do novo código tem a ver com o aquecimento global e regulagem climática, tanto na escala global, quanto na local, pois quanto menos florestas tivermos na nossa volta, mais duro vai ser enfrentar o nosso "forno alegre". 

Usar a agricultura para satisfazer nossa orgia energética é um gigantesco erro estratégico, é um tiro no pé!

  

14 de maio de 2011
José Lutzenberger homenageado na Feira Ecológica
                                       
Por Cláudia Dreier – Feira dos Agricultores Ecologistas

Os agricultores que receberam os ensinamentos de Lutzenberger homenageiam o grande defensor da agricultura regenerativa atualmente popularizada como orgânica ou ecológica.

 No dia em que se completa nove anos de partida, 14 de maio, o ambientalista José Lutzenberger é homenageado na Feira dos Agricultores Ecologistas, FAE. Assíduo frequentador da feira localizada próxima a sua casa, no Bairro Santana em Porto Alegre, o ecologista foi um grande defensor e propagador de cultivos livres de venenos e adubos químicos. 

 Lutz percorreu vários locais do Rio Grande do Sul durante a década de 1970 para divulgar a importância da agricultura regenerativa, atualmente popularizada como orgânica ou ecológica. "Até hoje lembro das palavras dele, quando foi à nossa região, recomendando que voltássemos às práticas agrícolas que nossos pais e avós faziam" comenta Aldacir Menoncin Bellé, produtora do município de Antônio Prado. 

Oficina de cactos e suculentas, informações do ambientalista sobe energia nuclear e as atividades da Fundação Gaia estão entre as atrações programadas na FAE para este sábado. As homenagens acontecem na Banca do Meio, ao lado do caldo-de-cana, localizada no canteiro central da avenida José Bonifácio em Porto Alegre. 

Cactos e suculentas

Atento observador da natureza, Lutzenberger tinha um grande fascínio pelas cactáceas e suculentas, plantas rústicas que apresentam flores surpreendentes. "Os cactos têm aparência agressiva e são capazes de sobreviver nos ambientes mais inóspitos e áridos. Além desta inacreditável capacidade de adaptação, de tempos em tempos, explodem em uma floração de beleza surpreendente", comenta Fernando Bergamin. 

Formado em agronomia, Bergamin conheceu o ambientalista em 1985, quando ainda estava na faculdade, e três anos depois foi trabalhar para ele na empresa Vida. O encantamento pelas plantas rústicas contagiou o jovem agrônomo que desenvolveu uma coleção particular, cujas mudas encontram-se expostas na banca do Sítio Nahyr e podem ser adquiridas por apreciadores dessas espécies. 

Qual a diferença entre um cactos e uma suculenta? Além da responder a esta dúvida, às 10h, Bergamin ensina formas de semeadura e transplante, mostra os substratos mais adequados, as técnicas e os cuidados necessários para cultivar essas plantas peculiares. As atividades fazem parte de uma oficina gratuita oferecida aos frequentadores da feira e trazem à atualidade o conhecimento deixado por Lutzenberger. 

Legado Lutzenberger  

A agricultura regenerativa estava entre as tecnologias brandas defendidas pelo ambientalista que antes dos desastres acontecerem, já alertava para os perigos e consequências catastróficas do uso da energia nuclear. Tocada pela tragédia ocorrida no Japão, Lilly Lutzenberger resumiu três artigos Os Perigos da Poluição Nuclear, Os Custos Ambientais do Uso ‘Pacífico’ da Energia Nuclear Aprendiz de Feiticeiro escritos por seu pai que esclarecem como ocorre a geração de tal energia e suas consequências irrecuperáveis. 

Na Banca do Meio, os frequentadores da feira poderão consultar esse resumo que alerta sobre os perigos da energia nuclear. Alguns parágrafos do mesmo serão ampliados em pequenos cartazes para destacar tópicos fundamentais. "Quando mexemos com o átomo, mexemos com mecanismos básicos da estrutura do Universo. Podemos produzir plutônio, podemos até consumi-lo no reator, mas jamais conseguiremos recuperar o plutônio disperso no ambiente, da mesma forma que jamais conseguiremos eliminar a radiação dos elementos radioativos ou alterar sua meia vida.” O link do texto completo, que se encontra na página da Fundação Gaia, entidade criada pelo ambientalista, também será disponibilizado aos interessados, www.fgaia.org.br/texts/ENERGIANUCLEAR%20.pdf

Informações sobre as atividades da Fundação Gaia e imagens do Rincão, sede rural localizada em Pantano Grande, também podem ser apreciadas na Banca do Meio. Os livros do autor, que juntamente com os artigos, mostram como suas idéias continuam atuais e pertinentes, são encontrados na Via Sapiens, localizada ao lado da Banca do Arroz.

A Feira dos Agricultores Ecologistas acontece todos os sábados, das 7 às 13h, no canteiro central da primeira quadra da avenida José Bonifácio, junto à Osvaldo Aranha, em Porto Alegre.


15 de abril de 2011

Feira Ecológica participa de campanha mundial em prol das sementes crioulas

Por Cláudia Dreier – Feira dos Agricultores Ecologistas

Neste sábado, 16 de abril, a Feira dos Agricultores Ecologistas participa de um movimento mundial em prol das sementes crioulas. A petição assinada na feira em Porto Alegre, será remetida ainda no sábado a Portugal para ser enviada a Bruxelas.

Neste sábado, 16 de abril, a Feira dos Agricultores Ecologistas participa de um movimento mundial em prol das sementes crioulas. A Banca do Meio disponibiliza o endereço de uma petição eletrônica e também folhas impressas para quem quiser assinar manifestando-se à favor da liberdade de circulação das sementes e das variedades agrícolas.

Militantes de vários países encontram-se, neste domingo e segunda-feira, 17 e 18 de abril, em Bruxelas na Holanda para manifestar sua opinião em prol das sementes questionando a "Lei das Sementes" a ser proposta em 2011 pela Comissão Europeia. A petição assinada na feira em Porto Alegre, será remetida ainda no sábado a Portugal para ser enviada à Bruxelas.

Os que puderem assinar em meio eletrônico podem acessar o link http://gaia.org.pt/civicrm/petition/sign?sid=1&lcMessages=pt_PT e após o preenchimento e envio é preciso confirmar a assinatura através de um e-mail recebido no endereço eletrônico de quem participou da petição.

Na página da campanha, http://www.seed-sovereignty.org/PT/index.html que possui tradução inclusive para o português, existem documentos que justificam a proposta. Em seguida é feita a transcrição de alguns parágrafos.

Ocorrendo normalmente também no feriado da Páscoa, a Feira dos Agricultores Ecologistas acontece aos sábados, das 7h às 13h, na primeira quadra da avenida José Bonifácio, próximo à Osvaldo Aranha, em Porto Alegre, RS.

Briefing da campanha              ___________________

As novas regras, a serem aprovadas, terão força de lei e sobrepor-se-ão às leis nacionais de cada Estado-Membro da União Européia, podendo vir a limitar drasticamente a livre circulação de sementes, impedir os agricultores de guardar sementes e ilegalizar todas as variedades de plantas não homologadas pelas empresas. Nestas incluem-se muitos milhares de variedades tradicionais, a herança genética vegetal da Europa.

Com esta nova lei, a Comissão Europeia pretende satisfazer as exigências da indústria de sementes, que nas últimas décadas assumiu os contornos de um oligopólio, com dez empresas – gigantes da agroquímica – a controlar atualmente mais da metade do mercado mundial das sementes comerciais e a quase totalidade do mercado das sementes transgénicas. A indústria de sementes considera que a prática de guardar sementes e a produção de variedades não registadas constituem concorrência 'desleal'.

Ao eliminar esta concorrência, com o pretexto de criar um mercado 'justo' e de proteger a saúde pública, as grandes empresas de sementes podem começar a cobrar direitos aos cerca de 75% de agricultores de todo o mundo que ainda continuam a guardar e utilizar as suas próprias sementes. Esta privatização de fato das sementes, que são um bem comum criado pela ação humana ao longo de milénios, e que não tem conhecido fronteiras, constitui uma ameaça ao património fitogenético da humanidade, à segurança alimentar e à saúde dos ecossistemas cultivados.

Durante milhares de anos agricultores pelo mundo fora têm contribuído para a adaptação e melhoramento das plantas para produzir os nossos alimentos, tecidos e medicamentos. A produtividade e resistência destas plantas estão intimamente ligadas à sua diversidade. Mais diversidade significa maior probabilidade de salvar colheitas de alterações climáticas, intempéries ou pragas.

No entanto, nas últimas décadas, a sabedoria do agricultor qudiversificaca os seus cultivos e adapta pacientemente as variedades às diferentes condições de solo e de clima, foi abandonada em prol de uma agricultura industrial de grande escala, favorecendo as monoculturas de um número limitado de variedades e o uso intensivo de agroquímicos para forçar a produtividade e resistência das plantas.

