CORREIO
DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
Ecologia perde José Lutzenberger
Lutzenberger
era pioneiro e um dos mais importantes ambientalistas do mundo
O ambientalista José Lutzenberger, de 75 anos, morreu ontem no Pavilhão Pereira Filho, da Santa Casa de Misericórdia, vítima de parada cardíaca. Ele será sepultado às 11h de hoje, na sede da Fundação Gaia, em Pantano Grande. O governador Olívio Dutra e o prefeito João Verle decretaram luto oficial de três dias. Lutzenberger sofria de lesão no miocárdio e de enfisema pulmonar e fazia exames para avaliar o tipo de tratamento a que seria submetido e a possibilidade de realização de cirurgia, segundo o pneumologista Bruno Palombini.
Nos últimos tempos, ele vinha concentrando esforços na defesa de um desenvolvimento sustentável. Natural de Porto Alegre, o ecologista nasceu em 17 de dezembro de 1926. Formado em Agronomia, foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Agapan, criada em 1971. À frente da entidade até 83, destacou-se em lutas contra a poda incorreta das árvores, o desmatamento e a extinção da fauna.
Em
1987, criou a Fundação Gaia, da qual era presidente vitalício. Ganhou mais de
40 prêmios, 25 distinções e dez homenagens, entre as quais o prêmio Nobel
Alternativo, em 1988, em Estocolmo. Em 1990, foi nomeado secretário especial do
Meio Ambiente pelo então presidente Fernando Collor de Mello.
FOLHA
DE SÃO PAULO
SÃO PAULO,
QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
Ecologista José Lutzenberger morre no RS
vítima de parada cardíaca.
O agrônomo e
ecologista José Lutzenberger morreu hoje em Porto Alegre (RS), aos 75 anos,
vítima de parada cardíaca.Ele foi secretário especial do Meio Ambiente na
gestão do presidente Fernando Collor e ganhou o Prêmio Nobel Alternativo,
além de títulos de reconhecimento por sua luta em defesa do meio ambiente.O
ecologista fundou a ONG Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan),
em 1970, e a Fundação Gaia, em 1987.Lutzenberger estava internado na Santa
Casa para exames, segundo a Agência Brasil.
O
ESTADO DE SÃO PAULO
SÃO PAULO,
QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
Morre no RS o ambientalista Lutzenberger
Ex-secretário do governo Collor, o ecologista sofreu uma parada cardíaca
SANDRA HAHN
PORTO ALEGRE - Morreu ontem o ambientalista José Lutzenberger, de 75 anos, às 11h20, de parada cardíaca. Ele havia sido internado no dia anterior com um quadro de insuficiência respiratória no pavilhão Pereira Filho da Santa Casa de Misericórdia Porto Alegre (RS), onde faria exames.O pneumologista Bruno Palombini, que tratava Lutzenberger, disse que ele sofria de lesão no miocárdio (músculo do coração) e de um problema respiratório causado pelo tabagismo - ele foi fumante entre os 16 e 50 anos.
O ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, divulgou uma nota em nome do governo: "Lamentamos o falecimento do ambientalista José Lutzenberger, homem que se dedicou à defesa do meio ambiente. Devemos seguir seu exemplo, fazendo de nosso dia-a-dia uma busca permanente de novas ações capazes de assegurar respeito à nossa fauna e flora."
Fábio Feldman, assessor especial do presidente da República para o meio ambiente, assinalou que "Lutz era um gênio, com uma capacidade de comunicação incomum, em qualquer língua e frente a qualquer público. Não tem substituto."
Engenheiro agrônomo nascido em Porto Alegre (RS), Lutzenberger criou em 1987 a Fundação Gaia, entidade que presidia, voltada a projetos de agricultura orgânica, educação e consultoria ambiental. Lutzenberger ficou conhecido nacionalmente por sua atuação como secretário especial do Meio Ambiente, cargo para o qual foi nomeado em 1990 pelo então presidente Fernando Collor de Mello e que ocupou por dois anos.
Lutzenberger foi um dos idealizadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), criada em 1971, uma das primeiras entidades do gênero no País. Lutz, como era conhecido, ganhou vários prêmios internacionais em reconhecimento à sua contribuição à ecologia, entre eles o prêmio Nobel Alternativo. Influenciou a formação de várias das lideranças do movimento ambientalista tanto no Rio Grande do Sul como em outros estados.
