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04 de janeiro de 2012
O acordo para administrar a crise da seca no
Vale do Sinos
Por Arno Kayser
O representante do Movimento Röessler no
Comitesinos comenta o resultado da reunião
ocorrida em 22 de dezembro.
Felizmente venceu o bom senso nesta reunião
do Comitesinos. O grande fortalecido foi o
próprio Comitê, pois saiu consolidado como
espaço político de resolução de conflitos.
Para
tristeza de alguns, que gostam de ver o
circo pegar fogo para se projetar
pessoalmente, as partes em conflito de uso
cederam o que podiam e se construiu um
acordo de uso d’água nesta crise de seca do
verão 2011-2012. Acordo que talvez não tenha
agradado a ninguém de pleno, mas que serve
para fortalecer a opção pelo diálogo como
forma de construir um caminho de
enfrentamento dos problemas de fundo do
nosso rio.
Quem
vai comandar o espetáculo vai ser o crivo
das bombas definindo o momento em que a
agricultura pode ou não captar água sem
prejudicar o abastecimento público.
Houve
grandeza de todas as partes envolvidas em
perceber que temos que seguir construindo
soluções de forma democrática.
O
acordo também fortalece todo o Sistema
Estadual de Recursos Hídricos porque em
todos os fóruns extra comitê em que o tema
da seca foi debatido ficou claro que os
comitês são os espaços legítimos de
discussão, não só por conta da lei, mas,
principalmente, por conta da sua
legitimidade conquistada pelo trabalho
profissional e voluntário de muita gente que
ao longo dos anos “tem saído da sua zona de
conforto” para construir um sistema
democrático e participativo de tomada de
decisões.
A
repercussão da crise também chamou a atenção
do Governo do Estado para a necessidade de
fortalecer Sistema Estadual de Recursos
Hídricos. A presença na reunião de vários
membros do governo e do parlamento estadual
na reunião deste dia, 22 de dezembro de
2011, demonstrou isto e também oportunizou
ao comitê colocar suas demandas com clareza.
O Estado está respondendo com contratação de
mais técnicos para o DRH (uma das maiores
limitações do sistema) e com recursos para
investir na área.
É
esta maior presença que a sociedade espera
para completar a participação social para
possamos recuperar nosso rio e gestá-lo de
modos há que garanta águas para todos os
usos humanos e para a manutenção da vida
selvagem.
O
desafio agora é seguir administrando a crise
e depois que ela passar seguir com ações de
planejamento que resulte num Plano de Bacia
que norteie o desenvolvimento da nossa
região dentro dos limites que a Ecologia da
região possibilita.
16 de dezembro de 2011
Dia do Bioma Pampa homenageia Lutzenberger
Por Cláudia Dreier
O Bioma que abrange a metade sul do Rio
Grande foi criado em 2004 e é comemorado no
dia em nasceu o ecologista gaúcho.
Em 17 de dezembro comemora-se o dia do
Bioma Pampa, tal data foi escolhida em
homenagem ao nascimento do ambientalista
José Lutzenberger que em 2011 completaria 85
anos. Segundo a doutora em zoologia,
Georgina Bond-Buckup, “o Bioma Pampa foi
reconhecido como Bioma em 2004 e teve seu
dia criado em 2007”.
Georgina, integrante da ONG Igré, estará
na Feira dos Agricultores Ecologistas neste
sábado, dia do Bioma Pampa, para divulgar
informações sobre a mais tradicional
paisagem gaúcha. A banca localizada junto ao
caldo-de-cana irá distribuir materiais
informativos e também alguns livros para os
que visitarem a banca mais cedo, a partir
das 9h.
Dados sobre o Bioma
Segundo
Georgina, além de ser um patrimônio natural,
o pampa é também um legado cultural do povo
gaúcho que está ameaçado pelas monoculturas
e pela destruição de seu habitat natural. No
panfleto a ser distribuído pela Igré constam
informações básicas sobre o Bioma:
Entre os biomas brasileiros,
o Pampa é exclusivo da metade sul do Rio
Grande do Sul, ocupando uma área de 178.243
km2, correspondendo a 2,07% do território
nacional e a 63% do território gaúcho.
Embora
tenha grande extensão territorial, somente
41,32% da área do bioma Pampa ainda tem
cobertura vegetal nativa, os restantes
58,68% foram modificados pelo uso do homem –
principalmente pelo mau manejo dos campos
com o sobrepastejo animal, com aplicação de
herbicidas e pela introdução da silvicultura
com espécies exóticas.
No Pampa ressurgem vários
afloramentos do aquífero Guarani, uma das
maiores reservas de água doce do mundo.
Nosso Pampa apresenta uma
elevada biodiversidade campestre ,
compartilhando com gramíneas e leguminosas
forrageiras a cobertura vegetal
característica que determina a economia e a
cultura da região.
A riqueza da vegetação do
Pampa está composta por 2.600 espécies
campestres representando em torno de 2/3 da
diversidade da flora do RS. Mais de 300
espécies vivem exclusivamente neste bioma.
A
riqueza da fauna, ainda não conhecida em sua
totalidade, mostra espécies que ocorrem
somente neste bioma (endêmicas), raras,
migratórias, ameaçadas de extinção e aquelas
de interesse econômico.
Mais de 90 espécies de
mamíferos terrestres só conseguem viver no
campo, como o graxaim, o veado-campeiro, o
preá e o tatu, entre outros, constituindo
30% de espécies endêmicas. Cerca de 400
espécies de aves e mais de 50 espécies de
peixes são conhecidas para a região.
Entre os biomas brasileiros
é o que apresenta o menor número de áreas
formalmente protegidas, representando
somente 0,36% de sua área de ocorrência.
O Pampa vem sofrendo uma
progressiva descaracterização do seu
território pelas crescentes ameaças como o
cultivo de árvores exóticas que não
pertencem ao bioma nativo, no qual a
vegetação original é composta por plantas
herbáceas e arbustos. O campo é a expressão
adequada para o perfil climático e o tipo de
solo da região.
Plantar extensos conjuntos
de árvores na região representa uma grande
sobrecarga para os recursos disponíveis,
especialmente a água do solo e os nutrientes
realmente existentes, causando prejuízos
irreversíveis ao meio ambiente e,
consequentemente ao ser humano.
No RS são registradas 250
espécies da fauna ameaçadas de extinção e
10% dessas estão diretamente ameaçadas pela
expansão das monoculturas de árvores.
O
Pampa na TV
No
início de dezembro, uma equipe da TV Emater
esteve no Rincão Gaia, localizado no limite
norte do Bioma Pampa, para contar a história
da atuação de Lutzenberger naquele local.
Além dos depoimentos de Lara Lutzenberger,
presidente da Fundação Gaia, a reportagem
contou com a participação do doutor Ludwig
Buckup que também estará na feira e integra
a Igré.
As
imagens do Rincão e as entrevistas podem ser
conferidas no programa Rio Grande Rural que
é transmitido em vários horários e
emissoras. Na TVE:
sábado às 7h e domingo às 8h;
na Rede
Vida: sábado, às 6h30; na
TV
Assembléia: domingo às 13h30, segunda-feira
às 5h30, terça-feira às 6h, quarta-feira às
6h, quinta-feira às 6h30, sexta-feira às 5h
e sábado, às 5h, às 10h30 e às 13h. Na TV
UCPEL canais 15 da NET e 10 da VIACABO TV:
quarta-feira, às 19h. Na TV UNISINOS canal
32 da NET: quarta-feira, às 18h. Também é
transmitido nos canais 15 ou 16 da NET:
TV CAMPUS
UFSM no sábado e domingo, às 12h e às 22h.
Na UCS TV, disponível em UHF – TV aberta –
no canal 27: domingo, às 9h. Na TV UNISC:
quinta-feira, às 19h. Na
TV Caxias
canal 14: domingo, às 9h.
Serviço
Evento:
Dia do Bioma Pampa
Data:
17 de dezembro das 9 às 12h30min
Local:
Feira dos Agricultores Ecologistas – 1ª
quadra da avenida José Bonifácio, em Porto
Alegre
Participação:
Ong Igré com a presença de Georgina Bond
Buckup, Ludwig Buckup e Ilsi Iob Boldrini
Agendamento de entrevistas:
(51) 9819 9887 com Cláudia Dreier
29 de setembro de 2011
Queimando verdinhas
Por Paulo Backes
O fotógrafo, agrônomo e paisagista faz uma
reflexão sobre o consumismo e a falta de
cuidado com nossas riquezas naturais. Backes
é também colaborador da Fundação Gaia.
Há poucos meses, encontrei em um container
perto de casa, restos de um parquet que
sobraram de uma obra de algum vizinho. Moro
no centro histórico, onde com frequência
alguém esta reformando sua casa ou
apartamento.
Centenas ou milhares de taquinhos de 20 cm
jogados fora. Madeira inteira, bem
conservada, cumprindo sua função por mais de
70 anos. Destino? Alguma central de restos
de obra da prefeitura.
Recolhi algumas caixas e queimei alguns na
salamandra de casa até me dar conta: resolvi
raspar e lixar a madeira para saber sua
espécie.
Quinze mil dólares jogados fora!!!! Seis a
sete metros cúbicos de uma madeira valiosa e
rara, pau-marfim!
O valor medio do pau-marfim beneficiado é de
aproximadamente US$ 2500 / m3.
O pau-marfim (Balfourodendrum riedelianum)
encontra-se na lista de espécies ameaçadas
de extinção no Estado do Paraná. Em São
Paulo, estão sendo realizados trabalhos de
conservação genética em populações in
situ e ex situ nas reservas
florestais a fim de preservar a espécie.
Arrependo-me pelas que me queimei, pois em
princípio estava reaproveitando um resíduo
para me aquecer, e de graça.
Estamos jogando fora o que a natureza nos
forneceu nos séculos passados e nos custou
a destruição de grande parte das nossas
paisagens e florestas.
Por isso nossa civilização extingue
espécies. Uma mesma moradia consome várias
vezes o mesmo recurso. Por quê? Porque não
enxerga o que está botando fora. Por
desconhecimento ou capricho de algum modismo
que determinou que piso de parquet com
pau-marfim é out! Provavelmente no
lugar do parquet entrou algum porcelanato ou
piso laminado certificado. Mais gasto de
energia, recursos naturais ou destruição de
florestas!
Nossa civilização extingue porque não vê que
os tacos estavam inteiros, sem cupim ou
fungos, apenas velhos e sujos, precisando
somente de uma lixa. Vamos para a Europa
admirar antigas construções e pisos
seculares, mas jogamos fora as nossas
relíquias.
Fazemos como o magnata arrogante ao acender
um charuto com uma nota de cem dólares:
estamos queimando nossas verdinhas há
séculos!!!!!!!
10 de agosto de 2011
Palestra mostra a atuação dos Comitês de
Bacias Hidrográficas
Por Cláudia Dreier exclusivo para
Fundação Gaia
Teresinha Guerra, presidente do Comitê da
Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, foi a
palestrante do Ecologia na Cultura.
Nesta terça-feira, 09 de agosto, Teresinha Guerra, presidente do Comitê
da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba,
participou da quinta palestra do ciclo
Ecologia na Cultura, promovido pela Fundação
Gaia – Legado Lutzenberger em parceira com
a Livraria Cultura. Ela falou sobre o
trabalho do Comitê e sobre a água como
elemento natural, recurso hídrico e bem
público.