Segundo dados da FAO, a comida que a maioria dos ocidentais coloca hoje no prato provém de apenas 12 espécies de plantas e 5 espécies de animais, quando existem entre 10.000 a 50.000 espécies comestíveis. Arroz, trigo e milho constituem 60% da alimentação humana vegetal. Por consequência, no último século, perdemos a nível mundial cerca de 75% da biodiversidade agrícola à medida que os agricultores abandonavam as múltiplas variedades locais a favor de variedades muito produtivas mas geneticamente uniformes.

Com a crescente resistência dos consumidores e agricultores à adoção de transgêncios, os gigantes do agronegócio procuraram uma via para entrar no mercado convencional. A subsequente concentração no mercado das sementes colocou, como já foi mencionado, mais de metade das sementes comerciais convencionais nas mãos das mesmas empresas que controlam os OGM, os agroquímicos e a biotecnologia. O que lhes resta agora, é encontrar maneira de cobrar direitos aos agricultores que ainda guardam e reproduzem as suas sementes. E a Comissão Europeia está prestes a oferecer-lhes as ferramentas para concretizar este desejo. Com a Europa a bordo, o resto do mundo não terá outra hipótese senão aderir à lógica da industrialização e privatização da agricultura e submeter-se à hegemonia das multinacionais do agronegócio 

17 de março de 2011
À sombra da catástrofe nuclear

Por David Case, do Global Post (Envolverde/Outras Palavras)

O desastre nuclear em Fukushima, Japão, continua a se agravar. Múltiplas explosões fizeram saltar os tetos e paredes externas de reatores da usina e uma luta heróica está em curso, para prever o pior. Durante vários dias, as autoridades tentaram tranquilizar o público. Agora, pedem ajuda.

Para obter respostas independentes sobre os riscos enfrentados pela população, o Global Post entrevistou Arnold Gundersen, de 39 anos, ex-veterano da indústria nuclear. Hoje professor de Física e Matemática em Kent (veja sua história), Gundersen trabalhou como operador de usina nuclear e atuou como especialista na investigação do incidente de Three Mile Island, nos EUA.

Autoridades japonesas afirmam que a possibilidade de uma emissão de radiatividade em larga escala é pequena. Você concorda?

Arnold: Temo que a possibilidade seja de 50%, o que não considero “pequeno”.

Qual a base do seu cálculo?

Arnold: Há diversas razões. Temos três reatores envolvidos. Além disso, a radiação já está sendo captada por aviões a 150 quilômetros de distância e na cidade. Se for cada vez mais difícil controlar estas instalações, as tentativas de conter a contaminação irão falhar. Isso resultaria no lançamento rápido de enormes doses de radiação.

O New York Times relata que as emissões radiativas poderiam durar semanas ou meses. Que preocupação isto causa? Em que momento um reator no estado dos de Fukushima torna-se menos perigoso?

Arnold: A reação em cadeia foi interrompida. Ela durou dois segundos. Mas os isótopos radiativas ainda estão se desintegrando. O processo durará pelo menos um ano. Por isso, é preciso reduzir em muito a pressão dos reatores, a cada dia. Isso exige liberar isótopos radiativos, também.

O New York Times está certo quando afirma que cada reator – três dos quatro da usina – precisará abrir válvulas todos os dias para garantir a queda de pressão. E haverá radiações destas instalações por pelo menos um ano.

Quais as ameaças para as saúde?

Arnold: Em 90 dias, os riscos causados pela iodina radiativa desaparecerão, porque ela se desintegrará. Mas os isótopos mais nocivos – césio e estrôncio – durarão 30 anos. E são voláteis.

No acidente de Three Mile Island, estrôncio foi detectado a 220 quilômetros do reator. Termina no leite das vacas e não desaparece por 300 anos. As emissões dos reatores japoneses vão durar um ano e conterão elementos que permanecerão na natureza por três séculos, no melhor dos casos. Se houver uma explosão, será muito pior.

O grande risco num acidente nuclear é que o calor torne-se intenso a ponto de romper a blindagem de aço, lançando enormes doses de radiação. Você diz que este risco é, atualmente, de 50%. Quais seriam as consequências, se o pior ocorresse?

Arnold: De alguma forma, as blindagens já se romperam. Iodina radiativa e césio foram encontrados na natureza, porque o primeiro reator explodiu. Sua presença na atmosfera é uma indicação clara da ruptura.

O vazamento é de 1% dos isótopos radiativos gerados, por dia? Provavelmente. Nestas condições, ele afetará as cidades a um raio de 3 quilômetros. Acho que ninguém poderá voltar a elas em cinco anos. Num raio maior, de 20 quilômetros, acredito que o isolamento tenha de chegar a seis meses. Tudo isso na melhor hipótese, a de que se evite um derretimento. Se ele ocorrer, não poderá haver ninguém, num raio de 30 quilômetros, por dez ou quinze anos.

Por que o isolamento?

Arnold: Nas regiões contaminadas, haverá alta incidência de câncer. As águas subterrâneas serão atingidas. Com um derretimento, tudo, a quilômetros de distância do reator, será contaminado.

Qual seria a rapidez da contaminação da água?

Arnold: Em Chernobyl houve um derretimento e a faixa de águas subterrâneas contaminadas está aos poucos expandindo-se até Kiev, uma cidade muito grande distante cerca de 130 quilômetros. Não é algo fácil de mitigar.

É um problema grave num país como o Japão, muito populoso e com área relativamente reduzida.

Arnold: Claro.

Você afirma que a blindagem já foi afetada, ao contrário do que dizem as autoridades japonesas. Como você pode saber que está certo?

Arnold: Há iodina radiativa e césio no ambiente. É uma indicação de que os reatores estão vazando. Exatamente quanto, é difícil dizer. Não posso entender como estas autoridades podem dizer que as emissões são baixas, sem ter os instrumentos operando. É muito difícil determinar os níveis de radiação e de pressão.

O Japão e sua indústria nuclear fizeram investimentos muito pesados em energia nuclear. Também depois de Three Mile Island e de Chernobyl, afirmou-se que não haveria problemas, até que eles apareceram. Por isso, não acredito muito em pronunciamentos oficiais na primeira semana de um acidente.

Significa que as pessoas com acesso a informação têm interesses em tornar as informações tão tranquilizadoras quanto possível?

Arnold: Sim, além disso de as autoridades buscarem evitar o pânico. Há o interesse financeiro de longo prazo em minimizar o impacto. Perde-se transparência, no processo de construção da informação. Estamos todos lidando com informações de segunda mão.

Ouvi de uma fonte que o segundo reator não pode ser ventilado, porque o ventilador quebrou. Não sei se é verdade ou não. Goste de ter ao menos duas fontes. Mas o acidente ainda não terminou. E ele pode agravar-se, antes de começar a se dissipar.

Se o sistema de ventilação estiver quebrado, a pressão continuará subindo, até que algo catastrófico ocorra?

Arnold: Neste caso, sim.

Tivemos explosões em dois dos prédios onde os reatores estão instalados. Você operou reatores nucleares. Num caso como este, as salas de controle seriam afetadas pelas explosões? E como é possível continuar controlando os reatores, em tais circunstâncias?

Arnold: Sim, as salas de controle estão quase totalmente inabitáveis. Os operadores devem estar usando cilindros de oxigênio, para não respirar ar contaminado depois que a ventilação falhou. A sala de controle fica muito próxima aos reatores, provavelmente a uns 60 metros. Duvido que seja possível fazer muita coisa por lá. Estão contaminadas, seu ar não pode ser respirado. E é muito difícil fazer algo usando um cilindro de oxigênio e roupas parecidas com uma bolha.

Nesse caso, como se reduz a pressão? Os técnicos estariam sendo enviados ao reator, para realizar tarefas manualmente?

Arnold: Podem mandar gente para abrir manualmente uma válvula. Mais tarde, esta pessoa terá de voltar para fechá-la, também com as mãos. Num terreno de radiação intensa, é possível fazer poucas viagens antes de se expor aos limites máximos de radiação. Os trabalhadores recebem doses muito grandes, em curtos períodos. Não se pode expô-los a muitas tarefas, para não liquidar sua saúde. É um trabalho altamente especializado.

As doses a que os trabalhadores estão sendo submetidos os afetarão?

Arnold: Os riscos de desenvolverem câncer aumentará dramaticamente porque, de qualquer forma, as doses diárias que recebem superam as que se pode sofrer num ano. Para cada 250 rem recebidos, haverá um câncer. É um dado muito bem estabelecido. Entre um grupo submetido a 2,5 rem, haverá um câncer para cada cem pessoas.

A esta altura, Tóquio está a salvo?

Arnold: O vento dilui e espalha a radiação. Tóquio está distante. Mas a Alemanha também não fica perto de Chernobyl, e o solo em algumas partes da Alemanha foi tão contaminado que ainda se proóbe a caça de javalis, 25 anos depois.