Para
Magda Renner, 75 anos, hoje diretora da ONG Amigos da Terra, sediada em Porto
Alegre, "uma palestra dele nos 1970 foi uma experiência inesquecível,
como se da minha casa se abrissem quatro janelas e eu visse todo o mundo lá
fora de uma nova perspectiva".A Fundação Gaia continuará sendo dirigida
pelas suas filhas Lilly e Lara, que têm atuado nos últimos anos como
secretária e vice-presidente da entidade. Lutzenberger será sepultado hoje às
11h na sede da Fundação Gaia, em Pântano Grande, a 120 quilômetros de Porto
Alegre. (Agência Estado)
ZERO
HORA
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
Morte de Lutzenberger preocupa Fundação
Gaia
A morte do ambientalista gaúcho José Lutzenberger traz preocupação para a Fundação Gaia. De acordo com o conselheiro da fundação Fernando Bergamin, o carisma de Lutzenberger era responsável pelo apoio de entidades internacionais que apoiavam financeiramente iniciativas da instituição, que passa a ser presidida por Lara, a filha mais nova do ambientalista.
O enterro de Lutz ocorreu na sede rural da fundação, em Pantano Grande. Apenas uma coberta de algodão o separou da terra. Durante o velório, o corpo ficou em um caixão, coberto com flores e bilhetes escritos pelas netas, Heloísa, de 10 anos, e Helena, de oito. O caixão seguiu de carro até um bosque de eucaliptos, acompanhado pelas filhas Lilly e Lara, parentes, amigos, ambientalistas e autoridades, como o governador Olívio Dutra e o secretário do Meio Ambiente, Claudio Langone.
Lutzenberger morreu aos 75 anos. Sofreu uma parada cardíaca na terça-feira, no quarto em que estava no Pavilhão Pereira Filho da Santa Casa, na Capital. Ele havia sido internado menos de 24 horas antes. Não houve cerimônia religiosa. A legislação diz que as pessoas precisam ser enterradas em cemitérios, mas, Bergamin, uma permissão especial garantiu o enterro no Rincão Gaia, uma antiga pedreira recuperada pelo ambientalista entre Pantano Grande e Rio Pardo, a 120 quilômetros de Porto Alegre.
Durante o enterro, a família mostrou indignação com a afirmação do pneumologista Bruno Palombini, publicada em Zero Hora, de que Lutz fumou dos 16 aos 50 anos. O médico responsabilizou o cigarro pela tosse crônica e um enfisema pulmonar. "Ele não deve ter colocado mais do que cinco cigarros na boca durante toda a vida" disse em nome da família Alexandre de Freitas, encarregado de cursos, eventos e educação ambiental da Fundação Gaia. Segundo Palombini, que atendia Lutz havia cerca de 15 anos, a informação foi dita pelo próprio ambientalista e constava em sua ficha. Em três entrevistas a ZH, Lutzenberger confirmou que filava eventualmente cigarros, por chiste.
O
ESTADO DE SÃO
PAULO
SÃO PAULO,
QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
Lutzenberge
O desejo expresso pelo ambientalista em vida foi atendido: seu corpo foi enrolado num pano, sem sapatos, e colocado na terra
Porto Alegre - O corpo do ambientalista José Lutzenberger foi enterrado hoje dentro um bosque no Rincão Gaia, um santuário ecológico que ele mantinha em Pantano Grande, no interior do Rio Grande do Sul. Conforme desejo expresso em vida, Lutzenberger foi enrolado num pano, sem sapatos, e colocado na terra sem caixão.
Lutzenberger morreu ontem de parada cardíaca, aos 75 anos. Em vida notabilizou-se como defensor da natureza, após abandonar o emprego de executivo da Basf, em 1971. Criou a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), uma das primeiras entidades ambientalistas do Brasil, forçou o fechamento de indústrias poluidoras, atacou desmatamentos, agrotóxicos e transgênicos. Também ganhou o prêmio The Right Livelihood Award, o Nobel Alternativo e foi ministro do Meio Ambiente do governo Collor.
Nos últimos tempos criou polêmica com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra ao defender os latifúndios do sul do Rio Grande do Sul por formarem, segundo Lutzenberger, um cenário natural intocável.
Elder Ogliari
CNN
ESTADOS UNIDOS, QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
MSepultado o corpo do ambientalista José
Lutzenberger
Lutzenberger morreu aos 75 anos, na terça-feira 15 de maio, 2002 Às12:10 PM hora de Brasília (1510 GMT)
PORTO ALEGRE -- O corpo do ecologista José Antônio Lutzenberger foi sepultado na manhã desta quarta-feira, na sede rural da Fundação Gaia, em Pântano Grande, no estado do Rio Grande do Sul.
Lutzenberger morreu aos 75 anos, na terça-feira, em decorrência de problemas respiratórios. Ele estava internado na Santa Casa de Porto Alegre.
Fundador da Gaia, em 1987, e vencedor do Prêmio Nobel Alternativo, Lutzenberger foi um grande incentivador das lutas ambientalistas no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil.
No governo federal, Lutzenberger foi secretário especial do Meio Ambiente, no início da gestão Fernando Collor de Mello.