“O ciclo hidrológica é um sistema fechado que recebe muitas
interferências da sociedade humana seja por
lançamento de efluentes nas águas, captação
ou barramentos.” Teresinha conta que na
Europa o primeiro parlamento sobre a gestão
da água foi criado na Espanha, ainda no
século XVIII, devido às disputas pela água
que resultaram em várias mortes.
Pioneirismo
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No Brasil, a primeira lei sobre um Sistema Estadual
de Recursos Hídricos
nasceu no Rio Grande
do Sul em 1994,
antecipando o
Sistema Nacional de
Recursos Hídricos
estabelecido pela
lei número 9.433, de
oito de janeiro de
1997. “Na década de
1980, um grupo muito
entusiasmado
reuniu-se para
organizar a gestão
da água e foi buscar
subsídios no modelo
adotado pelos
franceses. Em 1989,
foi criado o Comitê
de Bacia
Hidrográfica do Rio
dos Sinos e no ano
seguinte, o do rio
Gravataí.“
Anterior à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o
Sistema Estadual de
Recursos Hídricos
foi sendo
estabelecido a
partir da atuação
dos Comitês. Estes,
atualmente, formam
um grupo de 25: onze
na região da bacia
do Uruguai, nove na
do Guaíba e cinco no
litoral. “O Comitê é
um colegiado e não
uma ONG, sendo
formado por
representantes dos
usuários da água, da
população da Bacia e
de órgãos do governo
Estadual e Federal”,
explica Teresinha .
Os participantes dos
dois primeiros
grupos são eleitos
entre as categorias
que representam. A
presidente lembra
que está aberto o
período de inscrição
para a nova eleição
de representantes.
O Comitê funciona como um parlamento das águas que
deve dar a palavra
final nos assuntos
que dizem respeito
ao gerenciamento da
água na Bacia
Hidrográfica onde
atua. Além da
poluição dos
mananciais, entre os
problemas mais
comuns citados
encontram-se o
barramento,
principalmente com
fins de irrigação, e
o assoreamento. Na
Bacia do Lago, 85 %
da água disponível é
utilizada na
irrigação dos
cultivos agrícolas,
sendo o restante
dividido entre a
indústria e o uso
doméstico. Teresinha
ressalta que a
prioridade de uso da
água é o
abastecimento humano
e a dessedentação
dos animais.
“Na região da fronteira existe um rio chamado Ibicui
da Armada. Recebendo
esta denominação,
por ele deveriam
navegar os navios do
Imperador. Hoje seu
calado quase nem
comporta um pequeno
barco”, revela a
presidente. A
diminuição da calha
do rio por onde
devem escoar as
águas resulta da
destruição das matas
ciliares que
protegem as margens
e mantêm o leito com
um talvegue mais
profundo. A largura
da mata ciliar está
definida no Código
Florestal.
Teresinha revela que até o final do ano será criada a
Agência das Águas,
atuando nas nove
Bacias Hidrográficas
do Guaíba. “Com a
criação da Agência,
o Comitê irá
atribuir a ela as
funções de ordem
mais técnica e
poderá dedicar-se ao
Plano de Ação para
melhorar as
condições da Bacia.”
Uma das atribuições
da Agência é
realizar a cobrança
pelo uso da água,
valores que também
passam pela
aprovação do Comitê
da Bacia
Hidrográfica. |
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09 de agosto de
2011
Edgar Morin apresenta alternativas à crise
mundial
Por Cláudia Dreier exclusivo para Fundação
Gaia
O intelectual francês participou do
Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre.
Contextualização e exemplos pontuais marcaram a palestra de Edgar Morin que
aconteceu na segunda-feira, 08 de agosto,
integrando a programação Fronteiras do
Pensamento em 2011. Com 90 anos e um mês
exatos, o francês tem como valores
principais o amor e o conhecimento. Ele
aponta soluções para a crise atual a partir
de suas pesquisas e vivência ao longo da
História.
Segundo Morin, a crise econômica iniciada em 2008 colocou em xeque o
modo de conhecimento que fragmenta as várias
disciplinas, impedindo a compreensão dos
problemas globais. Para entender o que
acontece é fundamental conhecer o processo
de globalização cada vez mais acelerado pela
modernidade. “Não sabemos o que se passa e é
isso que se passa. A crise econômica
atual resulta de uma crise da sociedade
moderna, da sociedade tradicional, da
democracia, do pensamento, em fim, uma crise
geral da humanidade.”
Dois lados da globalização
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O francês considera
a mundialização como
a pior das coisas
possíveis e, ao
mesmo tempo, a
melhor delas.
Integrando o
primeiro aspecto,
ele lista o
desenvolvimento da
técnica que constrói
fantásticas armas de
destruição de massa
e que gera a crise
ambiental. “Mesmo
com toda técnica
desenvolvida somos
incapazes de frear
esta crise. Um dos
problemas está nos
Estados Nacionais,
agora incapazes de
manter as promessas
feitas à população”.
Ele propõe que os
Estados Nacionais
associem-se entre si
para que possam
ficar protegidos. “A
ONU tem pouca força
para decisões em
esfera planetária
que envolvam a
questão armamentista
e o necessário
cuidado com a
biosfera”.
Morin discorre sobre
as ameaças à
civilização
utilizando uma
metáfora. “No século
XX um monstro, uma
espécie de polvo
gigante com
muitos tentáculos,
amedrontava a
humanidade: era o
totalitarismo
exemplificado no
nazismo e no
fascismo. Com a
queda do comunismo
despertou um novo
polvo: o do
fanatismo e do
maniqueísmo, de
cunho étnico e
religioso. A partir
da abertura
econômica da China e
do Vietnã, ganha
força o polvo da
economia
globalizada, do
capitalismo
financeiro que é
mais poderoso do que
o Estado Nacional”.
Como exemplo
recente, ele cita o
caso dos EUA, no
qual uma agência
abaixou a nota dos
americanos e os
demais países
vêem-se incapazes de
contornar a crise
mundial.
Para o palestrante,
o aspecto positivo
da globalização é
unir os povos na
mesma comunidade, no
mesmo destino ao
viverem perigos
semelhantes, o que
cria condições para
surgir um novo
mundo. “O desafio é
inventar uma
sociedade global sem
o modelo dos Estados
Nacionais. Há outra
sociedade a ser
criada.” Ele
enfatiza a
importância da
palavra “pátria” que
reúne os conceitos
paterno e materno na
mesma expressão. O
amor de mãe e o
suporte dado pelo
pai geram a idéia do
Estado que
fraterniza, tem nos
seus cidadãos filhos
que devem tratar-se
como irmãos. “O
grande desafio é
edificar uma
terra-pátria que
respeite as
comunidades.” |
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Componente
aleatório
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Segundo Morin,
existe um componente
aleatório na
história da vida e
da civilização,
exemplificado pela
origem do regime de
governo
preponderante nos
Estados Nacionais.
No século quinto
antes de Cristo, a
cidade de Atenas,
berço da democracia,
resistiu ao primeiro
ataque dos persas
com o auxílio dos
soldados de Esparta.
No segundo
confronto, ela foi
arrasada. Ao
regressar da
batalha, os barcos
da frota inimiga
foram afundados no
Peloponeso, assim
Atenas pode
reerguer-se e a
democracia persistiu
por mais 50 anos. Na
Era Moderna, este
regime foi
ressuscitado nas
cidades italianas,
belgas e na
Revolução Francesa.
E o improvável
aconteceu: a
democracia, criada
em uma pequena
cidade grega,
estabeleceu-se como
uma característica
da sociedade
vigente.
“Mas como é possível
mudar o caminho,
como parar um trem
desenfreado em
direção à
catástrofe?”
questiona ele,
voltando à crise
atual. “Em vários
momentos a sociedade
humana mudou de rumo
graças a um
indivíduo e a um
pequeno grupo a ele
associado.” Morin
cita Buda, Maomé e
Jesus Cristo. Este,
após a pregação, em
dois ou três séculos
teve sua doutrina
transformada na
religião do Império
Romano. “Isso
aconteceu graças a
Paulo que teve uma
revelação no caminho
para Damasco,
permitindo
universalizar a
mensagem: não há
judeus nem gentios,
homens ou mulheres,
a palavra é dirigida
à humanidade
tornando o
cristianismo a
grande religião.”
Morin aponta
exemplos semelhantes
para a ciência
moderna,
referindo-se a
Galileu, Descartes e
Bacon, e para os
modelos sociais
citando os criadores
do Comunismo e do
Anarquismo. “As
mudanças são
possíveis, começam
moderadamente. Se o
sistema não trata
dos problemas
fundamentais, ele se
desintegra, mas é
possível que, de
algum modo, com
criatividade este
mesmo sistema seja
metamorfisado gerando
um novo sistema.” |
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Metamorfose
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Para o francês, os
sistemas na Terra
respondem aos
problemas de três
maneiras: regridem a
um estágio anterior,
desintegram-se ou
passam por uma
metarmorfose. “Temos
na borboleta um belo
exemplo. Quando se
rompe o casulo da
larva, o mesmo ser
passa a ter asas e
alimenta-se
diferentemente de
quando estava
enclausurado.” Morin
lembra que o próprio
ser humano, quando
no ventre materno, é
um ser aquático.
“A história humana é
uma história de
metamorfoses.” Morin
enfatiza que as
pequenas sociedades
de centenas de
indivíduos, viáveis
ecologicamente,
tiveram diferentes
estágios de evolução
para se
transformarem em
grandes cidades e
civilizações como as
dos Astecas e Incas,
na América. “Esta
metamorfose
específica vai
desagregando os
valores da
comunidade no seu
processo de
crescimento.”
Atualmente, na
França fala-se em
desglobalização,
pois a mundialização
destruiu as
realidades regionais
e a solidariedade
típicas da vida
comunitária.
“Busca-se agora sair
deste processo,
estimulando as
trocas que
possibilitem uma
nova sociedade.” O
palestrante defende
o pensamento
binário, onde
coexistam a
globalização e a
desglobalização.
“Podemos manter os
pontos positivos da
globalização,
preservando as
culturas nacionais e
a agricultura de
subsistência do país
para garantir os
alimentos da nação
sem precisar
importá-los. É
preciso ter a
virtude de proteger
as comunidades
locais.”
Outra proposta de
Morin é trocar o
desenvolver pelo
envolver. Enquanto o
primeiro promove o
crescimento
econômico material,
destrói a
solidariedade, traz
a corrupção política
e a tecnologia
destrutiva; o
segundo mantém o
sistema unido,
fortalece a
comunidade, a
cultura e a
identidade. Aceita
o que vem de fora,
respeitando os
aspectos de cada
cultura, fazendo uma
simbiose entre o
Ocidente e as
antigas culturas
tradicionais. |
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Alternativas
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Baseada no
desenvolvimento
material, a
Sociedade Ocidental
carece de
hospitalidade, de
cortesia e de uma
maior harmonia com a
natureza. Para
alterar este quadro,
Morin propõe um
decrescimento
econômico e
energético em prol
do florescimento de
uma economia verde,
remodelando as
cidades para
torná-las humanas e
suportáveis.
“Precisamos de uma
economia solidária e
verde que vença o
lucro.”
No decorrer da
palestra, ele cita
várias iniciativas
que promovem a
humanização de
comunidades carentes
e ressalta a falta
de conexão entre
elas, sugerindo que
a internet possa ter
um papel fundamental
nesta necessária
comunicação. Ele
propõe reformas na
agricultura
convencional que
traz mais males do
que benefícios.
“Também precisam ser
revistas, além da
pecuária moderna, a
consciência de mundo
e a educação.”