Ressalto que, no caso japonês, não temos medidas acuradas. Um avião cargueiro norte-americano passou a 160 quilômetros do acidente, e a tripulação recebeu, em uma hora, a dose de radiação que normalmente receberia em um mês.

A radiação pode chegar aos Estados Unidos?

Arnold: Ela certamente chegará. Chernobyl chegou aos Estados Unidos. A questão é: quanta radiação? Não há dados para prever.

Há riscos de contaminação dos alimentos?

Arnold: No Japão, certamente.

Tradução: Antonio Martins

*Publicado originalmente no site Outras Palavras - http://www.outraspalavras.net/2011/03/15/a-sombra-da-catastrofe-nuclear/

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

04 de março de 2011
Ciclistas fazem manifestação em Porto Alegre por convivência e respeito

Por Adriane Bertoglio Rodrigues da EcoAgência 

Mais de duas mil pessoas pedem ciclovias e justiça no caso do atropelamento de ciclistas. Manifestações de apoio acontecem em várias cidades do Brasil e de outros países. Prefeitura confirma reunião com ciclistas para o dia 10 de março.

Do bebê de colo ao aposentado. Nesta terça-feira, 1º de março, mais de duas mil pessoas de todas as idades participaram da manifestação dos ciclistas de Porto Alegre contra o atropelamento da última sexta-feira (25) e percorreram cinco quilômetros, do Largo Zumbi dos Palmares à Prefeitura, onde foram recebidos pelo secretário de Governança, Cezar Busato. Das 18h30 às 21h, palavras de ordem pedindo "Justiça", e coros entoando "menos carro, mais amor, o povo quer ciclovia e metrô", "paz e amor, menos motor", e "uma bicicleta, um carro a menos", ecoaram pelas ruas José do Patrocínio, cruzando a Lopo Gonçalves, Lima e Silva, Fernando Machado e Borges de Medeiros. Durante o percurso até a Prefeitura, várias manifestações. Ataduras, folhes brancas e cartazes simbolizavam sofrimento e paz. Vereadores, artistas, empresários e estudantes defendem a convivência pacífica de pedestres, ciclistas e motoristas.

"Temos que viver e conviver bem, porque a cidade é de todos nós", disse o secretário Busato, ao apoiar a criação de um Grupo de Trabalho entre representantes da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) e dos movimentos de ciclistas. A decisão foi acompanhada pela presidenta da Câmara Municipal, vereadora Sofia Cavedon (PT). Para ela, como regime de urgência, a Prefeitura deve pintar ciclofaixas, já previstas no Plano Cicloviário de Porto Alegre. "Definir um espaço compartilhado e seguro pode começar a chamar a atenção dos motoristas e do próprio ciclista. As pessoas precisam ser sensibilizadas", diz Sofia, ao anunciar que o pedido de medidas emergenciais será encaminhado ao prefeito nos próximos dias.

Para o também vereador Beto Moesch (PP), o atropelamento é uma das consequências da falta de ciclovias, de bicicletários e de educação no trânsito. "Se tivéssemos segurança, não teria acontecido, assim como essa manifestação mostra o quanto a cidade quer e precisa de ciclovias", diz Moesch. Para ele, a audiência pública prevista para o dia 7 de abril, na Câmara Municipal, deve acelerar o processo de implantação da ciclovia de quase 500 quilômetros, prevista no Plano Cicloviário de Porto Alegre. De acordo com o Plano, as ciclovias devem ser implantadas até 2025. "É muito tempo para uma cidade que tem 700 mil veículos, um carro para cada dois habitantes", critica Moesch.

Valores

Jovens, estudantes e professores percorreram a manifestação, que também foi acompanhada por representantes do Vida Urgente, que há 15 anos defende a vida no trânsito. "Nosso trabalho voluntário prega o valor da vida. Precisamos dar mais valor à vida", defende Ananda Paradeda, estudante e atriz, que lamenta "a covardia enorme que aconteceu".

"Vivemos esse risco todo dia", salienta Fábio Tentardini, professor de Educação Física e skatista, ao observar que "o que vale é a lei do mais forte". Mesmo assim, aconselha as pessoas a não se abalarem com o fato do atropelamento. "Andem nas calçadas, mas não deixem de utilizar a bicicleta e o skate", sugere.

De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, o ciclista não pode andar nas calçadas. "No trânsito, os motoristas buzinam pra assustar e, nos parques, as pessoas se queixam de dividir o espaço. Onde pedalar?", pergunta Marina Maia, que participa de pedaladas desde o final do ano passado e usa a bicicleta como meio de transporte para ir ao trabalho. Exemplo similar ao de Alexandre de Tomazewsky, professor de História, conhecido como Fariseu. "Rasguei minha carteira de motorista há 10 anos e vou pedalando ou caminhando até cada uma das cinco escolas onde trabalho", diz.

Pressão

Na calçada da Rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, a moradora Maria de Lourdes Pereira acompanha o vai-e-vem dos helicópteros da imprensa e a passagem dos manifestantes. "A manifestação tá bem legal. Não esperava tanta gente. Acredito que esse movimento pressione as autoridades a construírem ciclovias", diz, ao considerar uma estupidez o incidente da última sexta-feira.

Para o cartunista Santiago, morador da Cidade Baixa, "há males que vêm para o bem". Ele explica que o debate sobre o trânsito há muito tempo tinha que estar na mídia, "tremendamente comprometida com as montadoras", denuncia. Sua opinião é defendida por Denis Beauchamp, canadense e autor do livro A Casa Limpa da Faxineira Ecológica. Para ele, o carro é a ponta do iceberg do trânsito em Porto Alegre. "Vemos todos os dias a fragilidade do ciclista, cuja vida é colocada em risco", diz, ao contar que a primeira vez que usou bicicleta em Porto Alegre, há quatro meses, foi atropelado por um caminhão, e o outro, que vinha logo atrás, passou por cima de seu meio de transporte. "Quem pedala aqui é corajoso", afirma. Denis salienta que a força popular e política da manifestação não vai permitir que a prefeitura permaneça escondida e calada. "Já que o Executivo defende a realização do Fórum Social Mundial, o mínimo que pode fazer é oferecer ciclovia. Não tem porque não ter ciclovias aqui. Agora é a hora".

Força popular

A grande manifestação surpreendeu a funcionária pública Andrea Luçardo, que diz usar a bicicleta o máximo possível e que até hoje não sofreu nenhum incidente. Para ela, o trânsito é sempre uma loucura, seja de bicicleta, de carro ou a pé. Com 10 anos, a estudante da 5ª série Jordana Espinosa diz não ter medo de pedalar, hábito quase diário que mantém com a mãe. Para ela, a manifestação pode alertar os motoristas para que respeitem os ciclistas e que não avancem os sinais. "Isso até ajuda o meio ambiente", completa.

Além de diversão, saúde e não poluição, a bicicleta é uma alternativa para o trânsito, mas é vista principalmente como uma prática esportiva. O comentário é da artista plástica Vera Vignatti, que pedala há seis anos com o grupo Raia Sul e diz não ter coragem de sair sozinha. "Em grupo é mais seguro, mas o que falta é o poder público investir mais em ciclovias".

O poder das mídias sociais

A participação de mais de dois mil simpatizantes e apoiadores dos ciclistas impressionou muitas pessoas, mas já era esperada por Ricardo Onofrio, integrante do Massa Crítica. "Os movimentos sociais têm se propagado pela internet. Há cinco anos, não teríamos câmeras nem celulares com ferramentas capazes de gravar e disseminar essas imagens. Hoje tudo é documentado e provado, e as respostas são instantâneas", diz. Onofrio considera o atropelamento um ato hediondo. "Ele (Ricardo Neis) assumiu o risco quando atropelou nossos amigos", argumenta, ao destacar que "ele foi covarde, agredindo as pessoas pelas costas, por isso queremos justiça".

Logo após a manifestação, a juíza Rosane Michels decretou prisão preventiva a Ricardo Neis, a pedido da Polícia Civil, que enquadrou o atropelador por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Neis, bancário do Banco Central, foi internado no Hospital Parque Belém, em Porto Alegre. Na manhã desta quarta-feira (2), a Polícia cumpriu o mandado de prisão, e Neis foi transferido para o Instituto Psiquiátrico Forense, onde deve permanecer sob custódia da Polícia, com acompanhamento médico. O advogado de defesa, Jair Junko, antecipou que pedirá o habeas corpus do acusado, que já responde a processos por agressão física e por trafegar na contramão. Por ser funcionário do Banco Central, há inclusive possibilidade dele ser transferido para trabalhar em Recife (PE).

Quem? Onde?

O Massa Crítica é um movimento de ciclistas que defende o uso da bicicleta como meio de transporte saudável e ecológico para todos. Integrantes e simpatizantes se reúnem para pedalar todas as últimas sextas-feiras de cada mês, com saída às 18h30, do Largo Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre.