JORNAL
DO BRASIL
BRASÍLIA, QUARTA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 2002
José Lutzenberger morre aos 75, no RS
Aos 75 anos, morreu ontem, na Santa Casa de Porto Alegre, onde estava com problemas respiratórios decorrentes da asma, o maior ambientalista do Brasil , José Antônio Lutzenberger - Lutz para os amigos. Sua vida foi toda dedicada à natureza e, não por acaso, tornou-se um dos maiores defensores do naturismo. Muitas vezes era visto nu em sua casa e não entendia que houvesse gente capaz de pôr malícia nessa prática. Era gaúcho de Porto Alegre mas sua paixão pela agronomia - na qual se formou em 1950, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - levou-o para a Universidade de Louisiana (EUA), em 1951-53, onde se especializou em agroquímica. Quatro anos depois seguiu para a Alemanha, contratado pela empresa de adubos Basf como técnico. Da Alemanha, seguiu para a Venezuela a serviço da empresa. Voltou à Alemanha em 1966 para continuar o que vinha fazendo na Venezuela e no ano seguinte a Basf mandou-o para Casablanca, no Marrocos, onde sua experiência e conhecimento foram postos a serviço também da Argélia e Tunísia. Quando percebeu que era intenção da Basf fabricar também agrotóxicos, Lutz entendeu que seria uma traição aos seus princípios se continuasse na empresa. Pediu demissão, abadonou de vez a indústria química e tornou-se ecologista. Ele queria, disse mais tarde, ''uma agricultura livre de produtos químicos nocivos''. Junto com outros amantes da ecologia, fundou, em 1971, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), primeira ONG brasileira do gênero e que ele presidiu de 1971 até 1987. A partir daí Lutz nunca mais se separou de sua bandeira e por ela travou muitas e duras batalhas. A primeira foi com a empresa de celulose norueguesa Borregaard, instalada no município de Guaíba e contra a qual recaía a acusação de maior poluidora de Porto Alegre. A empresa acabou passando para o grupo Klabin, graças ao qual, foi criado com sucesso um programa de reciclagem dos resíduos industriais. Outras batalhas do ainda pouco conhecido ecologista foi contra a poda de árvores na capital gaúcha, que ele considerava incorreta. Até contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Lutz brigou. ''O Incra, que só faz barbaridades, deveria desaparecer'', chegou a dizer.
Quando, em 1987, deixou a Agapan, criou a Fundação Gaia, destinada a desenvolver estudos com vistas à conservação da vida no planeta - e em cuja sede passou os últimos anos de vida e pediu para ser enterrado.
Ali também tinham lugar seus bichos de estimação, especialmente gatos, além dos peixes na lagoa. Criou ainda os parques ecológicos da Guarita e Itapeva, em Torres (RS). A convite do presidente Fernando Collor, foi empossado em março de 1990 secretário nacional de Meio Ambiente, cargo em que permaneceria até abril de 1992 - quando foi demitido, dois meses antes da Eco que atraiu ao Rio de Janeiro a atenção do mundo. Se alguém queria, mesmo por brincadeira, ver Lutz irritado, era só falar dessa experiência. ''Brasília, só de lembrar, me faz mal'', dizia. Entre as mais de 85 homenagens que recebeu no Brasil e no exterior, entre prêmios, medalhas, placas e distinções várias, está o Prêmio Nobel Alternativo concedido em 1988, por seus trabalhos científicos, pela The Right Livelihood Award Foundation. Na Europa, Lutz era considerado o ''pai dos movimentos ecológicos da América Latina''. Apesar do que, Lutz disse uma vez: ''Não tenho medo dos transgênicos, que são proteínas como qualquer outra''. Opunha-se era contra os agrotóxicos, as usinas nucleares, a destruição das matas e a matança dos animais silvestres. ''Era um purista e sonhador capaz de defender a eliminação dos combustíveis fósseis, caso dos derivados de petróleo'', disse Rodney Ritter Morgado, gerente do Ibama no Rio Grande do Sul. Era viúvo de Anemarie Wilm, com quem teve duas filhas, ambas biólogas: Lilly, 40, e Lara, 32.
CORREIO
DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2002
Chuva no adeus para Lutzenberger
Familiares e convidados se emocionaram: o corpo foi sepultado sem caixão e regado pela natureza
Féretro deixa a Casa Comunal, sede da Fundação Gaia
Silvia Maino Bica
Uma forte chuva no momento exato em que José Antônio Lutzenberger era sepultado, na manhã de ontem, emocionou quem acompanhou a homenagem ao ambientalista gaúcho de 75 anos, morto na terça-feira. Depois de ser velado na Casa Comunal, sede rural da Fundação Gaia, em Pantano Grande, ele foi enterrado, na mesma área, junto ao bosque de eucaliptos e envolto em um tecido de algodão, conforme desejo manifestado há muitos anos. Para amigos e familiares do ambientalista, a cerimônia, sob ruídos de pássaros e de outros animais, não poderia ter sido encerrada de outra forma - com uma homenagem da natureza, que também chorou a sua perda.