Referindo-se ao
processo educativo,
Morin cita Rousseau.
“Educar é ensinar a
enfrentar os
problemas da vida, a
ter compreensão
humana, a encarar as
incertezas e as
armadilhas do
conhecimento”. Uma
nova idéia de mundo
está relacionada à
reforma da educação
e do pensamento. As
vidas cronometradas
e monótonas também
podem ser
modificadas para
originarem maior
autonomia e maior
experiência de
comunidade.
“Devemos viver a
vida de maneira
polarizada em prosa
e em poesia. Em
prosa fazemos o que
somos obrigados, o
que pode cansar e
entristecer, mas é
necessário para
ganhar o pão. Em
poesia temos o que
realmente nos faz
viver: o amor, a
amizade, a comunhão,
a dança, o lúdico.”
Desenvolver o
poético da
vida permite
reformá-la e
construir a partir
do outro. “O outro é
diferente e
semelhante a nós por
possuir a mesma
capacidade de
sofrer, sorrir,
amar, pensar e
refletir.” Ele
ressalta que
primeiro é preciso
conhecer a si mesmo
para evitar
transferir as
próprias fraquezas
para o comportamento
do outro que deve
ser apreciado como
se estivesse em uma
tela de cinema. “Lá
aplaudimos um
mendigo, um operário
se este for vivido
por Charles
Chaplin”.
Ao “bem estar” que
remete a aquisição
de objetos
materiais, Morin
contrapõe a proposta
de “bem viver”,
citando Evo Morales.
Esta propõe-se a
ensinar um novo
viver e também
auxiliar o outro a
viver bem. “Uma
reforma deve incluir
tanto a vida social
quanto a individual,
uma reforma isolada
não dá certo. Um
exemplo claro disto
é a Revolução
Comunista de 1917
incapaz de criar um
sistema semelhante à
sua ideologia.
Aquilo que foi
criado ficou pior do
que existia
anteriomente e
emplodiu em 70 anos,
dando lugar ao
capitalismo e a
religiões mais
poderosas do que as
sufocadas no início
do século.”
Morin apresenta-se
otimista acreditando
que exista salvação
para continuar a
aventura da
humanidade, para ele
a História é uma
sucessão de crises e
nelas aumentam as
incertezas. “Como
respostas nos
períodos conturbados
podemos encontrar a
solução em algo
novo, regredir ao
passado ou acharmos
um bode expiatório.”
Nas suas últimas
palavras, ele afirma
que “toda
transformação
cultural também é
mental e
psicológica. A
esperança é como um
fermento para a
transformação e a
metamorfose. Todas
as reformas
intersolidárias, são
como córregos que se
unem para formar
rios os quais se
juntam até chegar a
um Amazonas. Assim
se forma um novo
caminho e o antigo
desintegra-se.” Ele
recomenda copiar o
modelo dos
adolescentes que têm
como aspirações a
maior autonomia e a
maior vivência em
comunidade.
“Hoje, o melhor da
humanidade pode se
desenvolver no
Brasil, pois aqui
existe uma simbiose
entre diferentes
povos e nações. Eu
mesmo penso algumas
vezes em me mudar
para o Brasil”,
conclui Morin
despertando risos na
platéia do Salão de
Atos da UFRGS e no
jornalista Juremir
Machado da Silva,
que apresentou o
palestrante francês. |
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19 de julho de 2011
Criminosos que destruíram Sede da Agapan são
indiciados pela Polícia Civil
Por
Adriane Bertoglio Rodrigues, assessoria de
Imprensa da Agapan/EcoAgência
Delegacia
Estadual de Meio Ambiente encaminha
inquérito para Ministério Público.
Três pessoas envolvidas na destruição da
Sede da Associação Gaúcha de Proteção ao
Ambiente Natural foram indiciadas pela
Delegacia Estadual de Meio Ambiente por
crimes de falsidade ideológica, tentativa de
estelionato, esbulho possessório e dano
qualificado com prejuízo considerável para a
vítima, no caso, a Agapan. De acordo com a
delegada Elisângela Reghelin, outras
“conclusões interessantes” do inquérito
foram remetidas na última sexta-feira, dia
15, para a Justiça e para o prefeito de
Porto Alegre, José Fortunati, com cópia para
a Procuradoria Geral do Município.
Elisângela se refere à legislação municipal
para concessão de alvarás e a um “certo
descaso, negligência e até desorganização do
próprio Poder Público municipal”, que
concedeu alvará de um terreno público, que
desde 15 de julho de 2004 estava cedido para
a Agapan, que possui termo de permissão de
uso por tempo indeterminado.
“Detectamos que o banco de dados da
Prefeitura não é alimentado no que tange à
propriedade de imóveis públicos. Isso chamou
a atenção porque a permissão de uso não
estava registrada no boletim, nem havia
registro de que o terreno se tratava de
imóvel municipal”, observa a delegada. A
responsabilidade de atualizar os dados,
segundo ela, cabe à Secretaria Municipal da
Fazenda (Sefaz) e à Procuradoria Geral do
Município, que, na época, firmou a permissão
de uso à Agapan.
Desde 1979 o imóvel localizado na esquina
das avenidas Aureliano Pinto de Figueiredo e
Praia de Belas pertence ao Poder Público.
“Dá pra verificar o atraso que temos em
relação à atualização do banco de dados e às
práticas administrativas”, destaca
Elisângela, ao calcular que atualmente são
emitidas de 80 a 100 alvarás por dia pela
Secretaria Municipal de Indústria e Comércio
(Smic). “Essa quantidade de emissões
propicia esse tipo de situação de
aproveitadores e de pessoas interesseiras”,
diz.
Falhas
e abusos
Em 6 de junho deste ano, um dia após o Dia
Mundial do Meio Ambiente, a sede da primeira
associação ambiental do Brasil e da América
Latina, a Agapan, foi destruída por
funcionários da Demolidora Gilberto Bexiga,
contratado pela Peruzatto & Kindermann, que
pretendia instalar uma pizzaria no local.
Eles apresentaram um alvará provisório da
Smic, “que não autoriza demolição, mas
permite a atividade”, analisa a delegada, ao
afirmar que apenas a Secretaria Municipal de
Obras (Smov) é que pode expedir ordem de
demolição, “o que não foi feito”.
Curiosa para entender como a Peruzatto &
Kindermann obteve alvará de funcionamento em
área que é terreno público e que tem termo
de permissão de uso à Agapan, a delegada
Elisângela intimou todos os envolvidos,
inclusive o secretário da Smic, Valter
Nagelstein. No inquérito, foi constatado que
os funcionários que assinaram o alvará não
provocaram crime. Apenas respeitaram os
trâmites exigidos por lei.
Conforme a investigação, que resultou em
denúncia de falsidade ideológica, os
requerentes foram à Smic de posse do CNPJ e
de contrato social obtido junto à Junta
Comercial. “Ao declarar na junta e na
receita um endereço que não era deles, eles
sabiam que se tratava de endereço público e
mesmo assim deram esse endereço”, diz, ao
destacar que Peruzatto & Kindermann não
apresentaram qualquer documento que
comprovasse posse de qualquer terreno,
propriedade ou até mesmo contrato de
locação. Elisângela critica a facilidade de
se abrir uma empresa em Porto Alegre. “Hoje,
em nossa economia globalizada, um dos crimes
mais complexos é a lavagem de dinheiro. Em
casos como o da Agapan, começo a entender
porque o Brasil tem esse cenário criminoso”,
observa.
Estelionato
Há também tentativa de estelionato por parte
da Peruzatto & Kindermann que “tenta
usufruir, sem aquisição ou locação, de uma
vantagem patrimonial mediante fraude, fraude
essa da falsidade ideológica”, disse a
delegada. De posse de CNPJ e contas de água
(Demae, Departamento Municipal de Água e
Esgoto) e de luz (CEEE), encontraram na Smic
facilidades permitidas através da Lei
Complementar 554 e do decreto 15.412, que
possibilita alvará provisório mesmo quando
não há instalações e é precário, pois a
qualquer instante é retirado/cassado, como
foi pelo secretário Neigestein. Para obter
alvará definitivo, é preciso apresentar
licença ambiental, habite-se, laudo da
vigilância sanitária, contra incêndio, entre
outros critérios. “Para o provisório, basta
o sujeito apresenta apenas uma declaração de
responsabilidade individual (“e é isso que
exige a lei 554, portanto não houve crime
por parte dos funcionários”, observa
Elisângela), afirmando que o local é
apropriado e adequado para o fim a que se
destina”, critica. Para ela, “essa
fragilidade na legislação ambiental favorece
o aproveitamento desses espertos, que
aproveitar os desvãos”.
Na avaliação do inquérito policial, a
delegada afirma que “os ambientalistas foram
vítimas, assim como a municipalidade”. A
delegada salienta os 40 anos da Agapan,
completados em 27 de abril deste ano,
“pioneira na América Latina em termos de
proteção ambiental. A Agapan precisa ser
respeitada e merece todo nosso respeito”.
A Delegacia do Meio Ambiente da Polícia
Civil calculou em R$ 13 mil os prejuízos
materiais da Agapan. “Não se pode avaliar de
forma isolada. Temos que ver que é uma
associação que depende da contribuição
voluntária dos associados e não possui outra
sede, então o prejuízo foi grande”,
salienta.
De acordo com o inquérito, o casal, que
considera “um barraco caindo aos pedaços” a
sede da Agapan, contratou a demolidora do
arquiteto Gilberto Bexiga, que já responde a
duas ações civis públicas da própria
Prefeitura e possui uma representação no
Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura (Crea) por fração irregular de
solo. O arquiteto também foi indiciado. Com
o inquérito policial, os três passam a ser
alvo de ação no Ministério Público, por
falsidade ideológica, dano qualificado com
prejuízo considerável pra vítima, tentativa
de estelionato e esbulho possessório.
Projetos:
Passado e Futuro
A Prefeitura, através das secretarias de
Indústria e Comércio, Obras e de Meio
Ambiente, se prontificou a buscar apoio para
a reconstrução da Sede da Agapan. Foi criado
um grupo de trabalho entre as instituições
que vai elaborar um projeto de sede com base
em critérios de sustentabilidade, como por
exemplo uso de materiais de demolição,
aproveitamento da água da chuva, energia
solar e ecotelhado. “Através da sede,
manteremos acessível para a população o
acervo de 40 anos de história ambiental de
Porto Alegre e do mundo”, destaca o
presidente da Agapan, Eduardo Finardi
Rodrigues.
Os ambientalistas lamentam outras
importantes perdas da Agapan com a
destruição criminosa da sede, como o
ecotelhado, telhado verde ou telhado vivo,
cuja evolução de seis anos poderia ser
estudada, e o tijolo ecológico, cuja
resistência era testada no local. “Vamos
retomar a pesquisa e outros projetos para a
nova Agapan, que há 40 anos segue voluntária
na defesa do bem-estar de todos”, destaca
Finardi, ao anunciar que, de posse do laudo
de inquérito da Delegacia de Meio ambiente,
vai ajuizar ação na justiça e no MP pela
reparação dos danos morais e ao patrimônio,
sofridos pela Agapan com a destruição da
sede.
Agapan - EcoAgência
03 de junho de 2011
Fundação Gaia presente na Feira dos
Agricultores Ecologistas
Por Cláudia Dreier
Em
uma banca especial, será distribuído um
panfleto sintetizando idéias de Lutz sobre
agricultura orgânica e contaminação de
agrotóxicos.