Na última sexta-feira (25), mais de cem ciclistas percorriam a Rua José do Patrocínio, quando foram atropelados pelo carro dirigido por Ricardo Neis. Nove pessoas foram levadas ao Hospital de Pronto Socorro da cidade. Todas foram liberadas sem ferimentos graves. O motorista fugiu do local sem prestar socorro. Várias manifestações de apoio acontecem em diversas cidades.

Nesta quarta-feira (2), haverá Bicicletada em solidariedade aos ciclistas de Porto Alegre no Rio de Janeiro, com saída às 18h da Cinelândia, em frente ao Cine Odeon. Também na quarta, em Curitiba, haverá pedalaço a partir das 18h no pátio da Reitoria da UFPR. Brasília também se prepara para realizar uma manifestação ciclística. Na última segunda-feira (28 de fevereiro), a Bicicletada de São Paulo movimentou a Avenida Paulista, com centenas de manifestantes.

Próximas pedaladas:

Nesta quinta-feira (3), às 19h, será oferecido aconselhamento jurídico gratuito para os participantes do Massa Crítica. O encontro será na Cidade da Bicicleta, na rua Marcílio Dias, 1091, bairro Menino Deus.

Em Buenos Aires também haverá apoio aos ciclistas de Porto Alegre. A solidariedade será prestada no dia 6, domingo, às 16h, junto ao Obelisco, na Praça da República.

No dia 10, quinta-feira próxima, a Prefeitura e os ciclistas se reúnem no auditório da EPTC, para programarem uma série de melhorias no trânsito, que deem mais segurança aos ciclistas, skatistas e motoristas.

No dia 15 de março, terça-feira, as Comissões de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos (Cedecondh) e a de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab) da Câmara de Porto Alegre farão reunião conjunta, com a presença dos integrantes do Massa Crítica e autoridades, para tratar do trânsito na capital gaúcha e dos recentes acontecimentos que envolveram o atropelamento de ciclistas.

No dia 7 de abril, a Câmara de Porto Alegre volta a tratar do tema, desta vez em audiência pública, às 19 horas, no Plenário Otávio Rocha do Legislativo.

Além disso, "para a última sexta-feira deste mês, dia 25, se o tempo estiver bom, a expectativa é de que a pedalada do Massa Crítica seja a melhor e maior da história", salienta Luís Macarini, integrante do movimento.

Mais informações em http://massacriticapoa.wordpress.com/

 

     04 de março de 2011
Seca amazônica de 2010 é a mais severa do século. Entrevista especial com Paulo Brando

 Por Redação IHU

A seca registrada na floresta amazônica no ano passado foi ainda mais devastadora do que a de 2005, considerada, até então, a mais agressiva dos últimos cem anos. Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Brando, responsável pelo estudo, dois ciclos climáticos causam secas na floresta: o El Niño e o aquecimento do Atlântico Norte.

Em entrevista à IHU On-Line, concedida por telefone, ele explica que a cada 30 anos, a Amazônia passa por ciclos de secas severas como as que aconteceram recentemente. O desafio, no entanto, é descobrir se as últimas secas fazem parte desse processo ou são ocasionadas em função das mudanças climáticas.

Surpreso com a intensidade das secas, Brando diz que ainda não é possível contabilizar os danos no ecossistema. “Não fomos a campo avaliar os impactos da seca de 2010, porque normalmente demora de um a dois anos para ocorrer a mortalidade de árvores. Com base nos impactos da seca de 2005, supomos que a última seca deve ter ocasionado uma mortalidade de árvores bastante acentuada na Amazônia, com a liberação de mais ou menos cinco bilhões de toneladas de CO2 nas próximas décadas”.

Paulo Brando é coordenador do projeto Savanização do Ipam.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A seca na Amazônia em 2010 é considerada a mais grave da região nos últimos cem anos. Qual foi a extensão dessa seca, como ela se manifestou?

Paulo Brando – Dois ciclos climáticos geram secas para a região amazônica: o El Niño e o aquecimento do Atlântico Norte. O El Niño, que é o aquecimento do Pacífico, normalmente tem ciclos de mais ou menos três a cinco anos. Assim, a seca de 1997 a 1998 e algumas anteriores a ela ocorreram por causa do El Niño.

A seca de 2010, como a de 2005, foi causada pelo aquecimento do Atlântico Norte, que trouxe ventos úmidos para a região amazônica. Em 2010, cerca de 57% da Amazônia teve uma precipitação mais baixa do que a média geral, contra 37% em 2005, que tinha sido considerada a pior seca do século.

IHU On-Line – O senhor afirmou que a seca de 2005 foi tida como um evento que acontece a cada cem anos, mas ocorreu outra pior cinco anos depois. Por que essa seca é ainda mais severa?


Paulo Brando – Ficamos surpresos com duas secas tão próximas em 2005 e 2010. Sabemos que elas foram causadas por causa do aquecimento do Atlântico Norte, mas ainda não sabemos dizer se isso é causado por mudanças climáticas ou não. A Amazônia normalmente passa por ciclos de seca que se repetem a cada 30 anos. Então, pode ser que a floresta está passando por este ciclo ou, do contrário, pode estar iniciando um processo de frequentes secas na região.

IHU On-Line – É possível fazer uma comparação entre as secas de 2005 e 2010? O que as diferenciam?

Paulo Brando – Esse é o principal ponto da nossa pesquisa: averiguar se as duas secas se comparam. Segundo a nossa análise, a seca de 2010 atingiu mais da metade da região amazônica, enquanto a de 2005, atingiu cerca de 37% do território. Além disso, a seca que poderia causar a mortalidade de árvores na área é muito maior em 2010 em relação a 2005. Ou seja, enquanto a seca de 2005 causou danos terríveis para diversos setores da economia e danos ecológicos na região do Acre, a seca de 2010 atingiu mais da metade do Mato Grosso.

IHU On-Line – Como o senhor descreve a produtividade das florestas da Amazônia, hoje, depois do registro das secas?

Paulo Brando – Em 2005, a floresta liberou muito mais carbono em relação aos outros anos. Na década de 1980, 1990, até 2004, a floresta estava capturando em torno de 1,5 toneladas de CO2. Em 2004 e 2005, houve uma reversão desse processo.

Ainda não fomos a campo avaliar os impactos da seca de 2010, porque normalmente demora de um a dois anos para ocorrer a mortalidade de árvores. Com base nos impactos da seca de 2005, supomos que a última seca deve ter ocasionado uma mortalidade de árvores bastante acentuada na Amazônia, com a liberação de mais ou menos cinco bilhões de toneladas de CO2 nas próximas décadas. Esse é um número significativo e pode contribuir para a elevação do aquecimento global.

IHU On-Line – As florestas da Amazônia estão reduzindo a capacidade de ciclar e armazenar carbono?

Paulo Brando – Diria que não é uma tendência. Entretanto, um estudo recente mostrou que duas secas severas podem reverter o processo de absorção de carbono para um processo de liberação de carbono das florestas. Ainda não sabemos como esse processo vai afetar o clima nos próximos dez, vinte anos.

Pode ser que daqui dez anos essas florestas absorvam mais carbonos do que o que elas liberaram durante a seca de 2010. De qualquer modo, se essas secas se tornarem frequentes, isso provavelmente não irá ocorrer. Nossa principal preocupação é de que as secas frequentes estejam relacionadas às mudanças climáticas.

IHU On-Line – O senhor pode explicar qual é a relação da seca com a emissão de CO2?

Paulo Brando – Parte significativa dos estudos mostra que, provavelmente, o El Niño irá ocorrer com mais frequência e, em função disso, aumentarão as secas. Vários estudos mostram também que, provavelmente, haverá um aumento na frequência do aquecimento do Atlântico Norte, o que implica também em mais seca para a região amazônica.

Eu não faço a modelagem climática, então, também estou tentando entender o impacto da seca sobre a dinâmica das florestas da Amazônia. Segundo a literatura, com o aumento de CO2 na atmosfera, há uma diminuição de precipitação em partes da Amazônia, principalmente no sudeste e na região leste. Conforme aumenta a quantidade de CO2 na atmosfera, há uma redução das chuvas. A questão é saber como as florestas que estão no limite da seca irão responder a um clima mais seco. 

IHU On-Line - Caso eventos dessa envergadura se repitam regularmente, quais são os riscos para a floresta amazônica?

Paulo Brando – Pode haver um aumento na configuração de CO2 na atmosfera devido à mortandade das árvores. Além disso, várias florestas da Amazônia que, normalmente, são resistentes a incêndios florestais podem ficar mais vulneráveis a queimadas.

IHU On-Line – Há alternativas para se mitigar ou prevenir o fenômeno dessas secas?


Paulo Brando – Para reduzir a frequência e a incidência das secas é preciso um esforço global de redução da quantidade de carbono na atmosfera. Mas, no caso do Brasil, as secas também têm relação com os incêndios florestais na Amazônia. Esses incêndios dependem muito do manejo da paisagem.