O enterro também foi acompanhado por crianças, estudantes, dirigentes de entidades e autoridades, como o governador Olívio Dutra e os secretários da Agricultura, Angelo Menegat, e do Meio Ambiente, Claudio Langone. Para Langone, a lembrança mais marcante do ambientalista será o humor. 'Ele sempre recebia as pessoas com um sorriso e com atenção. Dificilmente haverá alguém tão envolvido na defesa do meio ambiente.' O ambientalista Arno Kaiser, do Movimento Roessler para a Defesa Ambiental, resumiu o sentimento dos demais protetores da natureza presentes ao sepultamento, como Flávio Lewgoy e Magda Renner. 'Demorará muito tempo para que outra pessoa tenha tamanho destaque e dedicação pela causa. É hora de aprendermos que uma pessoa não consegue lutar sozinha. É preciso um esforço coletivo.'
Um dos mais emocionados era o técnico agrícola Alexandre de Freitas, que trabalhava há nove anos na Fundação Gaia. Para ele, o grande aprendizado deixado por Lutzenberger foi sua bondade. 'Ele era muito generoso e não tinha nenhum pudor em compartilhar o conhecimento que carregava. Para ele, era um prazer permitir que todos também aprendessem.' Freitas lembra que o trabalho desenvolvido pelo ambientalista teve muitos seguidores e que a continuidade da Fundação Gaia está assegurada. 'Este lugar foi onde ele aplicou a sua genialidade e inspiração. De uma forma simples, vamos devolver tudo o que ele ensinou, como cuidar das pequenas coisas, por exemplo'.
A filha mais velha de Lutzenberger, Lilly, disse que a melhor forma de dar continuidade ao trabalho do pai será colocar em prática tudo o que ele defendia. Para os que acompanharam a cerimônia, a maior homenagem foi fazer com que, como uma flor, daquelas que ele tanto protegeu, Lutzenberger fosse cuidadosamente devolvido à terra e regado pela própria natureza.
Quando, em 1987, deixou a Agapan, criou a Fundação Gaia, destinada a desenvolver estudos com vistas à conservação da vida no planeta - e em cuja sede passou os últimos anos de vida e pediu para ser enterrado.
Ali também tinham lugar seus bichos de estimação, especialmente gatos, além dos peixes na lagoa. Criou ainda os parques ecológicos da Guarita e Itapeva, em Torres (RS). A convite do presidente Fernando Collor, foi empossado em março de 1990 secretário nacional de Meio Ambiente, cargo em que permaneceria até abril de 1992 - quando foi demitido, dois meses antes da Eco que atraiu ao Rio de Janeiro a atenção do mundo. Se alguém queria, mesmo por brincadeira, ver Lutz irritado, era só falar dessa experiência. ''Brasília, só de lembrar, me faz mal'', dizia. Entre as mais de 85 homenagens que recebeu no Brasil e no exterior, entre prêmios, medalhas, placas e distinções várias, está o Prêmio Nobel Alternativo concedido em 1988, por seus trabalhos científicos, pela The Right Livelihood Award Foundation. Na Europa, Lutz era considerado o ''pai dos movimentos ecológicos da América Latina''. Apesar do que, Lutz disse uma vez: ''Não tenho medo dos transgênicos, que são proteínas como qualquer outra''. Opunha-se era contra os agrotóxicos, as usinas nucleares, a destruição das matas e a matança dos animais silvestres. ''Era um purista e sonhador capaz de defender a eliminação dos combustíveis fósseis, caso dos derivados de petróleo'', disse Rodney Ritter Morgado, gerente do Ibama no Rio Grande do Sul. Era viúvo de Anemarie Wilm, com quem teve duas filhas, ambas biólogas: Lilly, 40, e Lara, 32.
IHU
ON-LINE
SEGUNDA-FEIRA, 20 DE MAIO DE 2002
Lutzenberger
Uma
vida em favor da natureza
Nesta
edição, IHU
On-Line (Ano 2
- Nº 18 – 20 de maio de 2002) quer
lembrar, de maneira especial, o ambientalista José Antônio Lutzenberger, que
faleceu aos 75 anos, no final da manhã da terça-feira, 14 de maio.
Lutzenberger foi enterrado no Rincão Gaia, antiga pedreira recuperada por
ele, entre Pantano Grande e Rio Pardo, a 120 quilômetros de Porto Alegre.
Nesta
homenagem ao Lutzenberger, IHU On-Line escutou as
vozes de alguns de seus amigos e pessoas de autoridade no campo ambientalista.
O biólogo,
naturalista, padre e professor da UNISINOS, Clemente José Steffen, que foi
vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural
(Agapan) na época em que Lutzenberger foi presidente, fala sobre seu amigo.
Ouvimos,
também, o biólogo Rafael José Altenhofen, 27 anos, secretário executivo da
União Protetora do Ambiente Natural (Upan), mestrando em Gestão Ambiental,
secretário executivo da União Protetora do Ambiente Natural – UPAN e
educador ambiental.