Para comemorar a Semana do Alimento Orgânico e o Dia
Mundial do Meio Ambiente, a Feira dos
Agricultores Ecologistas, FAE, têm atrações
especiais neste sábado, 04 de junho.
Presença das ONGs Fundação Gaia e InGá,
distribuição de sementes de variados milhos
e hortaliças, degustação de sucos da
floresta e sorteio de vale-compras
movimentam a feira.
Há 22 anos, desde que foi criada pela Cooperativa Coolméia,
a FAE defende o meio ambiente a partir de
uma prática agrícola tradicional, que foi
chamada agricultura ecológica e hoje está
difundida como agricultura orgânica. Muito
antes do selo e da certificação vistoriada
do Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento, os feirantes garantiam a
procedência dos seus produtos através da
venda direta e das visitas feitas tanto
pelos colegas feirantes como por urbanos que
frequentam a feira.
Sementes
crioulas
Uma amostra da biodiversidade de cultivos, cada vez mais
afetada pela agricultura moderna que elencou
poucas espécies para serem produzidas em
larga escala e alimentarem a população
mundial, foi vista no último sábado, na
exposição de milhos e pipocas coloridos. Ao
seu lado, foi realizada uma oficina para
demonstrar como se produz um solo fértil e
saudável. Muitos queriam levar as sementes,
que serão distribuídas no dia 04 a partir
das 7h. “Primeiro é preciso preparar a
terra, para depois semear”, justifica Vilson
Stefanoski que demonstrou quais os
ingredientes são essenciais para obter uma
terra que transforme as sementes em plantas
saudáveis.
Guardadas da colheita anterior e aptas à reprodução,
diferindo das híbridas vendidas pelas
sementeiras, essas sementes usualmente
chamadas de crioulas trazem no histórico de
tal vocábulo um sentido pejorativo. “Em uma
pesquisa, Sebastião Pinheiro descobriu que a
denominação “crioula” referia-se às espécies
excluídas do rol de sementes comercializadas
pela Fundação Rockefeller. Assim, devemos
utilizar outra expressão mais apropriada à
técnica de reproduzir os cultivos de maneira
autóctone ao longo dos anos e décadas”
explica Nelson Dihel, um dos fundadores da
FAE.
Além dos milhos e pipocas tradicionais das Américas, a
partir das 9h30min, também serão
distribuídas sementes orgânicas de
hortaliças. Estas são produzidas pela
empresa gaúcha Bionatur e foram doadas à
Semana do Alimento Orgânico pelo projeto
Sementes, do Banrisul. O projeto trabalha
com sementes crioulas, de horticultura
agroecológica e com mudas e sementes de
árvores nativas. “Um dos objetivos do nosso
trabalho é permitir que o agricultor
mantenha a variedade genérica das culturas e
consiga uma maior autonomia em termos de
segurança e soberania alimentar” explica
Simone Azambuja, coordenadora do projeto.
Simone é bióloga e mestre em desenvolvimento
rural e estará na FAE distribuindo as
sementes.
Preparar a terra
O ambientalista José Lutzenberger, que trabalhou por muitos
anos na Basf, empresa de adubos químicos e
venenos agrícolas, pediu demissão no início
da década de 1970 e voltou ao Brasil para
defender a agricultura tradicional,
contrapondo-se à Revolução Verde. Ao
realizar palestras pelo território gaúcho,
estimulou centenas de agricultores a
voltarem ao sistema de produção ensinado por
seus pais e avós. Entre aqueles, alguns
tornaram-se produtores da FAE.
Em 1987, Lutz criou a Fundação Gaia e na sua sede rural, o
Rincão Gaia, colocou em prática suas teorias
a respeito de um sistema produtivo
equilibrado que respeite as leis e
características dos processos naturais.
Presente na FAE neste sábado, a Fundação
Gaia irá distribuir uma “receita” para um
solo saudável e um alerta sobre o uso dos
venenos. A ONG estará localizada em frente à
Banca do Meio.
Menos plástico
Os interessados em receber as sementes de milhos ou
hortaliças precisam poupar os feirantes da
distribuição de sacolinhas brancas. Ao
comprar na banca trazendo sua sacola de
casa, a pessoa deve pedir o seu cupom . Este
dá direito a receber as sementes e também, a
participar do sorteio de vale-compras que
podem ser trocados por produtos escolhidos
na primeira quadra da José Bonifácio, onde
acontece a FAE. A urna dos sorteios fica na
Banca do Meio, ao lado da Banca das Sementes
e do caldo-de-cana.
Para degustar os sucos das frutinhas da
floresta, os frequentadores da feira devem
trazer as suas canecas, outra atitude
saudável para melhorar a qualidade dos
alimentos e diminuir a quantidade de copos
plásticos descartados na natureza. Os sucos
são oferecidos pela Família Bellé e
degustados na Banca do InGá, ao lado da Via
Sapiens. A ONG também promove um
abaixo-assinado em prol “da
coleta
e do manejo sustentáveis, bem como do
beneficiamento de frutas nativas”.
A
Feira dos Agricultores Ecologistas acontece
na primeira quadra do canteiro central da
avenida José Bonifácio, em Porto Alegre, aos
sábados das 7 às 13h.
27 de maio de 2011
Inicia a VII Semana do Alimento Orgânico
Por Cláudia Dreier – Feira dos Agricultores
Ecologistas
José
Lutzenberger foi um grande mestre da
agricultura limpa de venenos e adubos
químicos, atualmente divulgada como
Agricultura Orgânica.
Neste sábado, 28 de maio, a Feira dos
Agricultores Ecologistas tem atrações
especiais para marcar a abertura da VII
Semana do Alimento Orgânico realizada em
nível nacional. Mostra de produtos crioulos,
uma inédita Oficina de Composição de Solo e
o lançamento da edição Outono 2011 da
revista The Ecologist Brasil estão entre as
atrações que se realizam junto à Banca do
Meio.
Existindo há 22 anos, a FAE foi uma grande
promotora da Agricultura Orgânica, recebendo
visitantes de toda Região Sul que se
inspiraram no seu modelo de produção e, a
partir dele, organizaram feiras nas suas
cidades de origem. Atualmente, em âmbito
mundial, o Sul do Brasil é a região que mais
produz alimentos orgânicos destinados ao
consumo local
Agricultura Orgânica.
A base para uma planta saudável produzir
bem, dispensando venenos e adubos químicos,
é um solo rico e equilibrado. E como
produzir esse substrato que garante a saúde
dos alimentos?
Vilson Stefanoski, produtor de Cerro Grande
do Sul, realiza uma Oficina de Composição de
Solo para mostrar os ingredientes utilizados
no preparo da terra. “Além de contar com os
recursos disponíveis no local, é fundamental
conhecer bem a paisagem para saber como
melhor manejá-la”, explica Vilson.
Localizada no Escudo Sulriograndense, a
propriedade do agricultor possui mata ciliar
primária, mata de encosta e de topo. As
estufas ficam ao lado das árvores antigas,
próximas à bacia de inundação do riacho.
Este serve como criadouro da azola, uma
planta aquática que só existe em águas
limpas, que é também utilizada como um dos
componentes do solo.
Outro ingrediente vem da serragem que
repousa junto à mata de topo e, assim, pode
ser trabalhada pelos fungos que ali vivem.
No preparo da horta ainda é utilizado o pó
de rocha e o próprio chão do local. As
quantidades de cada um e funções dos
componentes do solo serão demonstradas na
Oficina que acontece em dois momentos, às 9h
e às 11h30min, junto à Banca do Meio.
Produtos Crioulos
Resultado da concentração nas mãos de
grandes empresas químicas, as fábricas de
sementes têm oferecido no mercado produtos
híbridos e até transgênicos, dificultando a
auto-reprodução das culturas. Os chamados
produtos crioulos abrangem aqueles que o
agricultor consegue reproduzir baseado nas
colheitas das safras anteriores.
Para saber quais produtos ofertados na feira
possuem essa característica, uma Mostra de
Produtos Crioulos, cultivados a partir de
sementes e mudas, será exibida na Banca do
Meio. Entre os destaques estão os vários
tipos de arroz, feijões, morangas, temperos
verdes, chás, frutas, batatas e algumas
verduras. Nestas destaca-se a alface caxias,
cuja semente estava perdida e foi resgatada
com um produtor do interior. Já as sementes
da cenoura e da beterraba são muito difíceis
de reproduzir devido à manipulação
industrial que tornou a maioria delas
híbridas.
Em frente à Mostra, na Banca do Seu
Carneiro, acontece o lançamento da Revista
The Ecologist Brasil – Outono de 2011. Nesta
edição o grande destaque é dado às energias
renováveis, especialmente à eólica, que
aparece capa da publicação.
No próximo sábado, no encerramento da
semana, a FAE sorteia e entrega vale-compras
para quem trouxer sua sacola, dispensando os
plásticos solicitados nas bancas. Uma banca
especial irá distribuir sementes de
hortaliças e a Banca da Fundação Gaia
divulga material do Ecologista José
Luzenberger sobre o perigo dos venenos
utilizados na agricultura convencional.
A Feira dos Agricultores Ecologistas
acontece aos sábados de manhã, das 7 às 13h,
no canteiro central da primeira quadra da
avenida José Bonifácio, em Porto Alegre.
16 de maio de 2011
O novo código florestal: um tiro no pé
Por Paulo Backes exclusivo para a Fundação
Gaia
Paulo Backes
argumenta sobre a falta de sustentabilidade
do sistema de produção hegemônico que
insiste na aprovação, em regime de urgência,
do novo código florestal. Backes é agrônomo,
fotógrafo, paisagista e consultor da
Fundação Gaia.
O
modelo agrícola mundial é, na maioria dos
casos, o que há de menos sustentável nesse
planeta. Por quê?
Porque para produzir gasta muita energia:
desde a fabricação do adubo, seu transporte
e sua distribuição na lavoura; em seguida,
mais energia para lavrar, gradear,
pulverizar, colher, etc etc. Depois, mais
energia para transportar e vender para o
consumidor.
Isso
tudo em escala global. No caso brasileiro da
soja, por exemplo, o adubo pode vir dos
quatro cantos do planeta e o grão voltar
para esses mesmos quatro cantos. Pior ainda
se esse grão virar combustível (biodiesel),
como acontece com o milho nos EUA. Quanto de
energia foi gasto para produzir essa energia
falsamente verde?
Além disso, para produzir, destrói paisagens
naturais fundamentais para que o planeta
consiga amenizar o aquecimento global. Os
ecossistemas naturais são um dos mecanismos
mais importantes que o planeta dispõe para
sua regulagem climática. E dentre estes, a
floresta é um dos mais efetivos.
Ao
querer alterar o código, o agronegócio quer
avançar sobre os ecossistemas naturais
restantes para produzir energia e alimentos,
mas destruindo um dos poucos remédios que o
planeta possui.E o que é pior, gastar
praticamente a mesma quantidade de energia
que produz nessas lavouras as quais são
movidas a petróleo.
Isso
tudo para enfatizar que essa discussão do
novo código tem a ver com o aquecimento
global e regulagem climática, tanto na
escala global, quanto na local, pois quanto
menos florestas tivermos na nossa volta,
mais duro vai ser enfrentar o nosso "forno
alegre".
Usar a agricultura para satisfazer nossa
orgia energética é um gigantesco erro
estratégico, é um tiro no pé!
14 de maio de 2011
José Lutzenberger homenageado na Feira
Ecológica
Por Cláudia Dreier – Feira dos Agricultores
Ecologistas
Os
agricultores que receberam os ensinamentos
de Lutzenberger homenageiam o grande
defensor da agricultura regenerativa
atualmente popularizada como orgânica ou
ecológica.