IHU On-Line - Que medidas o Brasil deve tomar diante deste novo estudo acerca da seca na Amazônia?

Paulo Brando – Essa é uma questão que vai além do nosso trabalho. Nós mostramos as consequências e o efeito da seca para reciclagem do carbono. Cabe ao governo investir em políticas públicas.

IHU On-Line - Resumindo, qual o diagnóstico do estudo em relação à saúde da floresta?

Paulo Brando – As florestas na Amazônia, principalmente as que sofrem secas sazonais, perderam árvores grandes, liberando uma quantidade excessiva de carbono para atmosfera. Além disso, a floresta está mais vulnerável a incêndios florestais. Ainda é cedo para relacionar as secas com qualquer mudança climática, então, o simples fato de mostrar que as secas estão acontecendo, já demonstra que é preciso dar atenção às florestas. 

 (Envolverde/IHU On-Line) 

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

      11 de Fevereiro de 2011
   

Kanti Devi discípula direta de Swami Vishnudevananda e diretora dos Centros Sivananda na América do Sul (Acharya), com mais de 40 anos de experiência no caminho do Yoga. Conhecida pelo seu carisma e devoção.

Durante estes quatro lindos dias de carnaval, estaremos submersos nas práticas de yoga e meditação. Entrando em paz consigo mesmo e com o entorno.
Em um lugar onde a tranqüilidade e o silêncio naturalmente nos levam a introspecção.
No meio de campos de trigo e linhaça, lagos naturais e eucaliptos se encontra o Rincão Gaia. Um lugar onde a natureza é respeitada.

Chegada dia 04/03 - Sexta
18h – recepção com uma comida leve
20h – meditação (Satsanga)
22h – Silêncio

Dia 05/03 - Sábado
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência – O caminho da Paz (Ahimsa)
16h Aula de Yoga
18h Jantar
20h Meditação (Satsanga) – Apresentação vídeo "Em nome da Paz" S. Vishnudevananda
22h Silêncio

Dia 06/03 – Domingo
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência – A saúde é a riqueza a paz mental a felicidade
16h aula de asanas
18h jantar
20h Meditação (Satsanga) - Fogueira
22h Silêncio

Dia 07/03 – segunda
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência – A força do Amor
16h Aula de Yoga
18h Jantar
20h Meditação (Satsanga) – Apresentação de Vídeo "Os Segredos da água" Dr. Emoto
22h Silêncio

Dia 08/03
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência - Perguntas e respostas
16h encerramento e lanche
16h30 Regresso

Local: Rincão Gaia (Pântano Grande – RS)
http://www.fgaia.org.br/rincao.html
Para maior informação de como chegar por favor contatar ao Centro Sivananda de Porto Alegre.
 

Investimento:
Até o dia 10/02/2011 Quartos – R$680,00 (alunos do Centro Sivananda R$640,00)
Dormitório – R$640,00 (alunos do Centro Sivananda R$600,00)

A partir de 11/02/2011 Quartos – 740,00 (alunos do Centro Sivananda R$700,00)
Dormitório – 700,00 (alunos do Centro 660,00)

Podendo parcelar em até 3x sem juros. (Pagando 50% na inscrição)

Inclui:
Hospedagem, duas refeições, um snack de frutas e todas as atividades.

O que levar:
Tapetinho para a prática, almofada para meditação, xale para a meditação da manhã, repelente de insetos, protetor solar, roupa de banho, tênis para caminhar, lanterna.

Inscrições:
Centro Sivananda de Yoga Vedanta
Rua Santo Antonio, 374
Porto Alegre, RS - BR
Cep: 90220-010
Tel. 55 (51) 30247717
portoalegre@sivananda.org
www.sivananda.org/portoalegre

 

08 de Janeiro de 2011

Temporada de verão no Rincão Gaia

 

O Lago das Estrelas foi a grande atração para o grupo de 25 visitantes que passou o reveillon no Rincão Gaia, localizado próximo a Pantano Grande. Além de desfrutar do belo e tranquilo cenário, o local possibilita passeios de barco, um amplo espaço para natação nas águas cristalinas, a prainha para os apreciadores de águas rasas e o deck para tomar sol.

 

 

 

Na época mais quente do ano, o Rincão recebe grupos com qualquer número de pessoas para atividades diárias junto à natureza. A partir de quatro visitantes existe também a possibilidade de pernoite na Casa Comunal feita com materiais e arquitetura que enfatizam as tecnologias brandas.
 

Para a opção visita guiada de um dia, com possibilidade de banho no Lago das Estrelas, é realizada uma caminhada orientada por um monitor local que mostra a história e a diversidade de ambientes do Rincão, estimulando a curiosidade e a interação com a natureza.

O investimento soma R$ 36,00 por pessoa com almoço completo e dois lanches. Caso seja oferecido apenas um lanche, o custo diminui para R$ 30,50. Grupos de escolas e universidades têm valores diferenciados.

Se houver interesse em estender o passeio para dois dias, os valores decrescem para grupos com maior número de participantes. No investimento total estão incluídos todas as refeições, as acomodações com roupas de cama e toalhas, trilhas e um guia para acompanhar as atividades.

 Dois dias para quatro ou cinco visitantes custa
R$ 149,50 por pessoa, o total muda para R$ 128,50 entre 6 e 9 pessoas, chegando a R$ 110,50 por pessoa para grupos com 10 ou mais integrantes. Neste caso crianças de seis a doze anos recebem vinte por cento de desconto.

Para confirmar a reserva o pagamento integral deve ser feito com antecedência mínima de 3 dias úteis, sendo a atividade passível de cancelamento ou transferência se for feita uma comunicação até 2 dias úteis antes da data de sua realização.

Informações completas podem ser obtidas pelos e-mails
reservas@fgaia.org.br ou comunicacao@fgaia.org.br e pelos telefones (51)97253685  (051)97253686.
As demais modalidades de visitação oferecidas pela Fundação Gaia podem ser conferidas no texto abaixo.
 
Modalidades de visitação ao Rincão Gaia
O Rincão Gaia, uma propriedade rural de 30 hectares, foi idealizado pelo ambientalista gaúcho José Lutzenberger, que desenvolveu um amplo trabalho de recuperação de uma área degradada pela exploração de basalto, tornando-a um local de beleza encantadora. Aqui homem e natureza são aliados na produção de alimentos, criação de animais e na preservação ambiental.
 
As atividades mostram a história e a diversidade dos ambientes do Rincão, estimulando tanto a curiosidade e a interação com a natureza, como a reflexão acerca dos desafios sócio-ambientais atuais e, também, a adoção de uma postura eco-cidadã de preservação da vida. 

Visita Guiada de um dia: Caminhada orientada por monitor local.
                                        Grupo máximo de 50 pessoas. 

Investimento
:
R$ 36,00/pessoa com almoço completo e dois lanches;
                      R$ 30,50/ pessoa com almoço e um lanche
 
## Preços promocionais para Escolas e Universidades

Formação Ambiental
: Atividades teóricas e vivenciais, que mudam mês a mês, aprofundando temas ambientais específicos, durante um dia ou mais. Destinada a professores, alunos e comunidade em geral, grupo mínimo de 10 pessoas e máximo de 50.
Investimento: R$ 45,00/dia /pessoa, para 1 dia incluindo refeições . Programação completa de cada mês no link www.fgaia.org.br/cursos/ea2010.html.

Hospedagem:
Pacote completo com alimentação e monitor. Grupo mínimo de 04 pessoas e máximo de 40.
Investimento para 2 dias: R$ 149,50/pessoa c/ 4 - 5 pessoas;
                                     R$ 128,50/pessoa com 6 – 9 pessoas;
                                     R$ 110,50/pessoa e desconto de 20% para crianças de 05 – 12 anos, a partir de 10 pessoas

Cursos diversos e Atividades de Ecolazer Educativo: Finais de semana e feriados temáticos, abertos ao público.
                                   Programação, valores e mapa disponíveis na homepage
www.fgaia.org.br.

Reservas: A confirmação da reserva se dá com a efetivação do pagamento integral com antecedência mínima de 3 dias úteis. A atividade é passível de cancelamento ou transferência até 2 dias úteis antes da data de sua realização.
Em caso de cancelamento, transferência ou ausência de última hora, a Fundação Gaia reterá / cobrará 30% do respectivo valor.

Dados bancários:

Banrisul – 041

Ag. 0752 – Pantano Grande

C/c 06.021.719 /01

Fundação Gaia – Sede Rural: Rincão Gaia – Pantano Grande – RS                                    Fone: 51 9725 3685 ou 9725 3686 – reservas@fgaia.org.br

 

08 de novembro de 2010
Projeto Escola Amiga do Ambiente completa 10 anos com evento na praça de Garopaba
 

No dia cinco de novembro, alunos e professores de 22 escolas de Garopaba e arredores mostraram seus trabalhos sobre meio ambiente realizados no decorrer do ano. A praça e a paróquia de Garopaba receberam estandes com apresentações artísticas, maquetes e oficinas. 