Finalmente, conversamos com Teresa Urban, jornalista, escritora, especialista em Gestão e Auditoria Ambiental, militante do movimento ambientalista e autora de vários livros que abordam a questão ambiental.
Testemunhos:
Clemente Steffen:
A nossa amizade nasceu na Agapan
IHU On-Line- Como conheceu José Antônio Lutzenberger?
Clemente Steffen: Conheci Lutzenberger, quando ele começou a fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) em 1971. Nesse ano, começaram as manifestações pela preservação do meio ambiente. Eu era já professor de Ecologia na UNISINOS, que, naquela época, ainda não tinha esse nome. Foi fácil estabelecer o contato com Lutzenberger. Tínhamos muitas coisas em comum. A criação da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Natural surgiu da preocupação ambientalista de alguns professores e alunos e outros ambientalistas como Lutzenberger.
IHU On-Line- Depois
de uma convivência tão próxima, como o senhor o descreveria?
Clemente
Steffen- Lutzenberger
chegava a ser um fanático pela preservação da natureza. Era violento.
Estourava na hora. Dizia as coisas. Defendia suas idéias com unhas e dentes.
Dessa forma, arranjava amigos e inimigos. Tinha grandes ideais e não tinha
medo de defendê-los e enfrentar quem quer que fosse. Seu lado humano era
muito rico. Era muito dado com os amigos. Não era uma pessoa de ficar
ouvindo. Você podia começar com uma idéia, mas ele tomava a palavra e,
realmente, não dava chute, dominava qualquer matéria. Tinha uma formação
cosmopolita. Assinava inúmeros jornais e revistas. Viajou por todos os
continentes. Tinha autoridade para falar e aproveitava isso.
IHU
On-Line- Numa
série de frases de Lutzenberger, publicadas pelo Jornal Zero
Hora do dia 14 de maio, ele disse “que os padres são mais
safados que os comunistas, porque oferecem o paraíso para depois da morte,
quando já não é possível cobrar nada deles”. O senhor é padre...
Clemente
Steffen- Ele
sabia brincar. Entre nós nunca falamos sobre religião. De fato, nem sei se
era católico ou luterano. O que posso afirmar é que conheci muito bem seus
valores. Era extremamente honesto, incapaz de mentir, autêntico em extremo.
Nem conseguiria imaginar o Lutzenberger sendo falso ou enganando alguém. O
que pensava dizia na hora. Era um homem muito sadio nos seus costumes. Não
tinha vícios.
IHU
On-Line– Quais
eram as grandes idéias que ele reiteradamente defendia?
Clemente
Steffen- Ele
era contra o homem tecnológico que usa mal a natureza. Via que o
desenvolvimento da humanidade tinha ido por um caminho errado, contra a
natureza. A humanidade entrou em crise com a tecnologia e para corrigir os
erros usa mais tecnologia. Opunha-se a uma concepção de economia como aquela
que determina tudo. Ele entendia de natureza, economia, química, astronomia,
matemáticas...e gostava de dissertar sobre a economia mundial. Qualquer
situação era propícia para explicar suas teorias. Sempre andava com um
bloco e uma caneta no bolso e, em qualquer momento, um almoço, uma conversa
informal,começava a desenhar esquemas, explicando suas idéias. Ele era um
grande crítico dos desvios que degradam a natureza, seja em seu aspecto
biológico, físico, humano, etc.
IHU
On-Line-
Como ele ensinava uma forma alternativa de cuidar o ecossistema?
Clemente
Steffen- Um
claro exemplo é o Rincão de Gaia. Ele comprou uma área no meio de uma
fazenda no Município de Pantano Grande, para mostrar, na prática, como
tornar ecologicamente sadia uma área degradada. Plantou, deixou a natureza se
recuperar, criou animais, tornou a área útil. Transformou-a num local onde
demonstrava como criar galinhas e usar o adubo para cultivar plantas
aquáticas que, por sua vez, alimentavam as galinhas. Tinha diversas práticas
de agricultura sustentável, criação de porcos e outros animais que tratava
de forma diferente. Lá havia cursos de ecologia, plantas medicinais e muitos
outros. Construiu casas à base de madeira e palha para hospedar e dar aulas,
o mais natural possível.
IHU
On-Line
Qual era sua relação com a Universidade?
Clemente
Steffen- Ele
veio diversas vezes, à UNISINOS para dar palestras relacionadas à área de
Biologia, de Física, Economia, etc. Inclusive este ano, a Associação Verde
Campus, setor da Diretoria de Administração do Campus (DCAM) ia convidá-lo
para participar do dia do meio ambiente.