No dia em que se completa nove anos de
partida, 14 de maio, o ambientalista José
Lutzenberger é homenageado na Feira dos
Agricultores Ecologistas, FAE. Assíduo
frequentador da feira localizada próxima a
sua casa, no Bairro Santana em Porto Alegre,
o ecologista foi um grande defensor e
propagador de cultivos livres de venenos e
adubos químicos.
Lutz percorreu vários locais do Rio Grande
do Sul durante a década de 1970 para
divulgar a importância da agricultura
regenerativa, atualmente popularizada como
orgânica ou ecológica. "Até hoje lembro das
palavras dele, quando foi à nossa região,
recomendando que voltássemos às práticas
agrícolas que nossos pais e avós faziam"
comenta Aldacir Menoncin Bellé, produtora do
município de Antônio Prado.
Oficina de cactos e suculentas, informações
do ambientalista sobe energia nuclear e as
atividades da Fundação Gaia estão entre as
atrações programadas na FAE para este
sábado. As homenagens acontecem na Banca do
Meio, ao lado do caldo-de-cana, localizada
no canteiro central da avenida José
Bonifácio em Porto Alegre.
Cactos e suculentas
Atento observador da natureza, Lutzenberger
tinha um grande fascínio pelas cactáceas e
suculentas, plantas rústicas que apresentam
flores surpreendentes. "Os cactos têm
aparência agressiva e são capazes de
sobreviver nos ambientes mais inóspitos e
áridos. Além desta inacreditável capacidade
de adaptação, de tempos em tempos, explodem
em uma floração de beleza surpreendente",
comenta Fernando Bergamin.
Formado em agronomia, Bergamin conheceu o
ambientalista em 1985, quando ainda estava
na faculdade, e três anos depois foi
trabalhar para ele na empresa Vida. O
encantamento pelas plantas rústicas
contagiou o jovem agrônomo que desenvolveu
uma coleção particular, cujas mudas
encontram-se expostas na banca do Sítio
Nahyr e podem ser adquiridas por
apreciadores dessas espécies.
Qual a diferença entre um cactos e uma
suculenta? Além da responder a esta dúvida,
às 10h, Bergamin ensina formas de semeadura
e transplante, mostra os substratos mais
adequados, as técnicas e os cuidados
necessários para cultivar essas plantas
peculiares. As atividades fazem parte de uma
oficina gratuita oferecida aos
frequentadores da feira e trazem à
atualidade o conhecimento deixado por
Lutzenberger.
Legado Lutzenberger
A agricultura regenerativa estava entre as
tecnologias brandas defendidas pelo
ambientalista que antes dos desastres
acontecerem, já alertava para os perigos e
consequências catastróficas do uso da
energia nuclear. Tocada pela tragédia
ocorrida no Japão, Lilly Lutzenberger
resumiu três artigos Os
Perigos da Poluição Nuclear, Os
Custos Ambientais do Uso ‘Pacífico’ da
Energia Nuclear e Aprendiz
de Feiticeiro escritos por
seu pai que esclarecem como ocorre a geração
de tal energia e suas consequências
irrecuperáveis.
Na Banca do Meio, os frequentadores da feira
poderão consultar esse resumo que alerta
sobre os perigos da energia nuclear. Alguns
parágrafos do mesmo serão ampliados em
pequenos cartazes para destacar tópicos
fundamentais. "Quando
mexemos com o átomo, mexemos com mecanismos
básicos da estrutura do Universo. Podemos
produzir plutônio, podemos até consumi-lo no
reator, mas jamais conseguiremos recuperar o
plutônio disperso no ambiente, da mesma
forma que jamais conseguiremos eliminar a
radiação dos elementos radioativos ou
alterar sua meia vida.” O
link do texto completo, que se encontra na
página da Fundação Gaia, entidade criada
pelo ambientalista, também será
disponibilizado aos interessados, www.fgaia.org.br/texts/ENERGIANUCLEAR%20.pdf.
Informações sobre as atividades da Fundação
Gaia e imagens do Rincão, sede rural
localizada em Pantano Grande, também podem
ser apreciadas na Banca do Meio. Os livros
do autor, que juntamente com os artigos,
mostram como suas idéias continuam atuais e
pertinentes, são encontrados na Via Sapiens,
localizada ao lado da Banca do Arroz.
A Feira dos Agricultores Ecologistas
acontece todos os sábados, das 7 às 13h, no
canteiro central da primeira quadra da
avenida José Bonifácio, junto à Osvaldo
Aranha, em Porto Alegre.
15 de abril de 2011
Feira Ecológica participa de campanha
mundial em prol das sementes crioulas
Por Cláudia Dreier – Feira dos Agricultores
Ecologistas
Neste
sábado, 16 de abril, a Feira dos
Agricultores Ecologistas participa de um
movimento mundial em prol das sementes
crioulas. A petição assinada na feira em
Porto Alegre, será remetida ainda no sábado
a Portugal para ser enviada a Bruxelas.
Neste sábado, 16 de abril, a Feira dos
Agricultores Ecologistas participa de um
movimento mundial em prol das sementes
crioulas. A Banca do Meio disponibiliza o
endereço de uma petição eletrônica e também
folhas impressas para quem quiser
assinar manifestando-se à favor da liberdade
de circulação das sementes e das variedades
agrícolas.
Militantes de vários países encontram-se,
neste domingo e segunda-feira, 17 e 18 de
abril, em Bruxelas na Holanda para
manifestar sua opinião em prol das sementes
questionando a "Lei das Sementes" a ser
proposta em 2011 pela Comissão Europeia. A
petição assinada na feira em Porto Alegre,
será remetida ainda no sábado a Portugal
para ser enviada à Bruxelas.
Os que puderem assinar em meio eletrônico
podem acessar o link
http://gaia.org.pt/civicrm/petition/sign?sid=1&lcMessages=pt_PT e
após o preenchimento e envio é preciso
confirmar a assinatura através de um
e-mail recebido no endereço eletrônico de
quem participou da petição.
Na página da campanha,
http://www.seed-sovereignty.org/PT/index.html
que possui tradução inclusive para o
português, existem documentos que justificam
a proposta. Em seguida é feita a transcrição
de alguns parágrafos.
Ocorrendo normalmente também no feriado da
Páscoa, a Feira dos Agricultores Ecologistas
acontece aos sábados, das 7h às 13h, na
primeira quadra da avenida José Bonifácio,
próximo à Osvaldo Aranha, em Porto Alegre,
RS.
Briefing da campanha
___________________
As novas regras, a serem aprovadas, terão
força de lei e sobrepor-se-ão às leis
nacionais de cada Estado-Membro da União
Européia, podendo vir a limitar
drasticamente a livre circulação de
sementes, impedir os agricultores de guardar
sementes e ilegalizar todas as variedades de
plantas não homologadas pelas empresas.
Nestas incluem-se muitos milhares de
variedades tradicionais, a herança genética
vegetal da Europa.
Com esta nova lei, a Comissão Europeia
pretende satisfazer as exigências da
indústria de sementes, que nas últimas
décadas assumiu os contornos de um
oligopólio, com dez empresas – gigantes da
agroquímica – a controlar atualmente mais da
metade do mercado mundial das sementes
comerciais e a quase totalidade do mercado
das sementes transgénicas. A indústria de
sementes considera que a prática de guardar
sementes e a produção de variedades não
registadas constituem concorrência
'desleal'.
Ao eliminar esta concorrência, com o
pretexto de criar um mercado 'justo' e de
proteger a saúde pública, as grandes
empresas de sementes podem começar a cobrar
direitos aos cerca de 75% de agricultores de
todo o mundo que ainda continuam a guardar e
utilizar as suas próprias sementes. Esta
privatização de fato das sementes, que são
um bem comum criado pela ação humana ao
longo de milénios, e que não tem conhecido
fronteiras, constitui uma ameaça ao
património fitogenético da humanidade, à
segurança alimentar e à saúde dos
ecossistemas cultivados.
Durante milhares de anos agricultores pelo
mundo fora têm contribuído para a adaptação
e melhoramento das plantas para produzir os
nossos alimentos, tecidos e medicamentos. A
produtividade e resistência destas plantas
estão intimamente ligadas à sua diversidade.
Mais diversidade significa maior
probabilidade de salvar colheitas de
alterações climáticas, intempéries ou
pragas.
No entanto, nas últimas décadas, a sabedoria
do agricultor qudiversificaca os seus
cultivos e adapta pacientemente as
variedades às diferentes condições de solo e
de clima, foi abandonada em prol de uma
agricultura industrial de grande escala,
favorecendo as monoculturas de um número
limitado de variedades e o uso intensivo de
agroquímicos para forçar a produtividade e
resistência das plantas.
Segundo dados da FAO, a comida que a maioria
dos ocidentais coloca hoje no prato provém
de apenas 12 espécies de plantas e 5
espécies de animais, quando existem entre
10.000 a 50.000 espécies comestíveis. Arroz,
trigo e milho constituem 60% da alimentação
humana vegetal. Por consequência, no último
século, perdemos a nível mundial cerca de
75% da biodiversidade agrícola à medida que
os agricultores abandonavam as múltiplas
variedades locais a favor de variedades
muito produtivas mas geneticamente
uniformes.
Com a crescente resistência dos consumidores
e agricultores à adoção de transgêncios, os
gigantes do agronegócio procuraram uma via
para entrar no mercado convencional. A
subsequente concentração no mercado das
sementes colocou, como já foi mencionado,
mais de metade das sementes comerciais
convencionais nas mãos das mesmas empresas
que controlam os OGM, os agroquímicos e a
biotecnologia. O que lhes resta agora, é
encontrar maneira de cobrar direitos aos
agricultores que ainda guardam e reproduzem
as suas sementes. E a Comissão Europeia está
prestes a oferecer-lhes as ferramentas para
concretizar este desejo. Com a Europa a
bordo, o resto do mundo não terá outra
hipótese senão aderir à lógica da
industrialização e privatização da
agricultura e submeter-se à hegemonia das
multinacionais do agronegócio
17 de março de 2011
À sombra da catástrofe nuclear
Por David Case, do Global Post (Envolverde/Outras
Palavras)
O desastre
nuclear em Fukushima, Japão, continua a se
agravar. Múltiplas explosões fizeram saltar
os tetos e paredes externas de reatores da
usina e uma luta heróica está em curso, para
prever o pior. Durante vários dias, as
autoridades tentaram tranquilizar o público.
Agora, pedem ajuda.
Para obter respostas independentes sobre os
riscos enfrentados pela população, o Global
Post entrevistou Arnold Gundersen, de 39
anos, ex-veterano da indústria nuclear. Hoje
professor de Física e Matemática em Kent
(veja sua história), Gundersen trabalhou
como operador de usina nuclear e atuou como
especialista na investigação do incidente de
Three Mile Island, nos EUA.
Autoridades japonesas afirmam que a
possibilidade de uma emissão de
radiatividade em larga escala é pequena.
Você concorda?
Arnold: Temo que a possibilidade seja de 50%, o que não considero “pequeno”.
Qual a base do seu cálculo?
Arnold: Há diversas razões. Temos três reatores envolvidos. Além disso, a
radiação já está sendo captada por aviões a
150 quilômetros de distância e na cidade. Se
for cada vez mais difícil controlar estas
instalações, as tentativas de conter a
contaminação irão falhar. Isso resultaria no
lançamento rápido de enormes doses de
radiação.