Tanto pela manhã como à tarde, jovens e adultos comemoraram junto com a comunidade e os visitantes os 10 anos do Projeto Escola Amiga do Ambiente – Mostra Professor José Lutzenberger.  O evento demonstra porque Garopaba é hoje um exemplo de cidade em busca da sustentabilidade.

Origens

O Projeto Escola Amiga do Ambiente – Mostra Prof. José Lutzenberger, carinhosamente chamada de Mostra Lutz, é o resultado de uma bem-sucedida parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de Garopaba, o Projeto Ambiental Gaia Village, a Fundação Gaia e várias organizações não-governamentais que resolveram apostar no sonho de Lutzenberger. O ecologista dizia que Gaia compara-se a uma linda sinfonia orgânica onde todos os seres são fundamentais para o equilíbrio.

O projeto começou no ano 2000, com a visita de Robina McCurdy, da Nova Zelândia, que mostrou para um grupo de 70 professores e merendeiras que eles poderiam transformar os pátios das escolas em um ambiente agradável e enriquecido com plantas e hortas. Aos ensinamentos de Robina foram sendo acrescentadas a experiência e a sabedoria de profissionais, técnicos e membros da comunidade. No ano seguinte, as escolas começaram a realizar seus próprios projetos para o então chamado Prêmio Lutz, que em 2007 transformou-se em Mostra Lutz.

Hoje Garopaba continua perseguindo o equilíbrio através de um trabalho diferenciado, que engloba, através da Mostra Lutz, todas as escolas da rede municipal e estadual, e três das quatro escolas particulares da região. São mais de 3.000 alunos e 180 professores envolvidos, sem contar familiares e amigos, que buscam aprender e ensinar ao mesmo tempo, em um processo onde o tema Meio Ambiente abrange várias disciplinas incluindo a prática da cidadania.

A 10ª edição da Mostra Lutz contou com a participação de instituições socioambientais locais e regionais. Entre elas, a APA Baleia Franca – ICM Bio; a Polícia Ambiental e o Grupo Protetores Ambientais Mirins; a AMA e o Projeto Pátios Escolares de Paulo Lopes; o SESC Cacupé, que trouxe sua tenda de jogos e brincadeiras; a Escola do Meio Ambiente de São José, o Instituto Baleia Franca, o Projeto Onda e sua proposta de mosaico em postes; o Instituto Ilhas do Brasil e a oficina sobre águas, e o Projeto Brasil Local, que propõe a Feira de Trocas Solidárias.

Como parte das comemorações dos 10 anos, está em fase de edição uma publicação que vai reunir os trabalhos realizados pelas escolas envolvidas, com dicas para professores e alunos sobre práticas que deram certo e que podem ser replicadas por outras escolas.

 

 Moeda ECCO

Em 2007, a Mostra Lutz instituiu uma moeda solidária chamada ECCO. Com ela, as escolas podem comprar, em um Empório, especialmente criado para o projeto, equipamentos doados pelo comércio local, livros, mudas de árvores, conhecimento na forma de palestras e oficinas com profissionais da comunidade que compartilharam seus diferentes saberes com crianças, jovens e professores.

Atualmente o Programa conta com substancial crescimento das parcerias e contribuições principalmente do setor comercial do município. Mediadora desse processo junto a seus associados, a Associação Comercial e Industrial de Garopaba (ACIG). Esta tem apoiado este Programa de Educação Ambiental motivando empresas a realizarem investimentos fundamentais e necessários à formação de uma sociedade que pensa soluções. A iniciativa tem ampliado, junto à próxima geração, a compreensão e o desenvolvimento das potencialidades de Garopaba.

Atitudes que mudam o cotidiano

Nos últimos anos, os temas ambientais trabalhados refletem uma maior conexão com as condições planetárias, como aquecimento global, efeito estufa, escassez de água, poluição, entre outras questões que oportunizam o debate ambiental crítico.

Os pátios das escolas de Garopaba tornaram-se espaços inovadores do processo de ensinar e aprender, assumindo um papel importante na vida de crianças e adolescentes e abrindo novas possibilidades na construção de saberes e valores.

Entre os temas mais trabalhados estão: alimentação saudável; hortas e espiral de ervas medicinais; compostagem; águas; reciclagem; consumo consciente; plantios urbanos e revitalização de áreas públicas.

Sistematicamente, as escolas fazem visitas guiadas aos tradicionais engenhos de farinha, a orquidários e a sítios de agricultura orgânica familiar. Também participam de palestras oferecidas pela Policia Ambiental e de oficinas de alimentação saudável e sucos naturais.

Projetos de escolas participantes

Hortinha do Vizinho - estimula e mobiliza a comunidade a manter hortas orgânicas no pátio da casa de alunos. Semanalmente as turmas preparam canteiros, fazem sementeiras, plantam, cuidam, usam repelentes naturais e fazem uma farta colheita de hortaliças que vão direto para a merenda escolar e também para a casa dos alunos.

Em Busca de uma Escola Sustentável - através da implantação de técnicas amigáveis, como tratamento de efluentes com zona de raízes, captação de água da chuva, casinha para guarda de recicláveis, horta e composteira, a comunidade escolar cria condições para uma escola mais sustentável.

Consumo consciente – busca incentivar o consumo responsável e o reaproveitamento de produtos. A escola estimula pais e alunos a fazer pré-ciclagem (evitar comprar produtos com muitas embalagens e preferir o refil) e busca sensibilizar supermercados locais para oportunizar prática da pré-ciclagem nos estabelecimentos. A escola faz também oficinas de confecção de ecobags (sacolas ecológicas) com as crianças e tem um ponto de coleta de pilhas, baterias e óleo de cozinha que deverá resultar na produção de sabão caseiro.

Adoção de área verde – a escola está empenhada junto com pais de alunos a revitalizar uma área próxima, que estava abandonada, plantando espécies nativas da Mata Atlântica e implantando brinquedos.

Instrumentos musicais a partir de sucata – professores e alunos transformam caixas de leite, tampinhas e palitos em brinquedos pedagógicos. Também constroem instrumentos musicais utilizando materiais recicláveis, ao mesmo tempo em que são estimulados a compreender diversos sons e ritmos.

Resgate da Cultura - compreender como viviam os antepassados, como ocupavam o território e dele tiravam os meios de subsistência pode contribuir para aumentar a percepção de que é possível desenvolver-se economicamente e consumir sem exaurir os recursos naturais. O trabalho dos alunos consiste em fazer pesquisas/entrevistas com os mais antigos da comunidade, resgatando saberes populares ligado à alimentação, aos meios de transporte, à saúde e à cultura.

Reciclagem - semanalmente, as famílias levam para a escola seus materiais recicláveis que são vendidos à Central de Triagem, resultando em renda para a Associação de Pais e Professores. Aprendem a separar o lixo brincando. Madeirites, pedaços de cano, garrafas pet transformam-se em jogos didáticos pedagógicos que orientam sobre os melhores hábitos de conduta. Brincadeiras clássicas também são recriadas a partir de sucatas: jogo da velha, perna de pau; pimbolim, entre outros, deixam o recreio divertido e informativo.

Entidades promotoras

A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE GAROPABA, órgão executivo municipal, tem apoiado anualmente iniciativas de promoção do meio ambiente desde 2001 com o objetivo de ampliar valores éticos e auxiliar na construção da cidadania.

A FUNDAÇÃO GAIA, com sede em Pantano Grande (RS), foi fundada em 1987 pelo ambientalista José Lutzenberger. Busca desenvolver e aplicar soluções ecologicamente desejáveis e socialmente justas, visando à preservação planetária em sua diversidade de ambientes e espécies. É referência em práticas sustentáveis para a consolidação de uma ética e cultura de integração harmônica homem-natureza, como pregava Lutzenberger.

O PROJETO GAIA VILLAGE, localizado no município de Garopaba (SC), tem como foco o desenvolvimento sustentável. Seu objetivo é criar um exemplo de ambiente amigável para a interação entre o homem e todo o sistema vivo - Gaia. Criado a partir das idéias e propostas de José Lutzenberger, mantém diversos programas de forte conteúdo ambiental, sendo os principais: preservação e recuperação de ecossistemas; produção rural sustentável; tecnologias ambientalmente responsáveis; desenvolvimento humano e educação ambiental.

JOSÉ LUTZENBERGER (17/12/1926 - 14/05/2002) – engenheiro agrônomo, naturista, ecologista, escreveu diversos livros, entre eles Fim do futuro? - Manifesto Ecológico Brasileiro (1976). Denunciou os estragos causados pelos agrotóxicos na agricultura brasileira, assim como a devastação ambiental em geral, e ajudou a fundar a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), uma das primeiras entidades ambientalistas do Brasil, em 1971. Fundou, em 1979, a empresa “VIDA produtos e serviços em desenvolvimento ecológico”. Em 1987, criou a Fundação Gaia. Foi secretário especial do Meio Ambiente durante o governo do presidente Fernando Collor de Mello, de março de 1990 até meados de 1992. Recebeu inúmeros prêmios e condecorações. Entre eles, o “Right Livelyhood Award”, conhecido como Nobel Alternativo, em 1988. Para Lutzenberger, era fundamental a conscientização para uma visão naturalista com ética holística, não antropocêntrica, também chamada “ecologia profunda”.