Teresa Urban:
Tudo começou com uma entrevista
Teresa
Urban é jornalista e escritora, residente em Curitiba, PR. Entre os seus
livros, está um dos últimos: Saudade do Matão, sobre a
história da conservação da natureza no Brasil e Missão (quase) Impossível: aventuras e
desventuras do movimento ambientalista no Brasil. São Paulo: Peirópolis,2001
sobre o movimento ambientalista. Neste último livro, Teresa Urban
traz um capítulo sobre a vida e a luta de Lutzenberger. Ela conta, por
exemplo, como numa conversa dele com D. Paulo Evaristo Arns, cardeal-arcebispo
de São Paulo, surgiu a idéia do tema da Campanha da Fraternidade de 1979,
ser a ecologia, tendo como lema “Preserve o que é de todos’. Note-se que
então a temática ecológica não tinha a publicidade de hoje.
IHU
On-Line- Qual
foi seu primeiro contato com o ambientalista?
Teresa
Urban- Conheci
Lutzenberger como jornalista, na década de 80. Acho que a primeira vez que o
entrevistei foi no final dos anos 70, num dos primeiros grandes congressos
sobre a questão ambiental, realizado em Curitiba. O que mais me surpreendeu,
na época, foi a dureza com que Lutzenberger atacava o modelo agrícola
consagrado pelo regime militar. Lembro de me perguntar: “Quem é esse
sujeito que navega pelas águas turvas da ditadura com tamanha liberdade?”
Passei a acompanhar, com enorme interesse, seu trabalho. Na época, não
militava no movimento ambientalista, era apenas jornalista e ex-presa
política que tentava entender que país era esse.
IHU
On-Line-
Ao longo destes últimos dias, assistimos a muitas formas diferentes e até
polêmicas de caracterizar o ambientalista. Qual é a sua percepção?
Teresa
Urban- Lutzenberger,
para mim, sempre foi dom Quixote, em sua melhor versão brasileira. Munido de
cultura sólida e convicções que ultrapassavam os estreitos limites da
época, semeou sonhos e vontade de lutar por toda uma geração de gaúchos
(principalmente) e de brasileiros obscurecidos pela opressão reinante. Dono
de conhecimentos sólidos, rompeu a barreira da tecnocracia para buscar
respostas na ação política. Não seguia normas, não era de esquerda nem de
direita, era uma estrela solitária. Não temia alianças, desde que seus
objetivos pudessem ser alcançados, escandalizando gregos e troianos. Confesso
que, muitas vezes, fiquei desconcertada com suas atitudes, mas ele não foi o
único ambientalista apaixonado a estabelecer compromissos com políticos
passíveis de questionamentos éticos. Basta lembrar que grande parte das
áreas protegidas, no Brasil, foram criadas em períodos ditatoriais. Getúlio
Vargas criou os três primeiros parques nacionais depois de 1937 e o regime
militar deu ao país algumas das principais leis conservacionistas e milhões
de hectares de florestas protegidas...
IHU
On-Line- Como
está o movimento ambientalista atualmente, no Brasil?
Teresa
Urban- O
movimento ambientalista atravessa, no Brasil, um profunda crise de identidade,
dividido entre a tentação de sobreviver transformado em simples executor de
projetos ou tornar-se um ator do cenário político convencional. A falta de
raízes na sociedade dificulta seu enquadramento como movimento popular e
empobrece sua capacidade de luta. A falta de base teórica impede o movimento
de questionar, em profundidade, o modelo (ou a falta de modelo) econômico
adotado pelo país. Levada a suas últimas conseqüências, a discussão sobre
uso predatório dos recursos do ambiente conduz, inevitavelmente, a um
confronto com a economia do livre mercado e aí reside um impasse que não é
exclusivo só movimento ambientalista.
Rafael Altenhofen:
Ouvi falar de Lutzenberger quando era criança
Rafael
José Altenhofen, nasceu em Harmonia - RS e veio para São Leopoldo com 10
anos de idade. Cursou Biologia Licenciatura Plena e Biologia Bacharelado na
UNISINOS. Atualmente é mestrando em Gestão Ambiental num convênio entre a
Universidade de Las Palmas (Ilhas Canárias) e a UFSC. Atua desde 1995 no
movimento ambientalista, pela União Protetora do Ambiente Natural - UPAN, da
qual é Secretário Executivo. Desenvolve atividades em educação
socioambiental e organização comunitária, como por exemplo, em cooperativas
de catadores de resíduos.
IHU
On-Line-
Como conheceu Lutzenberger?