O New York Times relata que as emissões
radiativas poderiam durar semanas ou meses.
Que preocupação isto causa? Em que momento
um reator no estado dos de Fukushima
torna-se menos perigoso?
Arnold: A reação em cadeia foi interrompida. Ela durou dois segundos. Mas os
isótopos radiativas ainda estão se
desintegrando. O processo durará pelo menos
um ano. Por isso, é preciso reduzir em muito
a pressão dos reatores, a cada dia. Isso
exige liberar isótopos radiativos, também.
O New York Times está certo quando afirma
que cada reator – três dos quatro da usina –
precisará abrir válvulas todos os dias para
garantir a queda de pressão. E haverá
radiações destas instalações por pelo menos
um ano.
Quais as ameaças para as saúde?
Arnold: Em 90 dias, os riscos causados pela iodina radiativa desaparecerão,
porque ela se desintegrará. Mas os isótopos
mais nocivos – césio e estrôncio – durarão
30 anos. E são voláteis.
No acidente de Three Mile Island, estrôncio
foi detectado a 220 quilômetros do reator.
Termina no leite das vacas e não desaparece
por 300 anos. As emissões dos reatores
japoneses vão durar um ano e conterão
elementos que permanecerão na natureza por
três séculos, no melhor dos casos. Se houver
uma explosão, será muito pior.
O grande risco num acidente nuclear é que o
calor torne-se intenso a ponto de romper a
blindagem de aço, lançando enormes doses de
radiação. Você diz que este risco é,
atualmente, de 50%. Quais seriam as
consequências, se o pior ocorresse?
Arnold: De alguma forma, as blindagens já se romperam. Iodina radiativa e césio
foram encontrados na natureza, porque o
primeiro reator explodiu. Sua presença na
atmosfera é uma indicação clara da ruptura.
O vazamento é de 1% dos isótopos radiativos
gerados, por dia? Provavelmente. Nestas
condições, ele afetará as cidades a um raio
de 3 quilômetros. Acho que ninguém poderá
voltar a elas em cinco anos. Num raio maior,
de 20 quilômetros, acredito que o isolamento
tenha de chegar a seis meses. Tudo isso na
melhor hipótese, a de que se evite um
derretimento. Se ele ocorrer, não poderá
haver ninguém, num raio de 30 quilômetros,
por dez ou quinze anos.
Por que o isolamento?
Arnold: Nas regiões contaminadas, haverá alta incidência de câncer. As águas
subterrâneas serão atingidas. Com um
derretimento, tudo, a quilômetros de
distância do reator, será contaminado.
Qual seria a rapidez da contaminação da
água?
Arnold: Em Chernobyl houve um derretimento e a faixa de águas subterrâneas
contaminadas está aos poucos expandindo-se
até Kiev, uma cidade muito grande distante
cerca de 130 quilômetros. Não é algo fácil
de mitigar.
É um problema grave num país como o Japão,
muito populoso e com área relativamente
reduzida.
Arnold: Claro.
Você afirma que a blindagem já foi afetada,
ao contrário do que dizem as autoridades
japonesas. Como você pode saber que está
certo?
Arnold: Há iodina radiativa e césio no ambiente. É uma indicação de que os
reatores estão vazando. Exatamente quanto, é
difícil dizer. Não posso entender como estas
autoridades podem dizer que as emissões são
baixas, sem ter os instrumentos operando. É
muito difícil determinar os níveis de
radiação e de pressão.
O Japão e sua indústria nuclear fizeram
investimentos muito pesados em energia
nuclear. Também depois de Three Mile Island
e de Chernobyl, afirmou-se que não haveria
problemas, até que eles apareceram. Por
isso, não acredito muito em pronunciamentos
oficiais na primeira semana de um acidente.
Significa que as pessoas com acesso a
informação têm interesses em tornar as
informações tão tranquilizadoras quanto
possível?
Arnold: Sim, além disso de as autoridades buscarem evitar o pânico. Há o
interesse financeiro de longo prazo em
minimizar o impacto. Perde-se transparência,
no processo de construção da informação.
Estamos todos lidando com informações de
segunda mão.
Ouvi de uma fonte que o segundo reator não
pode ser ventilado, porque o ventilador
quebrou. Não sei se é verdade ou não. Goste
de ter ao menos duas fontes. Mas o acidente
ainda não terminou. E ele pode agravar-se,
antes de começar a se dissipar.
Se o sistema de ventilação estiver quebrado,
a pressão continuará subindo, até que algo
catastrófico ocorra?
Arnold: Neste caso, sim.
Tivemos explosões em dois dos prédios onde
os reatores estão instalados. Você operou
reatores nucleares. Num caso como este, as
salas de controle seriam afetadas pelas
explosões? E como é possível continuar
controlando os reatores, em tais
circunstâncias?
Arnold: Sim, as salas de controle estão quase totalmente inabitáveis. Os
operadores devem estar usando cilindros de
oxigênio, para não respirar ar contaminado
depois que a ventilação falhou. A sala de
controle fica muito próxima aos reatores,
provavelmente a uns 60 metros. Duvido que
seja possível fazer muita coisa por lá.
Estão contaminadas, seu ar não pode ser
respirado. E é muito difícil fazer algo
usando um cilindro de oxigênio e roupas
parecidas com uma bolha.
Nesse caso, como se reduz a pressão? Os
técnicos estariam sendo enviados ao reator,
para realizar tarefas manualmente?
Arnold: Podem mandar gente para abrir manualmente uma válvula. Mais tarde, esta
pessoa terá de voltar para fechá-la, também
com as mãos. Num terreno de radiação
intensa, é possível fazer poucas viagens
antes de se expor aos limites máximos de
radiação. Os trabalhadores recebem doses
muito grandes, em curtos períodos. Não se
pode expô-los a muitas tarefas, para não
liquidar sua saúde. É um trabalho altamente
especializado.
As doses a que os trabalhadores estão sendo
submetidos os afetarão?
Arnold: Os riscos de desenvolverem câncer aumentará dramaticamente porque, de
qualquer forma, as doses diárias que recebem
superam as que se pode sofrer num ano. Para
cada 250 rem recebidos, haverá um câncer. É
um dado muito bem estabelecido. Entre um
grupo submetido a 2,5 rem, haverá um câncer
para cada cem pessoas.
A esta altura, Tóquio está a salvo?
Arnold: O vento dilui e espalha a radiação. Tóquio está distante. Mas a
Alemanha também não fica perto de Chernobyl,
e o solo em algumas partes da Alemanha foi
tão contaminado que ainda se proóbe a caça
de javalis, 25 anos depois.
Ressalto que, no caso japonês, não temos
medidas acuradas. Um avião cargueiro
norte-americano passou a 160 quilômetros do
acidente, e a tripulação recebeu, em uma
hora, a dose de radiação que normalmente
receberia em um mês.
A radiação pode chegar aos Estados Unidos?
Arnold: Ela certamente chegará. Chernobyl chegou aos Estados Unidos. A questão
é: quanta radiação? Não há dados para
prever.
Há riscos de contaminação dos alimentos?
Arnold: No Japão, certamente.
Tradução: Antonio
Martins
*Publicado originalmente no site Outras
Palavras - http://www.outraspalavras.net/2011/03/15/a-sombra-da-catastrofe-nuclear/
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É livre a reprodução exclusivamente para
fins não comerciais, desde que o autor e a
fonte sejam citados e esta nota seja
incluída.
04 de março de 2011
Ciclistas fazem manifestação em Porto Alegre
por convivência e respeito
Por Adriane Bertoglio Rodrigues da
EcoAgência
Mais de
duas mil pessoas pedem ciclovias e justiça
no caso do atropelamento de ciclistas.
Manifestações de apoio acontecem em várias
cidades do Brasil e de outros países.
Prefeitura confirma reunião com ciclistas
para o dia 10 de março.
Do bebê de colo ao aposentado. Nesta
terça-feira, 1º de março, mais de duas mil
pessoas de todas as idades participaram da
manifestação dos ciclistas de Porto Alegre
contra o atropelamento da última sexta-feira
(25) e percorreram cinco quilômetros, do
Largo Zumbi dos Palmares à Prefeitura, onde
foram recebidos pelo secretário de
Governança, Cezar Busato. Das 18h30 às 21h,
palavras de ordem pedindo "Justiça", e coros
entoando "menos carro, mais amor, o povo
quer ciclovia e metrô", "paz e amor, menos
motor", e "uma bicicleta, um carro a menos",
ecoaram pelas ruas José do Patrocínio,
cruzando a Lopo Gonçalves, Lima e Silva,
Fernando Machado e Borges de Medeiros.
Durante o percurso até a Prefeitura, várias
manifestações. Ataduras, folhes brancas e
cartazes simbolizavam sofrimento e paz.
Vereadores, artistas, empresários e
estudantes defendem a convivência pacífica
de pedestres, ciclistas e motoristas.
"Temos que viver e conviver bem, porque a
cidade é de todos nós", disse o secretário
Busato, ao apoiar a criação de um Grupo de
Trabalho entre representantes da EPTC
(Empresa Pública de Transporte e Circulação)
e dos movimentos de ciclistas. A decisão foi
acompanhada pela presidenta da Câmara
Municipal, vereadora Sofia Cavedon (PT).
Para ela, como regime de urgência, a
Prefeitura deve pintar ciclofaixas, já
previstas no Plano Cicloviário de Porto
Alegre. "Definir um espaço compartilhado e
seguro pode começar a chamar a atenção dos
motoristas e do próprio ciclista. As pessoas
precisam ser sensibilizadas", diz Sofia, ao
anunciar que o pedido de medidas
emergenciais será encaminhado ao prefeito
nos próximos dias.
Para o também vereador Beto Moesch (PP), o
atropelamento é uma das consequências da
falta de ciclovias, de bicicletários e de
educação no trânsito. "Se tivéssemos
segurança, não teria acontecido, assim como
essa manifestação mostra o quanto a cidade
quer e precisa de ciclovias", diz Moesch.
Para ele, a audiência pública prevista para
o dia 7 de abril, na Câmara Municipal, deve
acelerar o processo de implantação da
ciclovia de quase 500 quilômetros, prevista
no Plano Cicloviário de Porto Alegre. De
acordo com o Plano, as ciclovias devem ser
implantadas até 2025. "É muito tempo para
uma cidade que tem 700 mil veículos, um
carro para cada dois habitantes", critica
Moesch.
Valores
Jovens, estudantes e professores percorreram
a manifestação, que também foi acompanhada
por representantes do Vida Urgente, que há
15 anos defende a vida no trânsito. "Nosso
trabalho voluntário prega o valor da vida.
Precisamos dar mais valor à vida", defende
Ananda Paradeda, estudante e atriz, que
lamenta "a covardia enorme que aconteceu".
"Vivemos esse risco todo dia", salienta
Fábio Tentardini, professor de Educação
Física e skatista, ao observar que "o que
vale é a lei do mais forte". Mesmo assim,
aconselha as pessoas a não se abalarem com o
fato do atropelamento. "Andem nas calçadas,
mas não deixem de utilizar a bicicleta e o
skate", sugere.
De acordo com o Código Brasileiro de
Trânsito, o ciclista não pode andar nas
calçadas. "No trânsito, os motoristas
buzinam pra assustar e, nos parques, as
pessoas se queixam de dividir o espaço. Onde
pedalar?", pergunta Marina Maia, que
participa de pedaladas desde o final do ano
passado e usa a bicicleta como meio de
transporte para ir ao trabalho. Exemplo
similar ao de Alexandre de Tomazewsky,
professor de História, conhecido como
Fariseu. "Rasguei minha carteira de
motorista há 10 anos e vou pedalando ou
caminhando até cada uma das cinco escolas
onde trabalho", diz.