Texto: Jornalista Clarinha  Glock                                                                                                                     Edição de fotos e textos: Cláudia Dreier

 

27 de Setembro de 2010
Casa dos Lutzenberger inicia processo de restauração

 A casa da família Lutzenberger inicia um processo de recuperação para receber a matriz da empresa Vida, fundada pelo ambientalista José Antônio Lutzenberger. A proposta atual transforma os rumos traçados no final de 2009, onde se coagitava locar a casa e o jardim lateral. Este interessava ao restaurante da esquina que planejava transformá-lo em estacionamento.

 Em 2010, surgiu a necessidade de a empresa Vida mudar o endereço da sua sede, localizada em Guaíba. “A idéia inicial, quando o proprietário solicitou que desocupássemos o imóvel, era construir um prédio em Eldorado do Sul junto à nossa central de reciclagem de resíduos industriais. Como as herdeiras, Lilly e Lara, resolveram colocar a casa da família para locação, decidimos alugá-la e aplicar na sua restauração o recurso que tínhamos disponível”, revela Susana Burger, gerente administrativa da Vida.

 Patrimônio histórico

 “Ao revitalizarmos a casa, também estamos revitalizando a memória de meu avô, arquiteto e aquarelista, e de meu pai, o ambientalista”, afirma Lara Lutzenberger, presidente da Fundação Gaia, ONG criada pelo ambientalista. Em abril, o escritório da Fundação deixou o pequeno prédio que ocupava nos fundos da rua Jacinto Gomes, número 39 para operar no Rincão Gaia, próximo a Pantano Grande, RS.

 Para Lilly Charlotte Lutzenberger, abrigar a Vida é o melhor destino que poderia ser dado à casa da família. “O caráter funcional que passa a ter este imóvel, ocupado pela sede da empresa, permite uma preservação mais sustentável a longo prazo.” Lilly lembra que na Europa é comum empreendimentos modernos instalarem-se em prédios antigos.

 Com o objetivo de preservar o máximo possível, tanto da construção quanto dos jardins, foi escolhido para coordenar o trabalho o arquiteto Flávio Kiefer, responsável pela transformação do Hotel Majestic na Casa de Cultura Mário Quintana. “O processo de seleção foi bastante criterioso, pois esta casa foi feita por um arquiteto que deixou sua marca na história de Porto Alegre. São de sua autoria prédios como a igreja São José, o Palácio do Comércio e o Pão dos Pobres”, comenta Susana.

 Preservação

 Para Flávio Kiefer, seu grande desafio é manter a dupla história relacionada ao prédio somando a ela um novo fator. “Temos a primeira etapa, do José Lutzenberger que construiu a casa, depois vem o José Antônio Lutzenberger, o ecologista, e agora, em um terceiro momento, precisamos adequar o espaço à empresa Vida, que irá estabelecer-se no prédio.”

 A história da família permanece intacta tanto nas paredes como nos detalhes simples da vida doméstica. No topo da escada que une os três pavimentos está um vitral com o brasão da família, onde uma adaptação inclui a bandeira do Brasil. Na cozinha, ainda existem os potes de mantimentos de porcelana, identificados no idioma alemão, que guardavam açúcar, café, macarrão, cravo e canela (ver detalhe da foto).

 Retratando cenas do cotidiano de Porto Alegre de modo espirituoso, as aquarelas pintadas por José Lutzenberger acompanhavam os degraus da escada, indo do terceiro pavimento ao térreo. Ali funcionava o escritório do arquiteto e, além da garagem, existia um pequeno laboratório fotográfico. As obras do aquarelista foram digitalizadas e podem ser vistas no saite www.lutzenberger.com.br

 Surpresa

 Em um sábado chuvoso, investigando o estado de preservação do prédio, Kiefer deparou-se com um fato inédito. Retirando parte do assoalho do último pavimento, já bastante deteriorado pelo cupim, queria ver como estava a conservação da estrutura e encontrou, entre as vigas, uma camada de barro misturado com palha.

 “Acredito que a mistura funcionava como isolante acústico e térmico entre os dois ambientes.” Ao cavar mais fundo, verificou que inexistia uma camada plástica sobre o forro do andar de baixo, que serviria como proteção. “O encaixe das madeiras do teto foi perfeito e concluído em uma etapa anterior ao pavimento de cima.”

 Nesta primeira fase, cabe a Kiefer avaliar a casa e elaborar o projeto que preserve a história agregando a ela elementos contemporâneos. Estes indispensáveis para que outra obra do ambientalista José Antônio Lutzenberger, a empresa Vida, possa ocupar o local construído pelo seu pai, no qual ele passou a infância e grande parte da vida.

 

 

13 de setembro de 2010
Reinaugurado Jardim Lutzenberger na Casa de Cultura

Na primeira semana de setembro, foi reinaugurado o Jardim Lutzenberger que ocupa o terraço do quinto andar da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre , sendo um dos locais prediletos dos visitantes. Entre os vários nichos existentes, o lugar mais disputado pelos casais é caramanchão de bambu, ao lado da composteira.

“Em pleno centro da cidade de Porto Alegre, o Jardim Lutzenberger apresenta uma diversidade de coleções e ambientes botânicos, representativos de banhados, desertos, pradarias e ambientes tropicais, demonstrando que mesmo áreas essen­cialmente urbanas podem e devem abrigar ampla gama de espécies”, afirma a bióloga Lara Lutzenberger, atual presidente da Fundação Gaia.  

Formado por vários nichos: plantas tropicais, medicinais e comestíveis, figueiras, rupestres, aquáticas, árvores nativas e jardim evolutivo, o conjunto permite integrar ambiente, arte e cultura. Concretamente, ele homenageia o ambientalista gaúcho que via na jardinagem uma ferramenta sin­gular de estímulo à sensibilidade individual para preservar o meio natural.

História

A concepção do jardim surgiu em 2002, por iniciativa de Mary Mezzari e Elisabeth Renck. Elas vislumbraram uma maravilhosa oportunidade de aproveitar vasos e banheiras descartados do outrora Hotel Majestic para ajardinar o terraço e hom­enagear o ambientalista José Antonio Lutzenberger.

O apoio financeiro da ONG austríaca Sunnseitn Institut e o esforço voluntário de múltiplas mãos permitiram implantar a primeira pro­posta. Esta foi aprimorada com a participação da empresa Ato Produção Cultural e o patrocínio do Laboratório Multilab através da Lei de Incentivo à Cultura, culminando na reinauguração do jardim em 08 de novembro de 2007.

Sob a orientação do paisagista Paulo Backes e do arquiteto Guilherme Esteves, foram enriquecidos os arranjos botânicos, acrescentadas insta­lações de bambu e madeira. Outra estrutura importante para a visitação foi a instalação da iluminação noturna e a recuperação da antiga cisterna permitindo captar a água da chuva para rega das plantas.

Em 2010, uma nova apoiadora, a empresa Brasken, permitiu as atuais melhorias. Foi feita a limpeza do piso original do terraço, adquiridos equipamentos que tornaram o Jardim ainda mais atrativo e contratado um novo jardineiro, Edgar Salla. “Cada estação tem características específicas que se refletem nas espécias aqui presentes. Sem dúvidas o jardim fica mais exuberante na primavera e no verão”, comenta Salla.

  Inovações

“O jardim está muito mais bonito com as banheiras cheias de plantas, os vasos bem cuidados e melhor distribuídos”, observa a estudante Thalita dos Santos que conhece o jardim desde pequena. “Costumo  vir aqui todas as semanas para estudar, é calmo, tranquilo e perto da minha escola”.

Thalista e duas colegas sentam-se no chão, entre o grupo das árvores nativas e o Jardim Evolutivo. Este apresenta plantas muito antigas, como a ginko biloba que era o cardápio predileto dos dinossauros quando estes répteis herbívoros habitavam os continentes. A árvore, considerada um fóssil vivo, perde suas folhas no inverno e na brotação primaveril reaparessem as pequenas formas triangulares típicas da única espécie daquele gênero que chegou aos dias atuais.

Frutos da tecnologia mais recente e muito disputados pelos frequentadores do jardim, a mesa e os bancos foram feitos a partir de madeiras plásticas, material que recicla desde sacolas até garrafas pets. Tais móveis foram fornecidos pela empresa Unisold que atua em parceria com a Brasken, permitindo diminuir a quantidade plásticos dispersos no meio ambiente.