Rafael
Altenhofen- Tomei
conhecimento da existência de José Lutzenberger já no interior, quando
pequeno, antes dos 10 anos de idade, na época em que eu já iniciava minha
militância ambiental sem, no entanto, identificar-me com esta ou aquela
bandeira. Os mais velhos, frente as minhas idéias "pró-meio
ambiente" chamavam-me, então, de "Lutzenberger dois". Confesso
que eu nem sabia de quem se tratava e achava estranho aquele apelido. Se fosse
hoje, seria meu maior orgulho. Fui realmente conhecê-lo após vir para São
Leopoldo e ingressar na UPAN, primeiro através de seus trabalhos, de suas
idéias e da polêmica que despertava, mesmo entre os ambientalistas, e, mais
tarde, pessoalmente, em um encontro na área ambiental. No decorrer destes
anos, pude ter contato com ele em diferentes ocasiões, quer em atividades no
meio acadêmico, quer em encontros temáticos de ativistas ambientais, quer
através de visitas que realizei ao Rincão Gaia em atividades como acadêmico
de Biologia. Não tinha muito contato direto com ele, mais com seus trabalhos
e, em aproximadamente uma dezena de oportunidades na qual estive diretamente
com ele, sempre o foi através de grupos.
IHU
On-Line-
O ambientalista influenciou sua trajetória em favor do meio-ambiente?
Rafael
Altenhofen- Lutzenberger,
ou Lutz, como lhe chamam os ecologistas e os mais próximos (eu me incluo no
primeiro grupo), é, e sempre será, um (ou mesmo "o") referencial
nas questões não somente ambientais de nosso estado, país e mundo, como
também na questão social e econômica, uma vez que todas são afetadas pelo
modelo desenvolvimentista e globalizante ao qual ele sempre fez severas (e
cientificamente embasadas) críticas.
IHU
On-Line-
Qual a herança que Lutzenberger deixa ao Brasil?
Rafael
Altenhofen-
Ele deixa o reconhecimento de uma história e lutas na área ambiental (ou
socioambiental) das quais o estado do RS é pioneiro, desde a época de
Henrique Luiz Roessler. Lutz deixa de herança uma grandiosa conquista para a
área ambientalista e para todo o país. Se ele não foi o primeiro,
certamente foi aquele que, com mais propriedade, levantou e expôs dados
científicos que embasaram as lutas dos ambientalistas, tidas até então,
muitas vezes, como alarmistas, sem fundamentação teórica ou embasamento
técnico.
IHU
On-Line- E
qual o seu aporte ao meio acadêmico e universitário?
Rafael
Altenhofen- Com
sua irreverência, fez duras críticas também à ciência, que se considera
acima da ética, e ao meio acadêmico, que não forma para a vida, mas apenas
para retroalimentar a própria academia, mantendo-se, muitas vezes, isolado
das reais necessidades e problemas da sociedade.
IHU
On-Line- Por
que o ambientalista suscitou e suscita tanta polêmica?
Rafael
Altenhofen-
Lutzenberger sempre foi uma pessoa muito polêmica, e várias são as
histórias de seus feitos. Estes vão desde seus banhos nu no lago do Rincão
Gaia (encabulando alguns visitantes desinformados), passando por
posicionamentos polêmicos no próprio meio ambientalista, até a situações
inusitadas como a da minhoca desidratada, que apareceu sobre a mesa da
lancheria, na qual ele preparava uma palestra (a que pude assistir) e que
acabou sendo utilizada com ponto base de sua explanação.
A última história sobre ele, que ouvi após seu falecimento, conta que, após realizar uma visita ao então lixão de São Leopoldo (antes da existência da área atual), entrou no gabinete do Secretário do Meio Ambiente com as botas imundas nas mãos e jogou-as em cima da mesa deste, dizendo: “Vê só como está o teu lixão!”
Lutzenberger
em Missão (quase) impossível
No
livro
Missão
(quase) Impossível, de Teresa Urban (São Paulo:Ed. Fundação
Pierópolis, 2001. p. 76-92), a autora descreve a vida e o pensamento de
Lutzenberger. Citamos alguns trechos.
Trajetória
Formado em 1950 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, durante dois anos fez cursos complementares na Louisiana State University, aprofundando-se em agroquímica. Voltou ao Brasil e trabalhou durante sete anos em empresas do setor de adubos, no Rio Grande do Sul. Em 1957, foi convidado para trabalhar na Basf, na Alemanha. Partiu sem intenção de voltar e ficou 13 anos fora do país, como executivo da empresa: na Alemanha, durante dois anos; na Venezuela, entre 59 e 66; e no Marrocos, até 1970.
O processo que o levou a recusar uma nova promoção na empresa, para atuar em todo o Mediterrâneo, e trocar uma confortável posição de executivo de multinacional pelas incertezas do retorno ao Brasil, foi lento. É verdade que havia constatado, já no início de suas atividades na Basf, que o horizonte científico reservado aos executivos era estreito e insatisfatório. Em depoimento ao jornalista João Batista Santafé Aguiar (32), Lutzenberger revela seu desconforto diante do conselho de um de seus superiores, logo que chegou à Alemanha: ”Vejo que você se interessa por antropologia, filosofia, se ocupa com matemática, biologia, história, história das religiões; mas precisa ter consciência de que és homem de adubo! Tem que se interessar por adubo!”. Foi como “homem de adubo” que trabalhou na Venezuela durante quase sete anos. Além de ter a oportunidade de conhecer muito bem o país e seus vizinhos, tinha tempo para estudar. Na Venezuela, conheceu Leon Croizat, que considera até hoje uma das maiores autoridades mundiais em biogeografia, com quem pôde aprofundar seus conhecimentos na área. Supria a limitação do horizonte profissional com outras atividades.