Pressão
Na calçada da Rua Lima e Silva, no bairro
Cidade Baixa, a moradora Maria de Lourdes
Pereira acompanha o vai-e-vem dos
helicópteros da imprensa e a passagem dos
manifestantes. "A manifestação tá bem legal.
Não esperava tanta gente. Acredito que esse
movimento pressione as autoridades a
construírem ciclovias", diz, ao considerar
uma estupidez o incidente da última
sexta-feira.
Para o cartunista Santiago, morador da
Cidade Baixa, "há males que vêm para o bem".
Ele explica que o debate sobre o trânsito há
muito tempo tinha que estar na mídia,
"tremendamente comprometida com as
montadoras", denuncia. Sua opinião é
defendida por Denis Beauchamp, canadense e
autor do livro
A Casa
Limpa da Faxineira Ecológica.
Para ele, o carro é a ponta do iceberg do
trânsito em Porto Alegre. "Vemos todos os
dias a fragilidade do ciclista, cuja vida é
colocada em risco", diz, ao contar que a
primeira vez que usou bicicleta em Porto
Alegre, há quatro meses, foi atropelado por
um caminhão, e o outro, que vinha logo
atrás, passou por cima de seu meio de
transporte. "Quem pedala aqui é corajoso",
afirma. Denis salienta que a força popular e
política da manifestação não vai permitir
que a prefeitura permaneça escondida e
calada. "Já que o Executivo defende a
realização do Fórum Social Mundial, o mínimo
que pode fazer é oferecer ciclovia. Não tem
porque não ter ciclovias aqui. Agora é a
hora".
Força popular
A grande manifestação surpreendeu a
funcionária pública Andrea Luçardo, que diz
usar a bicicleta o máximo possível e que até
hoje não sofreu nenhum incidente. Para ela,
o trânsito é sempre uma loucura, seja de
bicicleta, de carro ou a pé. Com 10 anos, a
estudante da 5ª série Jordana Espinosa diz
não ter medo de pedalar, hábito quase diário
que mantém com a mãe. Para ela, a
manifestação pode alertar os motoristas
para que respeitem os ciclistas e que não
avancem os sinais. "Isso até ajuda o meio
ambiente", completa.
Além de diversão, saúde e não poluição, a
bicicleta é uma alternativa para o trânsito,
mas é vista principalmente como uma prática
esportiva. O comentário é da artista
plástica Vera Vignatti, que pedala há seis
anos com o grupo Raia Sul e diz não ter
coragem de sair sozinha. "Em grupo é mais
seguro, mas o que falta é o poder público
investir mais em ciclovias".
O poder das mídias sociais
A participação de mais de dois mil
simpatizantes e apoiadores dos ciclistas
impressionou muitas pessoas, mas já era
esperada por Ricardo Onofrio, integrante do
Massa Crítica. "Os movimentos sociais têm se
propagado pela internet. Há cinco anos, não
teríamos câmeras nem celulares com
ferramentas capazes de gravar e disseminar
essas imagens. Hoje tudo é documentado e
provado, e as respostas são instantâneas",
diz. Onofrio considera o atropelamento um
ato hediondo. "Ele (Ricardo Neis) assumiu o
risco quando atropelou nossos amigos",
argumenta, ao destacar que "ele foi covarde,
agredindo as pessoas pelas costas, por isso
queremos justiça".
Logo após a manifestação, a juíza Rosane
Michels decretou prisão preventiva a Ricardo
Neis, a pedido da Polícia Civil, que
enquadrou o atropelador por tentativa de
homicídio duplamente qualificado. Neis,
bancário do Banco Central, foi internado no
Hospital Parque Belém, em Porto Alegre. Na
manhã desta quarta-feira (2), a Polícia
cumpriu o mandado de prisão, e Neis foi
transferido para o Instituto Psiquiátrico
Forense, onde deve permanecer sob custódia
da Polícia, com acompanhamento médico. O
advogado de defesa, Jair Junko, antecipou
que pedirá o habeas corpus do acusado, que
já responde a processos por agressão física
e por trafegar na contramão. Por ser
funcionário do Banco Central, há inclusive
possibilidade dele ser transferido para
trabalhar em Recife (PE).
Quem? Onde?
O Massa Crítica é um movimento de ciclistas
que defende o uso da bicicleta como meio de
transporte saudável e ecológico para todos.
Integrantes e simpatizantes se reúnem para
pedalar todas as últimas sextas-feiras de
cada mês, com saída às 18h30, do Largo Zumbi
dos Palmares, em Porto Alegre.
Na última sexta-feira (25), mais de cem
ciclistas percorriam a Rua José do
Patrocínio, quando foram atropelados pelo
carro dirigido por Ricardo Neis. Nove
pessoas foram levadas ao Hospital de Pronto
Socorro da cidade. Todas foram liberadas sem
ferimentos graves. O motorista fugiu do
local sem prestar socorro. Várias
manifestações de apoio acontecem em diversas
cidades.
Nesta quarta-feira (2), haverá Bicicletada
em solidariedade aos ciclistas de Porto
Alegre no Rio de Janeiro, com saída às 18h
da Cinelândia, em frente ao Cine Odeon.
Também na quarta, em Curitiba, haverá
pedalaço a partir das 18h no pátio da
Reitoria da UFPR. Brasília também se prepara
para realizar uma manifestação ciclística.
Na última segunda-feira (28 de fevereiro), a
Bicicletada de São Paulo movimentou a
Avenida Paulista, com centenas de
manifestantes.
Próximas pedaladas:
Nesta quinta-feira (3), às 19h, será
oferecido aconselhamento jurídico gratuito
para os participantes do Massa Crítica. O
encontro será na Cidade da Bicicleta, na rua
Marcílio Dias, 1091, bairro Menino Deus.
Em Buenos Aires também haverá apoio aos
ciclistas de Porto Alegre. A solidariedade
será prestada no dia 6, domingo, às 16h,
junto ao Obelisco, na Praça da República.
No dia 10, quinta-feira próxima, a
Prefeitura e os ciclistas se reúnem no
auditório da EPTC, para programarem uma
série de melhorias no trânsito, que deem
mais segurança aos ciclistas, skatistas e
motoristas.
No dia 15 de março, terça-feira, as
Comissões de Defesa do Consumidor e Direitos
Humanos (Cedecondh) e a de Urbanização,
Transporte e Habitação (Cuthab) da Câmara de
Porto Alegre farão reunião conjunta, com a
presença dos integrantes do Massa Crítica e
autoridades, para tratar do trânsito na
capital gaúcha e dos recentes acontecimentos
que envolveram o atropelamento de ciclistas.
No dia 7 de abril, a Câmara de Porto Alegre
volta a tratar do tema, desta vez em
audiência pública, às 19 horas, no Plenário
Otávio Rocha do Legislativo.
Além disso, "para a última sexta-feira deste
mês, dia 25, se o tempo estiver bom, a
expectativa é de que a pedalada do Massa
Crítica seja a melhor e maior da história",
salienta Luís Macarini, integrante do
movimento.
Mais informações em
http://massacriticapoa.wordpress.com/
04 de março de 2011
Seca amazônica de 2010 é a mais severa do
século. Entrevista especial com Paulo Brando
Por
Redação IHU
A seca registrada na floresta amazônica no
ano passado foi ainda mais devastadora do
que a de 2005, considerada, até então, a
mais agressiva dos últimos cem anos. Segundo
o pesquisador do Instituto de Pesquisa
Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Brando,
responsável pelo estudo, dois ciclos
climáticos causam secas na floresta: o El
Niño e o aquecimento do Atlântico Norte.
Em entrevista à IHU On-Line, concedida por
telefone, ele explica que a cada 30 anos, a
Amazônia passa por ciclos de secas severas
como as que aconteceram recentemente. O
desafio, no entanto, é descobrir se as
últimas secas fazem parte desse processo ou
são ocasionadas em função das mudanças
climáticas.
Surpreso com a intensidade das secas, Brando
diz que ainda não é possível contabilizar os
danos no ecossistema. “Não fomos a campo
avaliar os impactos da seca de 2010, porque
normalmente demora de um a dois anos para
ocorrer a mortalidade de árvores. Com base
nos impactos da seca de 2005, supomos que a
última seca deve ter ocasionado uma
mortalidade de árvores bastante acentuada na
Amazônia, com a liberação de mais ou menos
cinco bilhões de toneladas de CO2 nas
próximas décadas”.
Paulo Brando é coordenador do projeto
Savanização do Ipam.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – A seca na Amazônia em 2010 é
considerada a mais grave da região nos
últimos cem anos. Qual foi a extensão dessa
seca, como ela se manifestou?
Paulo Brando – Dois ciclos climáticos geram
secas para a região amazônica: o El Niño e o
aquecimento do Atlântico Norte. O El Niño,
que é o aquecimento do Pacífico, normalmente
tem ciclos de mais ou menos três a cinco
anos. Assim, a seca de 1997 a 1998 e algumas
anteriores a ela ocorreram por causa do El
Niño.
A seca de 2010, como a de 2005, foi causada
pelo aquecimento do Atlântico Norte, que
trouxe ventos úmidos para a região
amazônica. Em 2010, cerca de 57% da Amazônia
teve uma precipitação mais baixa do que a
média geral, contra 37% em 2005, que tinha
sido considerada a pior seca do século.
IHU On-Line – O senhor afirmou que a seca de
2005 foi tida como um evento que acontece a
cada cem anos, mas ocorreu outra pior cinco
anos depois. Por que essa seca é ainda mais
severa?
Paulo Brando – Ficamos surpresos com duas
secas tão próximas em 2005 e 2010. Sabemos
que elas foram causadas por causa do
aquecimento do Atlântico Norte, mas ainda
não sabemos dizer se isso é causado por
mudanças climáticas ou não. A Amazônia
normalmente passa por ciclos de seca que se
repetem a cada 30 anos. Então, pode ser que
a floresta está passando por este ciclo ou,
do contrário, pode estar iniciando um
processo de frequentes secas na região.
IHU On-Line – É possível fazer uma
comparação entre as secas de 2005 e 2010? O
que as diferenciam?
Paulo Brando – Esse é o principal ponto da
nossa pesquisa: averiguar se as duas secas
se comparam. Segundo a nossa análise, a seca
de 2010 atingiu mais da metade da região
amazônica, enquanto a de 2005, atingiu cerca
de 37% do território. Além disso, a seca que
poderia causar a mortalidade de árvores na
área é muito maior em 2010 em relação a
2005. Ou seja, enquanto a seca de 2005
causou danos terríveis para diversos setores
da economia e danos ecológicos na região do
Acre, a seca de 2010 atingiu mais da metade
do Mato Grosso.
IHU On-Line – Como o senhor descreve a
produtividade das florestas da Amazônia,
hoje, depois do registro das secas?
Paulo Brando – Em 2005, a floresta liberou
muito mais carbono em relação aos outros
anos. Na década de 1980, 1990, até 2004, a
floresta estava capturando em torno de 1,5
toneladas de CO2. Em 2004 e 2005, houve uma
reversão desse processo.