O jardim, localizado na Ala Oeste da Casa de Cultura Mário Quintana, abre ao público de terça à sexta-feira às 9 h da manhã e nos sábados e nos domingos, ao meio dia, encerrando as visitações às 21h. A entrada é franca e em breve o espaço receberá um banner com a lista das espécies presentes neste local que homenageia José Antônio Lutzenberger. Maiores informações sobre o jardim no link www.fgaia.org.br/jardim_lutzenberger/.  

 

Edição de fotos e texto: Cláudia Dreier

 

 

26 de agosto de 2010
Professores da rede municipal de Santa Cruz visitam o Rincão

 Um grupo formado por 31 professores das séries iniciais passou o dia no Rincão Gaia na segunda quinzena de agosto. A oficina de reciclagem coordenada pelo monitor Alexandre de Freitas fez parte do II Curso de Formação Cultivando Cidadãos.

 “Levamos conosco uma visão diferente de reciclagem” afirma a professora Mariluci Prestes Moraes Treinks, que trabalha na Secretaria Municipal de Santa Cruz do Sul. Segue abaixo um comentário da educadora sobre a visita e uma foto do grupo em frente à Casa Comunal.

 “Quero dizer que a formação no Rincão Gaia superou minhas expectativas. A visitação foi um verdadeiro presente. Estar próxima ao Lutzenberger foi muito emocionante...

 Tivemos muito mais do que uma aula de reciclagem; foi um resgate a simplicidade, aos reais valores que realmente importam; a valorização do ser humano pelo "ser" ao invés do “ter”...

 Para mim, e acredito que para meus colegas também, esse dia ficará guardado em nossas lembranças com muito carinho. A sementinha da fraternidade, do amor à natureza, com certeza foi regada, e seremos multiplicadores em nossas escolas.

 Pedimos que fosse trabalhado o tema: reciclagem. O responsável, Alexandre, que foi maravilhoso, mostrou nos que a reciclagem, o reaproveitamento, acontece de forma natural, e que o uso do bom senso, da criatividade e do respeito ao meio ambiente é que farão a diferença para a preservação do nosso planeta e de toda a vida que existe (inclusive a nossa).”

 

 

17 de junho de 2010
Trabalho em rede aumenta rendimentos da agricultura familiar

Contrapondo a tese econômica de que agricultura familiar está em processo de extinção, Rubens Wladimir Tesche demonstra o sucesso das pequenas propriedades produtoras de leite. “A reciprocidade do desempenho socioeconômico da agricultura familiar” foi tema da palestra Ecologia na Cultura no mês de junho. Com entrada franca, o evento mensal é uma parceria da Fundação Gaia e a Livraria Cultura de Porto Alegre.

Para Tesche, três ações caracterizam a reciprocidade, herdada das práticas camponesas trazidas pelos imigrantes: ajuda mútua, manejo compartilhado e comercialização conjunta. “Ao atuarem em redes ou associações, os produtores aumentam sua renda, seu patrimônio e qualidade de vida” afirma ao mostrar os resultados de sua dissertação de mestrado realizado no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS. Os dados da pesquisa foram coletados no Noroeste Gaúcho, conhecido como Região das Missões.

Evolução agrária

As Reduções Jesuíticas, além de nomearem os municípios da área de estudo, foram o berço da pecuária gaúcha criada nos campos. Mais ao norte, entre Ijuí e o rio Uruguai, a paisagem diferenciava-se, com a presença das matas que permitiam o extrativismo da erva-mate pelos índios.

Pelo Tratado de Madri, a Coroa Espanhola entregou a Portugal o território das Missões. Após as Guerras Guaraníticas e a expulsão dos jesuítas, o rebanho permanece nas pastagens multiplicando-se livremente. O tesouro da região passa ser a carne para o charque e o couro, conduzidas pelo Caminho das Tropas até chegar à província de São Paulo.

Em 1890, ocorre a segunda etapa da colonização: colonos passam a ocupar as terras com mata nativa, entrando em conflito com os índios. A partir do desmatamento, as lavouras seguem o sistema campesino visando primeiro a subsistência e depois, o comércio.

Com a Revolução Verde, as regiões de pradarias, com solos ácidos, foram corrigidas com calcário e passaram a ser agricultáveis. As costumeiras práticas européias de lavração degradaram o solo. Crises de produtividade e menor lucro por hectare tiveram origem na década de 80, culminando nos anos 90. Os agricultores passaram, então, a buscar produtos que agregassem um maior valor ao seu trabalho.

Bacia leiteira

A produção de leite tornou-se uma boa alternativa para as pequenas propriedades. Segundo Tesche, três motivos combinados permitiram que a região viesse a ser uma grande bacia leiteira: nova tecnologia de industrialização e embalagem, o sistema de transporte e as características do solo e do clima locais.

Produzir gado leiteiro direto na pastagem, adotando o sistema de pastoreio, é estratégico para a agricultura familiar. “Tal produção atende a uma demanda contínua, estando inserida na rotina da pequena propriedade. Se, além do meu consumo familiar, me sobram apenas 50 litros diários para vender, eu construo uma rede que atenda a coleta mínima da empresa totalizando 200 litros, por exemplo.”  

Alguns fatores influenciam na formação das redes: parentesco, vizinhança, compadrio e amizade. As conexões entre as redes facilitam o acesso às políticas públicas e, também, propiciam a inserção nas questões comunitárias. Tal modelo urbano-cultural estimula uma maior preservação do meio ambiente, pois o agricultor familiar tem na pequena propriedade seu local de vida, e constrói de maneira coletiva as melhorias da comunidade onde está inserido.

Modo de vida

No final da palestra, muito aplaudida, Tesche afirma que a reciprocidade é um fator de resistência de uma categoria social, a agricultura familiar.  Os dados apresentados contestam muitos autores, que insistem em afirmar que tal categoria tende a se extinguir. Tesche questiona como será mantido o vínculo de cooperação nas novas gerações que apresentam uma redução de filhos, acesso à televisão e às escolas urbanas.

“Mesmo com a diminuição drástica da população rural, a agricultura familiar resiste e continua produzindo sua comida”, afirma baseado em uma pesquisa feita por ele. Com dados coletados em 36 municípios da região do Noroeste Gaúcho, nos quais estão incluídas 903 famílias, ele provou que 70 por cento dos alimentos que o agricultor põe na mesa são produzidos por ele, na sua terra.

O individualismo da tecnologia também representa uma ameaça para a reciprocidade no futuro. Outro risco da agricultura é buscar subsídios na indústria de adubos químicos a base de NPK, nitrogênio, fósforo e potássio. “Esses elementos possuem uma produção finita, o melhor é praticar a agroecologia que perdura por estar baseada na reciclagem dos nutrientes e no equilíbrio do solo”, recomenda Tesche.

Em julho o Ecologia na Cultura traz o tema “Yoga e sustentabilidade”, visando estimular uma prática que desafie as dualidade cotidianas, sustente o contentamento e construa uma interação entre a ecologia e a sustentabilidade, tanto em nível pessoal como no todo.  O evento acontece na terça-feira, dia 13 de julho, tendo como palestrante o comunicador e professor Henrique Raizler. A palestra promovida pela Fundação Gaia inicia às 19h30min, no auditório da Livraria Cultura de Porto Alegre, e tem entrada franca.

 

 

 

17 de Maio de 2010
Iniciam inscrições para Formação Ambiental

Estão abertas as inscrições para o Programa de Formação Ambiental da Fundação Gaia, legado Lutzenberger. Ele abrange vários módulos, únicos ou complementares, desenvolvidos sob o contexto da sustentabilidade e da ecologia cidadã. Os encontros acontecem no Rincão Gaia, sede rural da Fundação localizada próximo a Pântano Grande.

As atividades voltadas para professores, alunos e grupos diversos possuem um tema específico a cada mês: água, Terra, biodiversidade, meio ambiente, amigo, árvore, criança e professor sendo desenvolvido, respectivamente, de março a outubro. Os últimos meses do ano podem abordar qualquer um dos assuntos anteriores, que foram ordenados pelas datas oficiais do calendário.

“Conseguir colocar em prática o conhecimento ambiental aprendido é um dos objetivos desta formação”, comenta Lucimara Fanfa Corvello, uma das organizadoras do curso que compreende três práticas: atividade de formação, atividade vivencial e propostas pedagógicas complementares. Estas podem ser aplicadas na própria escola e comunidade ou mesmo no Rincão em um momento posterior. 

Tendo a duração de um turno completo, o programa destina-se a grupos de 10 a 50 integrantes, e inclui trilha interpretativa, dois lanches e almoço. Para os interessados em desfrutar melhor o ambiente especial do Rincão Gaia, há a possibilidade de pernoite com janta e café-da-manhã.

As inscrições dos grupos interessados devem ser feitas com, no mínimo, uma semana de antecedência da data escolhida, pelo telefone (51) 9725 3685. Veja no link o programa completo, detalhando cada tema mensal e trazendo informações sobre as modalidades de inscrições e investimentos.


Volte a página principal