“No
mundo de hoje, e entre nós mais do que em outros lugares, predomina a
incapacidade de ver, de sentir o mundo natural. Somos incapazes de sentir a
Natureza em sua plenitude, de perceber suas harmonias, de deleitar-nos
esteticamente diante de suas belezas. Não praticamos, por isso, a arte de
observá-la. Assim, escapam-nos muitas de suas maravilhas que, ao invés de
fascinar-nos, passamos a destruir cegamente.”
Esta
era a introdução de um artigo escrito em 1975, -Alienação
- no qual explicava, pacientemente, o processo de reprodução das figueiras
que estavam sendo destruídas pela poda promovida pela Prefeitura Municipal de
Porto Alegre”
“Lutzenberger
também deixou sua marca como paisagista na Riocel, quando recuperou uma área
de cinco hectares das margens do Rio Guaíba, que havia sido aterrada pela
antiga Borregaard. Lutzenberger costumava fazer pesquisas nessa área e acabou
sendo convidado para fazer sua recuperação. É novamente Augusto Carneiro
quem conta:
“Um dia ele chegou e estavam plantando uma reta de eucaliptos e uma reta de acácia. E Lutzenberger disse: ‘O que é isso?’ O diretor explicou que queria tapar as caliças, o entulho que formava o aterro. E Lutzenberger imediatamente propôs que fosse feito um parque. Não fez projeto. Foi fazendo. Para mim, é o parque mais bonito do Brasil. Lutzenberger começou a trabalhar, com o método ecológico, o que não agradou os engenheiros de lá. Havia várias depressões, que Lutzenberger admirava: ‘Isso aqui é invadido pelas águas nas inundações e é fonte de vida’. E o engenheiro achava que tinha que pegar um trator, pegar todos aqueles tijolos e tapar a depressão. Os engenheiros protestaram, mas o diretor manteve Lutzenberger, contra a vontade deles. Terminou mais ou menos o parque, porque um parque nunca está terminado, e foi para a Alemanha passar 45 dias. Nesse meio tempo, houve um incidente muito grave, com despejo de óleo no rio. A empresa recebeu uma multa do órgão ambiental estadual e mandou fazer uma represa para evitar acidentes. Passaram o trator em cima dos jardins do Lutzenberger. Quando voltou, ficou horrorizado e não podia fazer nada. Passado um ano de abandono, a empresa o chamou para fazer o parque novamente.”
O parque da Riocel continua sendo mantido com orientação de
Lutzenberger. Em 1987, já afastado da Agapan, Lutzenberger criou a Fundação
Gaia, com objetivos que traduzem bem suas convicções: “promover a
consciência e a ética ecológica no contexto de uma visão unitária da vida
e do universo. Isso inclui: promover democracia real, participação e
descentralização administrativa, autonomia e poder local.” O grande
momento do movimento ambientalista gaúcho terminara.”
Dito por Lutzenberger
Fonte: ZH/14 de abril de 2002.
§Me interesso muito pouco pela minha pessoa. Olho sempre para a frente. Custo a entender que estou com 75 anos.
§ Na hora, digo o que penso, boto para fora. Uso a emoção. Se alguma coisa me excita, falo excitado. Se me agridem, passo a agredir. Mas não sinto raiva ou ressentimento.
§ Em Brasília, todos são cínicos e não entendem como você não possa ser (sobre sua passagem como ministro do governo Collor).
§ A Alemanha fez penitência pelo holocausto. Mas o Brasil ainda deve a sua pelo que fez com os índios e os negros.
§ Os aviários se transformaram em campo de concentração de galinhas. Vem aí a galinha louca.
§Capitalismo e comunismo são, na verdade, duas seitas da mesma coisa, que é o industrialismo.
§ A sociedade de consumo é, no fundo, uma religião fanática, um fundamentalismo pior do que o do Bin Laden. Está arrasando o planeta.
§ Há um governo mundial tecnoditatorial dos grandes grupos. O governo mundial é privado.
§ Li Marx de ponta a ponta no original, em alemão. Ele é tão tecnocrata quanto os capitalistas.
§ Hitler e Mussolini também diziam ser socialistas, como Fidel. Essa palavra e ser de esquerda não significam mais nada.
§ O livre mercado não resolve tudo, até porque é manipulado. O mercado só vê demanda, não vê necessidades. Os mercados são cegos para as gerações futuras.
§ Os padres são mais safados que os comunistas. Oferecem o paraíso para depois da morte, quando já não é possível cobrar nada deles.