Ainda não fomos a campo avaliar os impactos
da seca de 2010, porque normalmente demora
de um a dois anos para ocorrer a mortalidade
de árvores. Com base nos impactos da seca de
2005, supomos que a última seca deve ter
ocasionado uma mortalidade de árvores
bastante acentuada na Amazônia, com a
liberação de mais ou menos cinco bilhões de
toneladas de CO2 nas próximas décadas. Esse
é um número significativo e pode contribuir
para a elevação do aquecimento global.
IHU On-Line – As florestas da Amazônia estão
reduzindo a capacidade de ciclar e armazenar
carbono?
Paulo Brando – Diria que não é uma
tendência. Entretanto, um estudo recente
mostrou que duas secas severas podem
reverter o processo de absorção de carbono
para um processo de liberação de carbono das
florestas. Ainda não sabemos como esse
processo vai afetar o clima nos próximos
dez, vinte anos.
Pode ser que daqui dez anos essas florestas
absorvam mais carbonos do que o que elas
liberaram durante a seca de 2010. De
qualquer modo, se essas secas se tornarem
frequentes, isso provavelmente não irá
ocorrer. Nossa principal preocupação é de
que as secas frequentes estejam relacionadas
às mudanças climáticas.
IHU On-Line – O senhor pode explicar qual é
a relação da seca com a emissão de CO2?
Paulo Brando – Parte significativa dos
estudos mostra que, provavelmente, o El Niño
irá ocorrer com mais frequência e, em função
disso, aumentarão as secas. Vários estudos
mostram também que, provavelmente, haverá um
aumento na frequência do aquecimento do
Atlântico Norte, o que implica também em
mais seca para a região amazônica.
Eu não faço a modelagem climática, então,
também estou tentando entender o impacto da
seca sobre a dinâmica das florestas da
Amazônia. Segundo a literatura, com o
aumento de CO2 na atmosfera, há uma
diminuição de precipitação em partes da
Amazônia, principalmente no sudeste e na
região leste. Conforme aumenta a quantidade
de CO2 na atmosfera, há uma redução das
chuvas. A questão é saber como as florestas
que estão no limite da seca irão responder a
um clima mais seco.
IHU On-Line - Caso eventos dessa envergadura
se repitam regularmente, quais são os riscos
para a floresta amazônica?
Paulo Brando – Pode haver um aumento na
configuração de CO2 na atmosfera devido à
mortandade das árvores. Além disso, várias
florestas da Amazônia que, normalmente, são
resistentes a incêndios florestais podem
ficar mais vulneráveis a queimadas.
IHU On-Line – Há alternativas para se
mitigar ou prevenir o fenômeno dessas secas?
Paulo Brando – Para reduzir a frequência e a
incidência das secas é preciso um esforço
global de redução da quantidade de carbono
na atmosfera. Mas, no caso do Brasil, as
secas também têm relação com os incêndios
florestais na Amazônia. Esses incêndios
dependem muito do manejo da paisagem.
IHU On-Line - Que medidas o Brasil deve
tomar diante deste novo estudo acerca da
seca na Amazônia?
Paulo Brando – Essa é uma questão que vai
além do nosso trabalho. Nós mostramos as
consequências e o efeito da seca para
reciclagem do carbono. Cabe ao governo
investir em políticas públicas.
IHU On-Line - Resumindo, qual o diagnóstico
do estudo em relação à saúde da floresta?
Paulo Brando – As florestas na Amazônia,
principalmente as que sofrem secas sazonais,
perderam árvores grandes, liberando uma
quantidade excessiva de carbono para
atmosfera. Além disso, a floresta está mais
vulnerável a incêndios florestais. Ainda é
cedo para relacionar as secas com qualquer
mudança climática, então, o simples fato de
mostrar que as secas estão acontecendo, já
demonstra que é preciso dar atenção às
florestas.
(Envolverde/IHU On-Line)
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É livre a reprodução exclusivamente para
fins não comerciais, desde que o autor e a
fonte sejam citados e esta nota seja
incluída.
11 de Fevereiro de 2011

 |
Kanti Devi discípula direta de
Swami Vishnudevananda e diretora dos
Centros Sivananda na América do Sul
(Acharya), com mais de 40 anos de
experiência no caminho do Yoga.
Conhecida pelo seu carisma e
devoção. |
Durante estes quatro lindos dias de
carnaval, estaremos submersos nas práticas
de yoga e meditação. Entrando em paz consigo
mesmo e com o entorno.
Em um lugar onde a tranqüilidade e o
silêncio naturalmente nos levam a
introspecção.
No meio de campos de trigo e linhaça, lagos
naturais e eucaliptos se encontra o Rincão
Gaia. Um lugar onde a natureza é respeitada.
Chegada dia 04/03 - Sexta
18h – recepção com uma comida leve
20h – meditação (Satsanga)
22h – Silêncio
Dia 05/03 - Sábado
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência – O caminho da Paz (Ahimsa)
16h Aula de Yoga
18h Jantar
20h Meditação (Satsanga) – Apresentação
vídeo "Em nome da Paz" S. Vishnudevananda
22h Silêncio
Dia 06/03 – Domingo
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência – A saúde é a riqueza a paz
mental a felicidade
16h aula de asanas
18h jantar
20h Meditação (Satsanga) - Fogueira
22h Silêncio
Dia 07/03 – segunda
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência – A força do Amor
16h Aula de Yoga
18h Jantar
20h Meditação (Satsanga) – Apresentação de
Vídeo "Os Segredos da água" Dr. Emoto
22h Silêncio
Dia 08/03
5h30 Despertar
6h Meditação (Satsanga)
8h aula de yoga
10h Branch (desjejum/ almoço)
11h Karma Yoga
12h Banho no lago ou caminhada
14h Conferência - Perguntas e respostas
16h encerramento e lanche
16h30 Regresso
Local: Rincão Gaia (Pântano Grande – RS)
http://www.fgaia.org.br/rincao.html
Para maior informação de como chegar por
favor contatar ao Centro Sivananda de Porto
Alegre.
Investimento:
Até o dia 10/02/2011 Quartos – R$680,00
(alunos do Centro Sivananda R$640,00)
Dormitório – R$640,00 (alunos do Centro
Sivananda R$600,00)
A partir de 11/02/2011 Quartos – 740,00
(alunos do Centro Sivananda R$700,00)
Dormitório – 700,00 (alunos do Centro
660,00)
Podendo parcelar em até 3x sem juros.
(Pagando 50% na inscrição)
Inclui:
Hospedagem, duas refeições, um snack de
frutas e todas as atividades.
O que levar:
Tapetinho para a prática, almofada para
meditação, xale para a meditação da manhã,
repelente de insetos, protetor solar, roupa
de banho, tênis para caminhar, lanterna.
Inscrições:
Centro Sivananda de Yoga Vedanta
Rua Santo Antonio, 374
Porto Alegre, RS - BR
Cep: 90220-010
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08 de Janeiro de
2011
Temporada de verão no Rincão Gaia
O Lago das Estrelas foi a
grande atração para o grupo de 25 visitantes
que passou o reveillon no Rincão Gaia,
localizado próximo a Pantano Grande. Além de
desfrutar do belo e tranquilo cenário, o
local possibilita passeios de barco, um
amplo espaço para natação nas águas
cristalinas, a prainha para os apreciadores
de águas rasas e o deck para tomar sol.

Na época mais quente do ano,
o Rincão recebe grupos com qualquer número
de pessoas para atividades diárias junto à
natureza. A partir de quatro visitantes
existe também a possibilidade de pernoite na
Casa Comunal feita com materiais e
arquitetura que enfatizam as tecnologias
brandas.
Para
a opção visita guiada de um dia, com
possibilidade de banho no Lago das
Estrelas, é realizada uma caminhada
orientada por um monitor local que
mostra a história e a diversidade de
ambientes do Rincão, estimulando a
curiosidade e a interação com a
natureza.
O investimento soma R$ 36,00 por pessoa
com almoço completo e dois lanches. Caso
seja oferecido apenas um lanche, o custo
diminui para R$ 30,50. Grupos de escolas
e universidades têm valores
diferenciados.
Se
houver interesse em estender o passeio
para dois dias, os valores decrescem
para grupos com maior número de
participantes. No investimento total
estão incluídos todas as refeições, as
acomodações com roupas de cama e
toalhas, trilhas e um guia para
acompanhar as atividades.
Dois dias para
quatro ou cinco visitantes custa
R$ 149,50 por pessoa, o total muda para
R$ 128,50 entre 6 e 9 pessoas, chegando
a R$ 110,50 por pessoa para grupos com
10 ou mais integrantes. Neste caso
crianças de seis a doze anos recebem
vinte por cento de desconto.
Para confirmar a reserva
o pagamento integral deve ser feito com
antecedência mínima de 3 dias úteis,
sendo a atividade passível de
cancelamento ou transferência se for
feita uma comunicação até 2 dias úteis
antes da data de sua realização.
Informações completas
podem ser obtidas pelos e-mails
reservas@fgaia.org.br
ou
comunicacao@fgaia.org.br e
pelos telefones (51)97253685
(051)97253686.
As demais modalidades de
visitação oferecidas pela Fundação Gaia
podem ser conferidas no texto abaixo.
Modalidades de visitação ao Rincão Gaia
O Rincão Gaia, uma propriedade rural de
30 hectares, foi idealizado pelo
ambientalista gaúcho José Lutzenberger,
que desenvolveu um amplo trabalho de
recuperação de uma área degradada pela
exploração de basalto, tornando-a um
local de beleza encantadora. Aqui homem
e natureza são aliados na produção de
alimentos, criação de animais e na
preservação ambiental.
As atividades mostram a história e a
diversidade dos ambientes do Rincão,
estimulando tanto a curiosidade e a
interação com a natureza, como a
reflexão acerca dos desafios
sócio-ambientais atuais e, também, a
adoção de uma postura eco-cidadã de
preservação da vida.
Visita Guiada de um dia:
Caminhada orientada por monitor
local.
Grupo máximo de 50
pessoas.
Investimento: R$ 36,00/pessoa com
almoço completo e dois
lanches;
R$ 30,50/ pessoa com almoço e um lanche
## Preços promocionais para Escolas e
Universidades
Formação Ambiental:
Atividades teóricas e vivenciais, que
mudam mês a mês, aprofundando temas
ambientais específicos, durante um dia
ou mais. Destinada a professores, alunos
e comunidade em geral, grupo mínimo de
10 pessoas e máximo de 50.
Hospedagem:
Pacote completo com alimentação e
monitor. Grupo mínimo de 04 pessoas e
máximo de 40.
Investimento para 2 dias: R$
149,50/pessoa c/ 4 - 5 pessoas;
R$
128,50/pessoa com 6 – 9 pessoas;
R$
110,50/pessoa e desconto de 20% para
crianças de 05 – 12 anos, a partir de
10 pessoas
Cursos diversos e Atividades de Ecolazer
Educativo:
Finais de semana e feriados temáticos,
abertos ao público.
Programação, valores e mapa disponíveis na
homepage
www.fgaia.org.br.
Reservas: A confirmação da reserva se
dá com a efetivação do pagamento integral
com antecedência mínima de 3 dias úteis. A
atividade é passível de cancelamento ou
transferência até 2 dias úteis antes da data
de sua realização.
Em caso de cancelamento, transferência ou
ausência de última hora, a Fundação Gaia reterá
/ cobrará 30% do respectivo valor.
Dados bancários:
Banrisul – 041
Ag. 0752 – Pantano Grande
C/c 06.021.719 /01
Fundação Gaia – Sede Rural: Rincão Gaia –
Pantano Grande –
RS Fone:
51 9725 3685 ou 9725 3686 – reservas@fgaia.org.br
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